23 janeiro 2009

O Acessório e o Essencial

Sócrates e Platão, na Antigüidade, enalteceram a morte e nos trouxeram a certeza da imortalidade. Segundo eles, “o verdadeiro filósofo vê na morte a meta e a realização de sua própria vida, pois só quando a alma fica livre do corpo ele alcança o conhecimento do verdadeiro ser, das Ideias”. Acrescentam que a “morte é a completude da vida, mas não para todas as pessoas, apenas para o filósofo”. Para Sócrates, “o medo da morte é um sinal de que um ser humano não ama a sabedoria, mas o corpo”.

Em vista do exposto, podemos questionar o modus operandi de nossa vida, notadamente aquilo que costuma visitar os nossos pensamentos. Será que não estamos perdendo tempo em coisas acessórias e deixando de lado aquelas que poderiam auxiliar a iluminação de nossa alma imortal?

À noite, por exemplo, ficamos horas e horas diante da televisão assistindo a novelas, filmes e telejornais. É necessário ficarmos tantas horas diante dela? Qual o limite entre o lazer, a necessidade de informação e a robustez do nosso espírito? Do mesmo modo, é a navegação na Internet. É realmente necessário o tempo gasto com jogos, conversas on-line e verificação de e-mails? Quantas dessas atividades poderiam ser eliminadas, sem nada prejudicarem o nosso desempenho vital e peremptório?

Sonhos, devaneios, imaginação. Quantas dessas situações estão tomando mais tempo do que o necessário? Dada a urgência de fazermos isso e aquilo, deixamos muitas coisas começadas e pouco acabadas. Lembremo-nos, contudo, do provérbio: “something tempted something done” (algo tentado, algo terminado). Os grandes pensadores, principalmente os clássicos, advertem-nos para estarmos inteiros no que estivermos fazendo, ou seja, concentrados na edificação de nossa própria alma.

As orientações dos clássicos devem ser ouvidas, pois elas nunca ficam obsoletas. Eles nos incentivam a cultivar as coisas essenciais da vida, aquelas ligadas à nossa evolução moral, intelectual e espiritual. Quando não lhe damos ouvidos, podemos seguir diversos caminhos que nada ajudam essa tal evolução. É o caso de nos perguntarmos sobre a morte e o morrer: se os bons deuses quisessem nos levar esta noite, como seríamos recebidos no mundo dos imortais?

Reflitamos sempre sobre os pressupostos clássicos. É possível que, sem o percebermos, estejamos nos desviando do caminho reto. Recordando os seus exemplos, podemos nos emendar e voltar a trilhar o caminho do bem.

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