24 abril 2018

Os Estoicos e o Barulho do Vizinho

Quem nunca teve um vizinho que liga o som ao meio dia e vai até altas horas da noite? Os estoicos sugerem, no sentido de manter a tranquilidade de espírito, simplesmente ignorar o barulho.

O que se entende por estoicismo? É uma corrente filosófica (300 a.C. a 200 d.C.) que apregoava a vida contemplativa acima das ocupações, das preocupações e das emoções da vida comum. É uma espécie de ataraxia, ou seja, a paz da alma. Sobreviveu na cultura ocidental até os nossos dias. Para os estoicos, a felicidade reside na independência com relação a qualquer circunstância exterior.

Para encontrar a paz da alma, o indivíduo deve viver em harmonia com a razão (natureza), afastando-se de tudo que poderia prejudicá-la, principalmente as paixões. A verdade, que se assenta na ausência das paixões, exige um domínio da vontade, devendo este aceitar o destino e mostrar-se desapegado em relação às coisas em geral. Temas extraídos do estoicismo inspiraram Montaigne, Corneille, Descartes, Kant, entre outros. O estoicismo teve influência, também, na ética cristã.

Voltemos aos vizinhos barulhentos. Mesmo nos sentindo zangados, oprimidos, os estoicos argumentariam: será que as causas dessas emoções negativas provocadas internamente são mesmo negativas em si mesmas? O som dos vizinhos não deveria ser motivo de raiva. Achar que é falta de compaixão, nem pensar. Os estoicos pensam que o que nos causa dissabor são as convicções e opiniões que temos de uma situação além do nosso controle direto.

Em se tratando do barulho, poderíamos requerer uma ordem judicial, poderíamos confrontá-los com ameças de violência física. De qualquer maneira, essas ações seriam desastrosas, pois alterariam a tranquilidade dentro da ordem natural do universo e nos causariam uma perturbação mental e emocional ainda maior.

Fonte de Consulta

STEPHEN, Alain. Filosofia sem as Partes Chatas: da Grécia Antiga ao Pensamento Moderno: as Grandes Questões Explicadas de Forma Clara e Objetiva. Tradução Carlos Augusto Leuba Salum, Ana Lúcia da Rocha Franco. São Paulo: Cultrix, 2017.

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