28 março 2014

Prazer

Prazer - estado afetivo agradável. Júbilo, alegria, contentamento. Satisfação moral em que os elementos de ordem intelectual e espiritual sobrepõem-se aos de ordem sensível. Reação do apetite assinalando a presença percebida de um certo bem. É o resultante de uma atividade que tem uma espécie de "acabamento", que é a obtenção daquele referido bem. 

Geralmente, fala-se que o contraponto do prazer é a dor. Será verdade? Para Antonio Sérgio, na sua tese sobre A Natureza da Afecção (1911), o contraponto do prazer é o “desprazer”, e não a dor. Alega que esta, ao contrário do prazer ou desprazer, é localizada em algum ponto do corpo físico. Diz ainda que algumas dores são prazerosas, como é o caso de se coçar uma ferida. (1) 

Em se tratando do binômino prazer-dor, há duas correntes de pensamento: monista e dualista. Para os monistas, o prazer e a dor são ligados a uma mesma função, vindos de uma mesma origem, ora manifestando-se de forma positiva ora de forma negativa. Para os dualistas, prazer e dor são distintos. Nesse caso, o prazer estaria ligado ao determinismo exclusivamente interno das necessidades e a dor ao determinismo exclusivamente externo das defesas. (1) 

De acordo com a teoria psicanalítica, o princípio do prazer mostra-nos que devemos evitar o desprazer e proporcionar o prazer por redução da excitação. Além disso, o prazer não pode ser buscado só por si mesmo. O prazer é resultante de uma atividade que atinge um bem. Quando busca-se a si mesma, pode autodestruir-se. Observe a seguinte comparação: é como a sombra que se afasta de quem a persegue, mas não abandona quem a origina. 

Em termos religiosos e espirituais, notamos que o problema do deleite (prazer) do espírito deve se fundamentar no bem. Observe o pensamento de São Tomás de Aquino, na sua Summa Theologica: “É a mesma coisa desejar o bem e desejar a deleição (prazer), e qual não é outra coisa que o repouso no bem”. Complementando esse pensamento, diremos que o desejo deve ser movido pela virtude da temperança, ou seja, ele deve ser refletido segundo a razão e não segundo a emoção.

Conforme os anos passam, vamos adquirindo novos modos de vida e novas percepções do prazer. Com uma idade mais avançada, podemos dispensar mais tempo ao cultivo de nossa alma. Em certos momentos, é como se estivéssemos vivendo a alegria da prece, narrada em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em que ouvimos “as liras dos arcanjos, a voz doce e suave dos serafins, mais leves que as brisas da manhã quando brincam nas folhagens dos seus grandes bosques”. 

(1) GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]. 

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