21 janeiro 2015

Continente e a Ilha, O

Ivan Domingues, em seu livro "O Continente e a Ilha", faz uma comparação entre a filosofia do Continente (franco-alemão), mais teórica, e a filosofia da Ilha (anglo-saxão), mais pragmática.

Caracterizando, sob a lente de Luc Ferry e em tom de piada, as diferenças de postura de escolas diferentes a respeito do camelo, temos: um francês, um inglês e um alemão receberam a incumbência de fazer um estudo sobre o camelo. 

O inglês, pragmático e empirista, vai ao campo (norte da África no caso), põe-se a observar o camelo dias e dias e no fim relata o que observou num paper de quinze ou vinte páginas sobre os hábitos do camelo. 

O francês foi ao Jardim Botânico, lá passou meia hora, fez perguntas ao guarda, jogou pão para o camelo, cutucou o bicho com a ponta do guarda-chuva e, de volta à casa, escreveu para seu jornal um folhetim cheio de piadas e ditos picantes. 

O alemão, com grande desprezo da frivolidade do francês e da falta de ideias gerais do inglês, fechou-se em seu quarto para redigir uma obra em vários volumes intitulada: Ideia do camelo tirado do conceito de eu.

Na conclusão de seu livro, temos:

Tradição continental: a história da filosofia é capaz de dar o contexto dos problemas, fornecendo os meios para o estudioso adquirir a familiaridade, afastando as ilusões da originalidade e preparando a mente para realizar as verdadeiras descobertas e reconhecer as intuições seminais.

Risco: servilismo, erudição livresca e morte do pensamento. 

Tradição anglo-americana: coragem do pensamento, verificada na decisão de fazer tábula rasa da história e pensar os problemas simplesmente aplicando a lógica nos experimentos mentais.

Risco: acreditar que descobriu a América quando apenas criou mais um puzzle, a filosofa torna-se um jogo de xadrez intelectual e os pensamentos, em vez de higienizar, leva ao seu atrofiamento. 

Fonte de Consulta

DOMINGUES, Ivan. O Continente a a Ilha: Duas Vias da Filosofia Contemporânea. São Paulo: Loyola, 2009. (Leituras Filosóficas).



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