06 outubro 2015

Martinho Lutero e as 95 Teses (Reforma Protestante)

Martinho Lutero (1483-1546) é considerado o pai da Reforma Protestante. Tudo começou em 31/10/1517, quando da afixação das 95 teses contra as indulgências (pagamento para obter o perdão dos pecados). Estende-se até 1520, quando queima a bula papal Exsurge Domine, que o condenava à excomunhão, caso não se retratasse.

A Reforma Protestante teve os seus precursores: Agostinho de Hipona (354-430) - escritor prolífico - distingue a cidade de Deus e a cidade do homem; Francesco Petrarca (1304-1374) - devoto cristão - não via conflitos entre a realização do potencial humano e a fé religiosa; Jan Hus (1369-1415) - pensador e reformador religioso - queimado vivo pela propagação das teses antidogmáticas; Girolamo Savonarola (1452-1498) - monge italiano - queimado em praça pública porque atacou a corrupção da Igreja; Erasmo de Roterdã (1466-1536) - escritor holandês - cujas ideias humanistas e progressistas foram fundamentais para os reformadores. 

Martinho Lutero nasceu numa família camponesa. Por pressão familiar, inclinou-se aos estudos jurídicos; depois, aos 22 anos, ingressou na vida monástica, passando por diversas crises a respeito da salvação e qual seria o melhor caminho para amar a Deus. Em 1515, começou a ministrar cursos sobre as epístolas de Paulo, especificamente Romanos, que lhe ensejou profundas reflexões de que a salvação humana não era decorrente das obras, mas sim fruto da suprema piedade de Deus. 

Do ato corriqueiro ao processo de excomunhão. Martinho Lutero era professor. Em 31 de outubro de 1517, ele afixa as "95 Teses" na porta da Igreja do castelo de Wittenberg. Este ato, a princípio, era corriqueiro, ou seja, anunciar uma "disputa" ou "justa teológica" entre os doutos de Wittenberg. Servia para que todos os professores e alunos tomassem consciência do que seria debatido e, se por acaso, não pudessem estar presentes, poderiam enviar material por escrito para ser lido. A Igreja, com o seus espiões, interpretou como rebelião ao status quo do catolicismo. 

Eis as etapas do processo até a ruptura:


  • Em junho de 1518 foi aberto o processo contra Lutero, com base na publicação das suas 95 teses, alegando que ele incorria em heresia. 
  • Em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.
  • Entre 12 e 14 de outubro de 1518, o cardeal Caetano pediu-lhe que revogasse a sua doutrina. Lutero recusou-se a fazê-lo.
  • Em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito Exsurge Domini.
  • Em janeiro de 1521, a bula Decet Romanum Pontificem excomungou Lutero. Seguiu-se, então, a ameaça oficial do Imperador (Reichsacht).
  • Nos dias 17 e 18 de abril de 1521, Lutero foi ouvido na Dieta de Worms (conferência governativa) e, após ter negado a revogação da sua doutrina, foi publicado o Édito de Worms, banindo Lutero. 

Fonte de Consulta

MENESES, Maurício Melo. Cristianismo Reformado - Uma História Contada por Meio da Filatelia. São Paulo: Mackenzie, 2012.

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