20 setembro 2018

Aristóteles e o Problema da Justiça

O que é justo e o que é injusto? Uma pessoa é convidada ao posto que desejávamos na empresa em que trabalhamos. Uma garota, por ser cadeirante, é expulsa da torcida organizada de um determinado clube. Cada um dos casos pode brotar em nós um sentimento de indignação, e logo dizemos que houve uma injustiça. Daí, poderíamos indagar: quem merece o quê? Lembremo-nos de Aristóteles.

A teoria de justiça de Aristóteles baseia-se no telos (finalidade) e na honra. Para definir os direitos, temos que saber qual é o telos da prática social abordada. E para compreender o telos é preciso discutir as virtudes que ela deve honrar e recompensar.

Para Aristóteles, justiça é dar às pessoas o que elas merecem. O que uma pessoa merece? Para entender o mérito, temos que ter em mente "as coisas e as pessoas a quem elas são destinadas". Segue-se que "pessoas iguais devem receber coisas iguais". Iguais em que sentido? Depende do que está sendo distribuído e das virtudes relevantes para cada caso. Ao distribuirmos flautas, elas devem ficar para os melhores flautistas porque é para isso que elas existem para serem bem tocadas.

Observe o sentido nobre de política em Aristóteles: aprender a viver uma vida boa. "O propósito da política é permitir que as pessoas desenvolvam suas capacidades e virtudes humanas peculiares — para deliberar sobre o bem comum, desenvolver o julgamento prático, participar da autodeterminação do grupo, cuidar do destino da comunidade como um todo. "A finalidade e o propósito de uma pólis é uma vida boa, e as instituições da vida social são meios de atingir essa finalidade.""

"A virtude moral resulta do hábito." "Tornamo-nos justos ao praticar ações justas, comedidos ao praticar ações comedidas, corajosos ao praticar ações corajosas." Aristóteles afirmava também que a virtude moral é um meio entre os extremos.

Seguindo o raciocínio do merecimento, Aristóteles acaba defendendo a escravidão. Como o faz? Desde que não seja por imposição, no caso de um prisioneiro de guerra, a escravidão resulta da natureza daquela pessoa, que está talhada para obedecer.

Fonte de Consulta 

SANDEL, Michael J. Justiça – O que é Fazer a Coisa Certa. Tradução de Heloísa Matias e Maria Alice Máximo. 24. ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.


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