11 setembro 2015

Utopia

"Pense bem! A boa realização seguir-se-á ao pensamento." (Alfred Tennyson)

A utopia é todo o projeto de uma sociedade perfeita. Pejorativamente, considera-se esse ideal fantasioso e irrealizável. No sentido positivo, esse ideal contém o germe do progresso e da transformação da sociedade. 

Um "enunciado congelado" é a persistência de um conceito que, na sua origem, estava equivocado. Para entendê-lo, temos que descongelá-lo. Vejamos: termo “utopia” foi cunhado por Thomas Morus (1478-1535) em seu livro Utopia, publicado em 1516. Partiu do latim nusquama (lugar nenhum) para criar o vocábulo grego ainda inexistente; tomou o prefixo de negação ou + topos, lugar, formando utopia. O correto seria usarmos "lugar outro" em vez de "nenhum lugar". (1)

Como a palavra surgiu a partir de 1500, o termo correspondente em Platão seria kallipolis, ou seja, a cidade bela. Platão, em realidade, projetou o “mundo das ideias” na região do hiperouranos, a região supraceleste. Em seu livro República retrata um Estado ideal, levando o povo à felicidade. O mesmo se pode dizer a Utopia de Thomas Morus. 

A utopia tem relação com muitas coisas. Em economia, pode-se comparar pobreza e riqueza e, juntando-se uma com a outra, arquitetar um mundo ideal, onde os indivíduos vivem felizes e satisfeitos. Em mitologia, pode-se comparar mito e utopia. A utopia é uma condição da mente que especula inteligentemente sobre o futuro. O mito, por outro lado, exprime o instinto profundo de uma classe inferiorizada. Nesse sentido, o "mito da greve geral" é defendido pelos socialistas revolucionários e sindicalistas com o intuito de instaurar a revolução social. 

A utopia pode assumir um caráter messianológico. República de Platão, a Política de Aristóteles, a Utopia de Thomas More, a Cidade do Sol de Campanella, os múltiplos tratados sobre a cidade cristã, desde de Cevitate Dei, de Santo Agostinho, à da Instituição Real, de Jerônimo Osório estão imbuídos do afã de atingir uma sociedade perfeita, onde o mal seria banido de nosso planeta.

Projetando a utopia de um mundo novo. A geração nova estará fundamentada nos preceitos evangélicos, inseridos em nossa consciência como uma lei universal. A Lei de Justiça, Amor e Caridade estará sendo praticada na sua maior expressão, porque quando as pessoas se amarem em Cristo Jesus, não haverá mais guerras nem admoestações ao próximo. Não haverá trabalho por fazer, porque cada ser humano irá atender aos anseios da sua consciência bem formada. Não haverá a desigualdade social, mas apenas a desigualdade de mérito. Essa geração nova terá uma outra feição, pois os Espíritos estarão encarnados em corpos mais leves que os atuais. (2)

As utopias podem se tornar realidade. Imaginemos um mundo perfeito, onde todas as pessoas se amam verdadeiramente. Se todos assim pensarem formaremos uma ideia-força que influenciará positivamente todos os habitantes deste mundo. 

Fonte de Consulta

(1) LIMA, Carlos. Genealogia Dialética da Utopia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2008.

(2) KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.


Muitos perceberam ao longo do tempo o teor religioso do socialismo. A ideologia utópica era, no fundo, uma tentativa de substituir as religiões, só que oferecendo de forma mais oportunista o paraíso terrestre, em vez de aquele além-mundo.
Isso ajudou a criar uma seita fanática de seguidores totalmente blindados contra os fatos e a realidade. Se a religião era o “ópio do povo”, como acreditavam os marxistas, então o socialismo seria o “ópio dos intelectuais”, como resumiu Raymond Aron.



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