07 novembro 2012

Cabala

O termo “cabala”, do hebraico Qabbalah, é utilizado para definir a interpretação mística e as tradições esotéricas do judaísmo. No contexto da religião judaica ela se apresenta desde o século XII, como mística (em seu conteúdo) e doutrina oculta (em sua forma). Por extensão, emprega-se este nome a quaisquer maquinações secretas entre pessoas que têm o mesmo objetivo.

Na linguagem talmúdica, Qabbalah significa simplesmente “tradição”, e designa os textos proféticos e hagiográficos da Bíblia sem nenhuma conotação mística ou esotérica. Foi somente a partir do século XII que passou a ter um sentido esotérico. Foi exposta, por alguns rabinos, através de alguns tratados, entre os quais, citamos: O Livro da Criação (Yetsirah) e o Livro do Esplendor (Zohar). Tendo boa aceitação, passou a ser usado retroativamente a todos os movimentos judeus.

Para terem maior autoridade, os cabalistas buscam no Velho Testamento a fonte das suas conjecturas filosófico-teológico-cosmogônicas. Exploram as passagens que mais favorecem as suas lucubrações: narrativa genesíaca da criação, visão de Isaías no templo, como divino de Ezequiel, visões apocalípticas de Daniel etc.

A mística, em suas etapas de transcendência, mostra como o ser humano pode entrar em contato direto com Deus. No judaísmo, isto não seria possível, pois Deus já trouxe a Torá ao seu povo eleito. O que fazem, então? Traçam um paralelo entre gnose e os trechos da Bíblia. Observe como é a sua hermenêutica artificial: 1) A Gematria ou Geometria, baseada no valor numérico das letras, procura o significado de uma palavra ou texto noutra palavra ou texto, cujo valor lhe seja equivalente; 2) Notaricon (de nota, indicação) é a disposição das letras indicando as iniciais doutra palavra; 3) Temura (do heb. mur, mudar, substituir) é o modo de procurar um novo significado, transpondo ou substituindo as letras por outras correspondentes à maneira dos anagramas.

Eis outra forma de explicar a sua mística. Deus é em si inacessível. “A luz divina concentra-se e projeta-se em raios que constituem as substâncias emanadas ou Números (Sephirot) que formam os seres intermediários e o mundo. As primeiras duas substâncias são a Sabedoria (Hochma) e a Inteligência (Lógos) que, com Deus, formam as primeiras três hipóstases bem como o mundo invisível que é o modelo do visível. Os dois mundos estão interligados pelo amor: o mundo inferior tende ao superior e, em resposta, a esse impulso, o mundo superior deseja e ama o inferior.” (1)

 (1) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

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