30 setembro 2013

logoterapia

Viktor Emil Frankl (1905-1997), psiquiatra e psicólogo austríaco, criou um método de tratamento psicológico que denominou logoterapia, uma das dissidências da psicanálise freudiana surgida em Viena e uma das muitas teorias sobre motivação básica do comportamento humano. Ainda adolescente, sentiu um vivo interesse pela psicanálise. Em 1921 escreveu um primeiro trabalho Sobre o significado da vida. Passou por quatro campos de concentração entre 1942 e 1945. 

A “logoterapia”, traduzida literalmente, é “terapia através do sentido”. Esta terapia, a terapia através do significado, é o contrário da psicoterapia, que se traduz por significado através da terapia. Frankl constatou que, depois de um tratamento através da terapia tradicional, o paciente estava curado, mas faltava-lhe o sentido da vida. Para ele, a psicologia tradicional remove a neurose, mas não lhe dá algo em troca, que é a renovação do seu sentido de vida. 

O tempo que permaneceu nos campos de concentração influenciou sobremaneira os arcabouços de sua teoria. Percebeu que as pessoas que tinham um objetivo de vida, encaravam-na com mais disposição, com mais entusiasmo, mesmo estando presas. Meditando sobre essas observações, achou-se no dever de ajudar a si mesmo e aos outros. Tomou isso como uma missão. Queria somente mitigar o sofrimento dos outros. 

Baseando-se em relatos verbais e cartas recebidas, ele defende que a principal coisa que move o ser humano é ter um objetivo na vida. Nesse sentido, relata-nos que uma pessoa presa na cadeia revelou-lhe que aí passou os dias mais felizes de sua vida. Um médico e sua esposa (enfermeira) ao cuidarem de um familiar que sofria de câncer, sentiram-se os seres mais felizes, porque puderam dar todo o suporte médico ao seu ente querido. 

Por que alguns indivíduos têm um sentido de vida apurado e outros não? É consequência de algum treinamento? São reflexos de existências passadas? O problema é que quando damos sentido à nossa vida, os nossos atos se tornam mais conscientes, mais de acordo com as leis naturais, escritas por Deus em nosso ser. É a tomada de consciência de nossa responsabilidade para conosco mesmos e para com o nosso próximo, seja de que procedência for.

Façamos com que os nossos atos tenham sempre um objetivo de vida. No início, este esforço pode ser penoso. Com o tempo, porém, torna-se um hábito salutar e proveitoso.

Para mais informação: FRANKL, Viktor E. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. Tradução de Victor Hugo Silveira Lapenta. Aparecida, SP: Ideias e Letras, 2005. (11ª edição).  



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