19 abril 2014

Paradoxo

Paradoxo vem do latim (paradoxum) e do grego (paradoxo). O prefixo “para” quer dizer contrário a, ou oposto de e o sufixo “doxa” quer dizer opinião. O paradoxo é uma proposição contrária à opinião comum. É o oposto do que alguém pensa ser a verdade. Representa, também, a ausência de nexo ou lógica. Declaração que se faz sobre as coisas que aparentemente implica alguma contradição, pois uma análise mais profunda faz desvanecê-la.

Segundo Platão, a opinião é faculdade própria, distinta da ciência, que nos torna capazes de “julgar sobre a aparência”. É a existência de algo intermediário entre ignorância e ciência. O que caracteriza o filósofo é o não ser “amigo da opinião”. Não é condenável ir contra a opinião, pois um paradoxo pode ser falso ou verdadeiro. Para Sócrates as opiniões devem ser destruídas, visto que o indivíduo, movido pela sensação, vai adquirindo conhecimentos falsos e incorporando muitos vícios ao seu patrimônio intelectual.

Entre os vários tipos de paradoxos, os mais frequentes são: paradoxo lógico. Exemplo: o paradoxo de Bureli-Forti – chamado do maior número ordinal; paradoxo semântico. Exemplo: paradoxo do mentiroso; paradoxo existencial. Encontra-se em autores de caráter religioso, como Santo Agostinho, Pascal, Kierkegaard e Unamuno. Não é anti-racional, mas pode ser pré-racional. (1)

Pesquisando sobre o termo “paradoxo”, deparamo-nos com diversas situações. O paradoxo da filosofia apriorística mostra que se a filosofia é amor à sabedoria, não podemos restringi-la. A exclusão a priori de algum tema mostra o preconceito da época. O paradoxo da fé em Kierkegaard mostra que na fé o máximo amor de si mesmo convive com o máximo temor de Deus. É um paradoxo, mas a fé é isso mesmo, um paradoxo. Sartre, ao afirmar que “o homem está condenado à liberdade” profere um paradoxo, pois como uma pessoa pode ter liberdade se está condenado a ela?

O paradoxo em Frankenstein. A cinematografia faz de Frankenstein um ser com instinto de assassinar crianças, ações contrárias àquelas praticadas pelos seres humanos normais. No livro de Mary Shelley, ele é vegetariano, fala eloquentemente que quase convence o seu criador e o leitor de sua bondade intrínseca. O paradoxo está em ter certeza que conhecemos, mas raciocinamos com uma imagem falsa.

(1) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]


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