19 janeiro 2026

O Poder do Agora: Iluminação e Medo

Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de percepção plena dos sentidos é o que se convencionou chamar de iluminação. Embora a palavra sugira uma conquista sobre-humana — algo que costuma agradar ao ego —, a iluminação nada mais é do que o retorno ao estado natural de unidade com o Ser. Trata-se de uma experiência simples e essencial, que não acrescenta algo novo à existência, mas remove os véus que obscurecem aquilo que sempre esteve presente.

Na maior parte do tempo, o ser humano não utiliza a mente de forma consciente; ao contrário, é dominado por ela. Esse funcionamento automático constitui uma verdadeira doença, caracterizada pela identificação contínua com pensamentos repetitivos. Essas “trilhas sonoras” mentais, que se repetem há anos, moldam percepções, emoções e comportamentos sem que se perceba. Observar esses padrões é um passo fundamental para romper com esse ciclo inconsciente.

Iluminação, nesse sentido, não significa acumular conhecimento, mas elevar-se a um nível acima do pensamento compulsivo. O estado de mente vazia não é ausência de inteligência, mas consciência sem ruído mental. A partir desse silêncio interior, torna-se possível pensar de forma verdadeiramente criativa, pois o pensamento passa a ser uma ferramenta consciente, e não uma força que controla o indivíduo.

Grande parte do sofrimento humano nasce do medo psicológico, que não está ligado a perigos reais e imediatos. Esse tipo de medo projeta-se sempre no futuro, manifestando-se como ansiedade, preocupação, tensão, fobias ou pavor. Ele nunca se refere ao que está acontecendo agora, mas ao que pode acontecer. Assim, vive-se prisioneiro de cenários imaginários, afastando-se do único momento onde a vida realmente ocorre: o presente.

Por fim, é essencial observar os mecanismos de defesa internos. Defender-se de quê, exatamente? Na maioria das vezes, trata-se da proteção de uma identidade ilusória, uma imagem mental fictícia. O desejo de poder sobre os outros surge desse mesmo equívoco e revela, na verdade, uma fraqueza disfarçada de força. A chave para dissolver essas ilusões está em transcender a noção psicológica de tempo, pois é nela que o ego se sustenta. Ao abandonar a ilusão do passado e do futuro, abre-se espaço para a liberdade e para a presença consciente do Ser.

Fonte de Consulta

TOLLE, Eckhart. Praticando o Poder do Agora.  Ensinamentos essenciais, Meditações e Exercícios de o Poder de Agora. Tradução de Iva Sofia Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

 

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