30 agosto 2013

Sabedoria e Moral

“O homem livre, em nenhuma coisa pensa menos do que na morte, e a sua sabedoria não é uma meditação da morte, mas da vida.” (Spinoza)

Perscrutando a história da humanidade, verificamos que as religiões e as filosofias são os grandes mananciais de sabedoria. Em toda época, foram elas que guiaram o ser humano em sua caminhada rumo à aquisição das virtudes. Um talento enterrado de nada serve para a vida prática. Hoje, a sabedoria da antiguidade parece que foi banida dos comportamentos e atitudes dos seres humanos. A maioria “faz pouco da moral”.

O “permissivismo” ainda está em moda na família e na educação escolar. Esse procedimento gera um enfraquecimento de toda espécie de disciplina. Há, também, uma negação de toda hierarquia, baseada na competência e no mérito. Não se importar com a moral é fácil, mas quais são as suas consequências? Fraude, trapaça e corrupção são algumas de suas consequências. O indivíduo tem que se exercitar na honestidade, no amor a si mesmo e ao próximo e na prática do bem,  ensinamentos esses propostos por toda filosofia e religião.

Platão já nos alertava sobre o bom uso que se deve fazer dos próprios conhecimentos. Eles devem ser úteis para proveito próprio e dos outros. A procura do novo nem sempre é a melhor escolha. É mais fruto do medo de que algo pareça fora de moda. Queremos rapidamente descartar as coisas que possuímos. Esse hábito é também aplicado nas ciências e nas filosofias. É por essa razão que sempre chegamos tarde às verdades mais simples.

Um pequeno diálogo sobre a novidade: “Por que motivo – pergunta o primeiro – todas as novidades que se espalham são estúpidas e feias?” “São novidades – responde o outro – exatamente por serem estúpidas e feias: ninguém ousara espalhá-las antes.”

O excesso de informação faz-nos esquecer rapidamente das comoções sociais, das catástrofes. As notícias nos veem de toda a parte, uma somando à outra, de modo que todo o excesso é prejudicial. Existe, porém, um motivo mais relevante, que é a busca instintiva das coisas boas da vida, do anelo com o bem, com a felicidade. Há necessidade de resguardarmos a serenidade de espírito.  

Façamos uma volta consciente às raízes de nossa cultura, pois o que é clássico nunca envelhece, e nunca deve ser descartado. Busquemos aí o alimento necessário para nos fortalecermos moral e espiritualmente. 





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