18 janeiro 2010

O Eterno Aprendiz

“O saber que é absorvido em desmedida e sem fome, e até contra a necessidade, já não atua mais como motivo transformador”. (Nietzsche)

Todo ser humano tem desejo natural de saber. Para isso, frequenta bibliotecas, vasculha livros e pesquisa na Internet. Em virtude da facilidade de obter informações, pode absorver mais do que necessita, tendo, depois, dificuldade de manejar o seu excesso. Não é sem razão que os religiosos indagam: que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Para eles, tem mais valor o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros mas se descuida de si mesmo.

Depois de adquirida a informação, o ser humano sente desejo de passá-la ao outro (ensinar). Aqui, surge o seguinte problema: o propósito do ensino não deve ser o de encher a cabeça do outro com aquilo que pesquisamos, mas o de dar-lhe a dose certa para que possa caminhar por si mesmo. Em algumas escolas modernas, distribuem-se “notebooks” aos alunos, para eles poderem pesquisar online. O professor faz uma pergunta. Em vez de respondê-la, incentiva os alunos a buscarem a resposta na grande rede de computadores.

A Filosofia nos ensina que, por estar na mediatez do real, o ser humano é sempre aprendiz. Para tanto, deve correr o risco da incerteza, mas nunca fugir dessa aprendizagem. Se mudássemos o foco do ensino para o de aprendizagem, haveria uma mudança radical em nossa existência. Já não nos preocuparíamos em saber tudo, estar a par de toda novidade; focaríamos um único ponto: a necessidade peremptória de nosso espírito.

Reflitamos sobre a frase de Nietzsche: “O saber que é absorvido em desmedida e sem fome, e até contra a necessidade, já não atua mais como motivo transformador”. O que isto quer dizer? Que deveríamos buscar os conhecimentos que atendam às nossas necessidades interiores, mas as necessidades reais e não aquelas que são fabricadas pela nossa imaginação, principalmente aquelas sugeridas pelos meios de comunicação de massa.

Aquele que se coloca como aprendiz pode tirar proveito de toda e qualquer situação. Se o discurso que ouve é oco, poderá regenerá-lo dentro de um logos mais amplo, mais racional. Se o discurso é instrutivo, saberá verificar o que serve e o que não serve para o seu estoque de conhecimento. Em todo o caso, saberá aproveitar o tempo para dedicar-se inteiramente à sua evolução moral e espiritual.

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