21 outubro 2017

O Trivium e as Artes Liberais

"As artes liberais denotam os sete ramos do conhecimento que iniciam o jovem numa vida de aprendizagem." 

O Trivium e o Quadrivium, conhecidos como as Sete Artes Liberais, eram o conjunto de estudos que, na Idade Média, antecedia o ingresso na Universidade. Trivium significa o cruzamento de três ramos ou caminhos e tem a conotação de um "cruzamento de estradas" acessível a todos. Quadrivium significa o cruzamento de quatro caminhos. 


O Trivium (Gramática, Lógica e Retórica) diz respeito às coisas da mente. O Quadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astronomia) diz respeito às coisas da matéria. Para Hugo de São Vítor (1096-1141), no Didascálion, "a gramática é a ciência de falar sem erro. A dialética é a disputa aguda que distingue o verdadeiro do falso. A retórica é a disciplina para persuadir sobre tudo o que for conveniente". 


Um estudo sobre o trivium da Idade Média leva-nos a comparar a educação contemporânea, que se fundamenta em produzir documentos (diplomas) daquela que se baseava nas artes liberais, em que o individuo procurava o conhecimento por sua livre e espontânea vontade. Nos tempos das "trevas", a educação tinha por objetivo retirar o indivíduo de seu comodismo e apresentar-lhe o mundo como ele é. 


No trivium, temos: Lógica é a arte de pensar; Gramática, a arte de inventar e combinar símbolos; Retórica, a arte de comunicar. A retórica assume papel preponderante, pois faz uso da gramática e da lógica, para comunicar os pensamentos e os conhecimentos.


A educação liberal é a mais nobre das artes, pois foca a mente do aprendiz. O aluno não recebe passivamente as informações. Ele é convidado a relacionar os fatos aprendidos com um todo unificado. Não é acumular fatos, informações, mas produzir conhecimento, pensar sobre os dados e tirar suas próprias conclusões. 


Fonte de Consulta


JOSEPH, Miriam. O Trivium: As Artes Liberais da Lógica, da Gramática e da Retórica. Entendendo a Natureza e a Função da Linguagem.  Tradução e Adaptação de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo: É Realização, 2008.  


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