15 novembro 2017

Koan

"Estamos perdidos onde a mente não pode nos encontrar, profundamente perdidos." (Ikkyu, monge zen-budista e poeta)

O termo koan refere-se aos ensinamentos usados por mestres zen para ajudar a despertar seus discípulos. É a ideia de que o estudo do paradoxal pode levar o aluno à iluminação. Segundo O Dicionário Eletrônico Houaiss de Língua Portuguesa, o koan é uma sentença ou pergunta de caráter enigmático e paradoxal, usado em práticas monacais de meditação com o objetivo de dissolver o raciocínio lógico e conceitual, conduzindo o praticante a uma súbita Iluminação intuitiva.


As questões intrigantes, como por exemplo "qual o som de uma mão batendo palma?", servem como objeto de meditação. Um koan é criado para expor as falhas de um método discursivo de argumentação, levando os alunos a um novo sistema mental que se aproxima da iluminação. De acordo com Hakuin, o objetivo de um koan é despertar uma "grande dúvida" num aluno sobre o paradigma que ele usa para interpretar o mundo. Pode-se dizer que é um tipo de metacognição, já que leva alguém a refletir como pensa e vivencia o mundo. (1)



Alguns Koans

1) Mal comeces a pensar se 'tem' ou 'não tem' és um homem morto.


2) Batendo duas mãos uma na outra temos um som. Qual é o som de uma única mão?


3) Quem pensa que entendeu se questiona.

Quem pensa que não entendeu questiona os outros.
Quem entendeu não diz nada.
E quem não entendeu também não diz nada!

4) Qual é o som do silêncio?


5) Não use o arco e flecha de outrem.

Não cavalgue o cavalo de outra pessoa.
Não discuta as falhas de outro.
Não se meta nos negócios de uma outra pessoa.

6) Um cão tem uma natureza de Buddha? Se você disser que sim, eu vou bater em você. Se você disser não, eu vou bater em você. Vá e descubra a resposta. E, qualquer que seja a sua resposta, eu vou bater em você!


 7) Nan-In, um Mestre japonês durante a Era Meiji,1 recebeu um professor universitário, que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.


Nan-In, enquanto isso, servia o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.


O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:


— Está muito cheia! Não cabe mais chá!


Então, o Mestre Nan-in disse: — Como esta xícara, você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como eu posso lhe demonstrar o Zen sem que você primeiro esvazie a sua xícara?


8) O amanhã não é real. É uma ilusão. A única realidade é o agora. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este 'Dharma'.


9) O pensamento lógico não pode ser usado para obter a Compreensão; apenas com a sensibilidade da não-mente alcança-se a Verdade.


10) Não é o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte. Este nome, este espírito e este corpo criam a ação. Pela ação ou Karma, nascem outro nome, outro espírito e outro corpo.


Koan Vegetariano


O Católico: — Você é vegetariano?

O Ateu: — Sim; sou.
O Católico: — Como você sabe, eu sou católico. Na Bíblia, não há qualquer passagem que recomende o vegetarianismo. O próprio Jesus comia peixe.
O Ateu: — Comia? Tem certeza? Bem, cada um come o que quer. Mas, quem sou eu para julgar Jesus! Jesus é Jesus; eu sou eu. E nós dois somos um. (2)

(1) ARP, Robert (Editor). 1001 Ideias que Mudaram a Nossa Forma de Pensar. Tradução Andre Fiker, Ivo Korytowski, Bruno Alexander, Paulo Polzonoff Jr e Pedro Jorgensen. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.


(2) http://paxprofundis.org/livros/koan/koan.htm


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