Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de percepção
plena dos sentidos é o que se convencionou chamar de iluminação. Embora a
palavra sugira uma conquista sobre-humana — algo que costuma agradar ao ego —,
a iluminação nada mais é do que o retorno ao estado natural de unidade com o
Ser. Trata-se de uma experiência simples e essencial, que não acrescenta algo
novo à existência, mas remove os véus que obscurecem aquilo que sempre esteve
presente.
Na maior parte do tempo, o ser humano não utiliza a mente de forma
consciente; ao contrário, é dominado por ela. Esse funcionamento automático
constitui uma verdadeira doença, caracterizada pela identificação contínua com
pensamentos repetitivos. Essas “trilhas sonoras” mentais, que se repetem há anos,
moldam percepções, emoções e comportamentos sem que se perceba. Observar esses
padrões é um passo fundamental para romper com esse ciclo inconsciente.
Iluminação, nesse sentido, não significa acumular conhecimento, mas
elevar-se a um nível acima do pensamento compulsivo. O estado de mente vazia
não é ausência de inteligência, mas consciência sem ruído mental. A partir
desse silêncio interior, torna-se possível pensar de forma verdadeiramente
criativa, pois o pensamento passa a ser uma ferramenta consciente, e não uma
força que controla o indivíduo.
Grande parte do sofrimento humano nasce do medo psicológico, que não
está ligado a perigos reais e imediatos. Esse tipo de medo projeta-se sempre no
futuro, manifestando-se como ansiedade, preocupação, tensão, fobias ou pavor.
Ele nunca se refere ao que está acontecendo agora, mas ao que pode
acontecer. Assim, vive-se prisioneiro de cenários imaginários, afastando-se do
único momento onde a vida realmente ocorre: o presente.
Por fim, é essencial observar os mecanismos de defesa internos.
Defender-se de quê, exatamente? Na maioria das vezes, trata-se da proteção de
uma identidade ilusória, uma imagem mental fictícia. O desejo de poder sobre os
outros surge desse mesmo equívoco e revela, na verdade, uma fraqueza disfarçada
de força. A chave para dissolver essas ilusões está em transcender a noção
psicológica de tempo, pois é nela que o ego se sustenta. Ao abandonar a ilusão
do passado e do futuro, abre-se espaço para a liberdade e para a presença
consciente do Ser.
Fonte de Consulta
TOLLE, Eckhart. Praticando o Poder
do Agora. Ensinamentos essenciais, Meditações
e Exercícios de o Poder de Agora. Tradução de Iva Sofia Gonçalves Dias. Rio de
Janeiro: Sextante, 2003.
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