19 agosto 2014

Fundamento da Moral

O fundamento comporta vários significados, tais como origem, princípio, razão de ser; porém, ele não é princípio, nem causa, nem finalidade. O fundamento assenta-se num princípio, numa causa, mas não é o princípio, a causa. Moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus.


A moral não deve ser fundada em uma religião, em uma filosofia, em uma ciência. Sempre que o fizermos, vamos particularizando a moral, servindo de pretexto para divergências, pois uma religião quer suplantar a outra, uma filosofia quer suplantar a outra, uma ciência quer suplantar a outra. 

A moral deve ser fundamentada no universal. Quando um conceito se universaliza, ele serve para qualquer situação. Para Kant, um comportamento pode ser considerado moral quando é universalizável. Por isso, a crença no imperativo categórico, ou seja, no comportamento que se prende a uma norma que ultrapassa o caso concreto, a utilidade ou o interesse pessoal.

A moral, sendo exclusiva e universal, é a única fundamentada no direito e a única que permite fazer um juízo fundamentado sobre o valor relativo das outras. Pois as morais coletivas – ou individuais – são válidas na medida em que estão de acordo com a moral dos direitos e dos deveres universais do homem.

Em termos históricos, a cultura Greco-cristã é superior a qualquer outra, porque foi no solo Greco-cristão que se reconheceram e afirmaram pela primeira vez a igualdade de direito de todos os homens e os direitos universais do homem.

O grau de abertura de uma coletividade é o resultado da relação entre deveres para conosco e deveres para com eles. A coletividade será tanto mais aberta quanto mais essa relação tornar-se igual a 1. 

Fonte de Consulta

CONCHE, Marcel. O Fundamento da Moral. Tradução de Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2006. (Coleção justiça e direito)

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