09 março 2010

Consciência: Algumas Notas

Consciência é um conhecimento concomitante ou cumulativo. Concomitante significa que se manifesta simultaneamente com o outro; cumulativo, que acrescenta. A consciência se dá no momento em que o indivíduo vivencia uma dada situação. Os sentidos do observador captam o objeto. Ao captar o objeto, ocorre a concomitância e a cumulação.

No seu desdobramento, que se dá a certa distância do ato vivenciado, surge a consciência reflexa. Assim, há a consciência direta e espontânea e a indireta ou reflexiva, que é a incidência da reflexão sobre os próprios atos internos. A reflexão não torna consciente o que antes não o era. É muito mais um ato isolado e explicativo.

Quando o espírito, pelo poder de reflexão, volta-se para si mesmo e vivencia o seu próprio ato, baseado nos primeiros princípios do ser, da verdade e do bem, temos a consciência moral. Depreende-se, assim, que o verdadeiro conhecimento de si mesmo não é contemplação desinteressada, mas um apelo ao dever pela prática da ação livre e responsável.

Há também a liberdade de consciência, que é o direito de professar as próprias convicções morais e religiosas, em que há ausência de toda e qualquer coação externa em matéria de moral e religião.

Segundo Manfred Frank, em Self-consciousness and Self-knowledge, a relação entre consciência, autoconsciência e autoconhecimento é a seguinte:
  • Consciência pressupõe autoconsciência. Não há como alguém estar consciente de alguma coisa sem estar consciente de estar consciente dessa coisa.
  • A autoconsciência é pré-reflexiva. Se a autoconsciência fosse o resultado da reflexão, então só teríamos autoconsciência após termos consciência de alguma coisa que fosse dada à reflexão. Mas isso não pode ser o caso, pois, como dissemos antes, consciência pressupõe autoconsciência. Logo, a autoconsciência é anterior à reflexão.
  • Autoconsciência e consciência são distintas logicamente, mas funcionam de maneira unitária.
  • O autoconhecimento – isto é, a consciência reflexiva ou consciência de segunda ordem – pressupõe a consciência pré-reflexiva, isto é, a autoconsciência.
De acordo com o esquema acima, a autoconsciência é o elemento fundamental da consciência. Sem ela não há consciência nem reflexão sobre a consciência.

Fonte de Consulta

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.


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