No pensamento antigo, a essência define o fundo de uma coisa (sua substância). Para Platão, o fundo
era a "ideia"; para Aristóteles, a "forma". A existência vem de ex-sistência (estar aí, ex, fora das causas), o que se acha na coisa, in
re. Existência é o fato de ser da
essência. A interexistência é a situação da
essência que não se encontra na existência. É o intermúndio em que o ser se
completa na morte.
No essencialismo, a essência sobrepõe à existência. No existencialismo,
a existência precede a essência. Algumas filosofias, como a de Hegel, fazem
total abstração dos existentes concretos. As doutrinas existencialistas, por
sua vez, admitem que objeto próprio da filosofia é a realidade
existencial, ou seja, existência concreta e vivida. A essência não implica
necessariamente a existência. Exemplo: a essência de um unicórnio é que
ele é um cavalo com um único chifre na cabeça. Unicórnios, porém, não existem.
O existencialismo transcende a si mesmo somente quando o ser existente
admite a existência de uma vida além da matéria, em que os Espíritos dos que já
se foram podem se comunicar – pela mediunidade – com os que aqui ficaram. Esta
é a grande contribuição que a Filosofia Espírita fornece para uma melhor
compreensão do problema do ser, do seu destino e da sua estada nesta
encarnação.
A Filosofia Espírita, ao admitir as existências anteriores e posteriores
do ser, ilumina os problemas obscuros do existencialismo. Enquanto para o
existencialismo, a morte é fim de tudo e, com ela, o desespero, para o
espiritismo, a morte é apenas uma passagem para outra vida. Uma existência
terrena é a completude de um ciclo evolutivo. Depois deste, outros virão.
José Herculano Pires diz: "A faticidade misteriosa se explica
pelo fazer anterior do Ser, através do desenvolvimento do
princípio inteligente e sua projeção na existência como ser humano.
Atravessando a existência, como um projétil (o projeto existencial)
o homem completa na morte não o seu próprio Ser, mas o ser do
corpo que chegou aos limites de suas possibilidades, nem a
sua própria essência, mas apenas a essência de
uma existência através da vivência das
experiências necessárias ao seu atualizar progressivo".
(1)
Convém ressaltar que, na Filosofia Espírita, a mediunidade deve ser
tratada de forma moral: o médium deve estar sempre estudando e se
aperfeiçoando.
(1) PIRES, J. H. Introdução à Filosofia Espírita. São Paulo: Paidéia, 1983, página 81.
Um comentário:
Sua postgem me ajudou a compreender filosoficamente o ser e a existencia. Obrigado
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