19 fevereiro 2011

Os Limites da Tolerância

Qual o limite para pôr fim ao incômodo alheio? Pergunta de difícil resposta. Jesus, por exemplo, recomenda-nos perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes. Perdoar sempre não seria uma espécie de fraqueza? Por quê, para agradar aos outros, temos que contrariar os anseios de nossa própria consciência? Em se tratando de uma vida religiosa, “é preferível ter todo mundo contrário a ter Jesus ofendido”.

Observe a ingerência dos outros em nossa vida. Há pessoas que se julgam donas do mundo, mandando e desmandando sem o menor pudor. Suponha, por um momento, que estejamos diante de uma dessas pessoas: ela vem até a nossa casa (para ajudar em algum serviço ou simplesmente para passar alguns dias conosco. A partir daí, mudam os objetos de lugar, ordenam o que devemos ou não devemos fazer, e assim vão indo.

Diante deste fato, pensamos: "Deixa para lá; é por pouco tempo; ela só ficará uma semana ou, no máximo, quinze dias; logo vai embora e as coisas voltam à rotina. Eu não vou arrumar confusão, inimizade ou coisa que o valha." Há, porém, uma controvérsia a esse pensamento de acomodação: “O hábito de tudo tolerar pode ser fonte de inúmeros erros e perigos”, pois estamos vendo o nosso irmão cometer o erro e nada fazemos, não o chamamos à atenção.

Lembremo-nos de alguns pensamentos sobre a verdade: 1) “Aquele que sabe e cala-se é como o avarento que amealha tesouros”; 2) “Diz a verdade, mesmo que ela esteja contra ti”. (Alcorão); 3) “As palavras verdadeiras não são agradáveis e as agradáveis não são verdadeiras”. (Lao-Tsé); 4) “A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida”. (Eduardo Girão); 5) “Prefiro incomodar com a verdade do que agradar com adulações”. (Lúcio Anneo Sêneca, moralista e filósofo latino).

Em vista de nossa responsabilidade para com o nosso progresso e o alheio, saibamos tolerar os incômodos dos nossos semelhantes, mas rejeitemos todos os nossos atos de conivência com o erro.

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