27 outubro 2024

Os Fins e os Meios

“Aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus, 24,13)

O fim de uma ação é aquilo em função do qual ela é realizada; o meio é a maneira apropriada para atingir o fim. Para que haja consciência na ação, precisamos considerar os diversos princípios morais subjacentes: não devemos fazer mal em função do bem; quem quer o fim quer os meios; as pessoas devem ser sempre tratadas como fins e nunca unicamente como meios.

Em termos de política econômica é a aplicação dos princípios da economia. Os princípios da economia estão relacionados com aquilo que desejamos (fins), como consegui-los (meios) e o que somos "nós" ante a natureza e a organização social. Sua finalidade é a obtenção de um "optimum".

Os fins devem ser sempre distinguidos dos meios. Não são poucas as vezes que os confundimos. Observe o seguinte. Sabemos, perfeitamente, que o fim da religião é a salvação da alma. Por que razão alguns religiosos impedem que seus adeptos se salvem em outra igreja?

Os fins justificam os meios? Frase atribuída erroneamente a Nicolau Maquiavel, e significa que qualquer iniciativa é válida quando o objetivo é conquistar algo importante. Isso porque Maquiavel, no seu livro O Príncipe, indica que, para manter o poder, o príncipe deve desenvolver características tidas como "não éticas", como a crueldade e hipocrisia.

Esta frase é comumente associada ao autor italiano graças a este trecho do capítulo XVIII da sua obra O Príncipe: "Nas ações de todos os homens, em especial dos príncipes, onde não existe tribunal a que recorrer, o que importa é o sucesso das mesmas. Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo..." 

O útil e o inútil. “Útil” significa tudo aquilo que tem um fim noutro e não em si mesmo. O “útil” é sempre instrumento, sempre meio, é intermediário, e vale por tudo aquilo a que se dirige: não vale por si. “Inútil” significa o que não tem um fim noutro. “O que não tem um fim noutro” pode ser entendido de duas formas: 1ª) “não tem um fim noutro” porque não possui finalidade alguma; 2ª) ou, então, “não tem fim noutro” porque possui um fim em si mesmo. Muitas vezes, o fim torna-se meio, porque produzimos por produzir sem saber para que fim.

Fonte de Consulta

BOULDING, Kenneth E. Princípios de Política Econômica. São Paulo: Mestre Jou, 1967.

https://www.significados.com.br/os-fins-justificam-os-meios/

MENDONÇA, E. P. de. O Mundo Precisa de Filosofia. 2. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1970. 

 


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