29 março 2011

Notas sobre o Ocultismo Utilitário

Ocultismo é a ciência que estuda os mistérios da Natureza e o desenvolvimento dos poderes “psíquicos”, poderes estes latentes na alma humana. O Ocultismo apresenta-se como um sistema filosófico-científico absolutamente distinto, com suas teorias, os seus métodos, suas formas de ensino e difusão completamente diferente da ciência contemporânea. Enquanto a ciência contemporânea publica todas as suas teorias experimentais, o ocultismo trata de separar o que deve e o que não deve vir à luz.

Há, no Ocultismo, três espécies: prático, filosófico e esotérico. O Ocultismo prático compreende o magnetismo, o hipnotismo, a sugestão mental, a alquimia, a astrologia, a quiromancia, a fisiognomonia, a grafologia, a magia. O Ocultismo filosófico trata de moral, sociologia, metafísica e teologia. O Ocultismo esotérico trata de penetrar no mais íntimo de todas as ciências, crenças e pesquisas.

Para o Ocultismo, tudo o que existe forma uma imensa Unidade. A maioria dos eventos apresenta-se em forma de trindade. No Universo, há três planos: o mundo divino, o mundo moral e o mundo material. No corpo humano, as três partes são: cabeça, tronco e membros. Fala-se também dos sete princípios. No ser humano, por exemplo, as três partes decompõem-se em sete princípios, quais sejam: cabeça, peito, braço direito, braço esquerdo, ventre, perna direita e perna esquerda.

O Ocultismo dá grande ênfase ao elemento cósmico chamado Força. Na Força, há dois atributos, atração e repulsão; um atrai e o outro repele. Daí, a importância do magnetismo fisiológico que, à semelhança do magnetismo terrestre, pode atuar de forma positiva ou negativa. Por isso, o cuidado que deve ter todo aquele que procura ser um filiado da comunhão do pensamento ocultista. O lema é: “Fazermos aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem”.

Os conselhos práticos podem ser resumidos: ser humilde e modesto; ouvir e pensar mais do que falar; ouvir opiniões alheias, sem as contrariar; dar opinião, sem impor; contribuir sempre para o progresso geral do ambiente em que estiver inserido. Treinar muito a respiração, pois com ela pode-se estabelecer um equilíbrio físico e espiritual. Estar sempre concentrado naquilo que estiver fazendo, sem almejar fama ou posição de destaque.

Embora o Ocultismo seja cunhado de obscurantista, não resta dúvida que tem muitos conselhos práticos para uma conduta exemplar no bem.

LORENZ, Francisco Waldomiro. Lições Práticas de Ocultismo Utilitário. São Paulo: Lorenz, 1991.

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Para Além de Bem e Mal

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900) foi um filólogo e influente filósofo alemão do século XIX. Em sua obra Para Além de Bem e Mal (1886) procura vislumbrar novas referências do valor, depois do anúncio da morte de Deus. Assim, critica impiedosamente os valores vigentes nos vários campos do saber, incluindo religião, moral e política.
Seu objetivo principal é a transvaloração de todos os valores. Nesse caso, denuncia as falácias do dogmatismo nos terrenos da filosofia e da ciência. É um diálogo crítico com a tradição. Para ele, o pior e mais perigoso de todos os erros foi um erro de dogmáticos: a invenção por Platão do espírito puro e do Bem em si.

Acha que a ênfase na invenção platônica do espírito puro e do Bem em si desvalorizou tudo o que é subjetivo. O subjetivo passou, assim, a ser o oposto da verdade, ou seja, o erro, o engano, a ilusão.

Ele escreve: “O problema do valor da verdade se colocou diante de nós – ou fomos nós que nos colocamos diante do problema? Quem de nós é, aqui, Édipo? Quem é a esfinge?”

Mais informações em: GIACOIA JUNIOR, Oswaldo. Nietzsche & Para Além de Bem e Mal. 2.ª ed., Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

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23 março 2011

Concepção de Mundo: Os Gregos e o Cristianismo

Em linhas gerais, o conhecimento filosófico surgiu na Grécia como oposição ao conhecimento mitológico e religioso. Segundo aqueles pensadores, o conhecimento deveria ser construído através da razão, através da inquirição da natureza e não simplesmente pelo relato de uma história fantástica.

A filosofia e a religião são duas formas diferentes de explicar o mundo. A filosofia baseia-se na razão, a religião na fé. O cristianismo é uma religião e, como tal, baseia-se na fé. A filosofia tenta compreender o mundo dentro dos limites da razão. Nesse sentido, o âmbito da fé está no sobrenatural; o a filosofia, no natural. Santo Tomás de Aquino já nos dizia que mesmo de natureza distinta, fé e razão mantêm, desde tempos remotos, uma profunda ligação.

Para os gregos, o mundo é o cosmos, algo ordenado, em que as coisas se repetem, tal como o Sol que aparece todos os dias. Esta ordenação se opõe ao caos, que seria a desordem. Nessa concepção, o tempo é circular, ou seja, supõe-se um eterno retorno do que existe. Nega, assim, a criação do mundo pelo cristianismo, que pressupõe um Deus criador.

A concepção de mundo no cristianismo não é captada simplesmente pela razão. É fruto de uma revelação. Deus revelou o mundo, criou-o a partir do nada (ex-nihilo). É a partir daí que o tempo (linear) começou a ser contado, a existir, concepção esta que permanece nos dias atuais. Para o pensamento grego, porém, do nada, nada sai.

O mundo, segundo o cristianismo, foi criado para servir de morada ao ser humano, que deve fazer a sua caminhada evolutiva, desde a sua criação, à imagem e semelhança de Deus, até o final, que é o advento do reino de Deus. E tudo isso deve ser feito segundo os ensinamentos de seu Filho, Jesus.

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. (Filosofia)

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18 março 2011

O Ócio e o Filosofar

“Para filosofar, a mente deve estar ociosa”.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) anota duas exigências para se filosofar: 1) que se tenha coragem de não guardar no coração nenhuma pergunta sem resposta; 2) que se traga à clara consciência aquilo que se entende por si mesmo para considerá-lo como problema. Por fim, para se filosofar propriamente, a mente deve estar ociosa. Quer dizer, deve procurar desinteressadamente o conhecimento que o mundo intuitivo lhe oferece.

Depreende-se que o verdadeiro filósofo não é aquele que tem uma finalidade, um objetivo, uma vontade, mas aquele que renuncia a si mesmo e, deixando o particular, procura absorver-se no universal. É preciso ver o universal nas coisas particulares. Por isso, a filosofia, o anelo pela verdade nua e crua. Nesse sentido, os professores de filosofia podem dispor de inúmeros conceitos e muitas abstrações e, mesmo assim, não serem verdadeiramente filósofos.

Schopenhauer diz: “Somente se o conhecimento for dirigido ao universal é que pode permanecer isento de vontade; já o objeto do querer, pelo contrário, está nas coisas particulares”. Ainda: “Para o intelecto a serviço da vontade só há coisas particulares; o gênio, ao contrário, desconsidera e negligencia o individual”.

A verdadeira filosofia não pode ficar apenas nos conceitos abstratos, que muitas vezes deturpam o próprio conhecimento. Já não vemos mais árvores, animais e pedras, pois são meros produtos de nossa abstração. O mesmo podemos dizer das palavras verdade e beleza, que se tornaram mágicas a ponto de nos infundir o dualismo maniqueísta, entre o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, o belo e o feio. Seria mais produtivo fundamentá-la na observação e experiência, interior e exterior.

O ócio pode livrar-nos dos vereditos da razão, expressão usada para aquele que toma o conhecimento falso por verdadeiro, pois acreditou numa verdade sem exame. É sobre este fato que devemos direcionar o nosso pensamento. Nesse caso, “rejeitar nove verdades a aceitar uma como erro” é uma frase lapidar que deveríamos pôr em prática em nossas lucubrações filosóficas.

Fonte de Consulta

Schopenhauer, A. Sobre a Filosofia e seu Método. Organização e tradução de Flamarion Caldeira Ramos. São Paulo: Hedra, 2010.

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Os Místicos na Idade Média

O misticismo medieval procura alcançar a união com Deus. É uma corrente de pensamento baseada na purificação ascética em que se abandonam todas as certezas proporcionadas pelo conhecimento conceitual. São Bernardo de Claraval, São Francisco de Assis, Hugo de São Victor, Meister Eckhart e Tomás de Kempis são alguns nomes desse movimento. O objetivo é fornecer subsídios para que o homem passe do profano ao sagrado.

O profano, cuja etimologia é aquilo que está “fora do templo” contrasta com o sagrado, que se pressupõe pertencer ao templo. Desta forma, no profano, Deus é concebido conforme a pura razão; no sagrado, Deus é uma experiência religiosa fundamentada no temor. No profano, Deus é uma noção abstrata; no sagrado, um sentimento misterioso que revela ao ser humano toda a sua fragilidade.

São Bernardo de Claraval (1090-1153) e sua reação, denominada cisterciense, é um marco desse misticismo. Ele prega o retiro monástico, em que o monge deve viver de forma humilde, isolado do mundo, preocupando-se exclusivamente com a salvação de sua alma. Ao contrário do que ocorria na escolástica, em que Deus era motivo da disputatio, ele deveria procurar Deus somente dentro de seu coração. Deveria, também, fazer voto de pobreza e produzir para o seu próprio sustento. A arquitetura do mosteiro era simples, sem figuras, para não atrapalhar a contemplação de Deus.

A mística germânica tem seu representante: Johann Eckhart (1260-1327), mais conhecido como Meister Eckhart. Para Eckhart, Deus é um ser perfeito, o Uno, o elemento de conciliação de todos os opostos. O caminho de ascensão a Deus é um caminho via negativo, ou seja, a alma deve se desligar de imagens e de conceitos. “No nada que então advém irrompe a divindade, e o que era vazio, não-ser, inunda-se de uma luz e de um saber incomparáveis”.

Tomás de Kempis (1379-1471) é incluído no devotio moderna, o movimento ascético como consequência dos ensinamentos do mestre Eckhart, que floresceu nos Países Baixos. Embora distante das controvérsias medievais, a Imitação do Cristo, de Tomás Kempis, ressoando ainda a voz de Bernardo de Claraval, torna-se uma obra de maior difusão de todos os tempos.

O medo, a mística e o mistério estão sempre rondando o ser humano. Aproveitemos as lições desses grandes mestres do passado.

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. (Filosofia)

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16 março 2011

Ativo ou Reativo?

Por que a opinião de outra pessoa é mais importante do que a nossa? Isso acontece porque o nosso comportamento é mais reativo do que ativo. De maneira geral, somos muito sensíveis ao que a outra pessoa pensa de nós. Esta maneira de agir está correta? A outra pessoa tem capacidade de penetrar em nossos sentimentos, em nosso modo de ver o mundo? Pensemos sobre este assunto.

Quando damos mais importância à opinião alheia é porque não estamos usando a nossa autonomia de pensar. Estamos mais preocupados em agradar, em fazer os outros felizes. É correto? E se o outro está nos espezinhando, nos fazendo passar vergonha, será que deveríamos nos portar como vítimas? Lembremo-nos de que o indivíduo inteligente é avaliado pelo modo como escolhe a sua reação em circunstâncias antagônicas, tais como, desavenças e conflitos.

Observe o seguinte: “Ele (marido) deve obedecer porque ela (esposa) ganha mais do que ele”. Será que essa atitude é de fundamental importância no relacionamento entre as pessoas? O dinheiro é que valoriza o relacionamento ou é o respeito mútuo que deve prevalecer? Quando damos muito valor ao dinheiro, acabamos transformando as pessoas em números, em cifras, em que tudo o mais gira em torno dele.

Somos tratados como os outros nos veem. Ao nos mostrarmos bondosos, prestativos e sempre dispostos a ajudar, o outro pode tomar essa postura como fraqueza e começar a ver-nos como escravos, como seus dependentes, e que podem fazer de nós o que bem entenderem. Quando isso ocorrer, é preciso dar um basta: “Arreganhe os olhos e faze cessar a brincadeira”.

George Bernard Shaw dizia: “As pessoas sempre culpam as circunstâncias por aquilo que são. Eu não acredito em circunstância. Quem se sai bem neste mundo são as pessoas que saem à procura das circunstâncias que desejam, e, se não as encontram, criam-nas”. Nesse caso, é a atividade e não a reatividade que deve comandar as nossas ações. Quantas vezes dizemos sim, quando gostaríamos de dizer não?

Somos donos de nosso pensamento. Através da lógica podemos combater o mito do não-controle das emoções. O pensamento, por sua vez, deve sempre melhorar, progredir, para libertar-nos da escravidão. Por isso, devemos combater qualquer tipo de paralisia, em virtude do remorso, da ira, do ciúme. Produzamos o máximo dos minutos que nos são oferecidos em cada dia, e estejamos inteiros naquilo que estivermos fazendo.

Ouçamos a opinião alheia, reparemos em nós o que acharmos de errado, mas não nos tornemos dependentes dela. Sejamos sempre ativos.

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15 março 2011

Ler e Problematizar

Filosoficamente considerado, há dois tipos de conhecimento: 1) histórico (cognitio ex-datis); 2) racional (cognitio ex-principiis). O conhecimento histórico diz respeito à razão alheia. São os dados, aqueles gerados ao longo do tempo, principalmente pelos grandes pensadores da humanidade, tais como, Sócrates, Platão, Aristóteles, Descartes e outros. O conhecimento racional, por sua vez, fundamenta-se nos princípios da razão e não exclusivamente nos dados alheios.  

Há necessidade de consultarmos os grandes pensadores do passado? Por quê? É que os sistemas filosóficos representam a história do uso da razão. Consultando-os, podemos extrair deles uma grande quantidade de conhecimentos, pois não teríamos tempo suficiente para apreendê-los somente por nós mesmos. Descartes, por exemplo, achava que a leitura desses filósofos era uma conversa entre os melhores espíritos de épocas passadas. Nesse sentido, diz-se que os clássicos nunca ficam obsoletos, isto é, são sempre atuais.

Filosofar quer dizer problematizar e, mais especificamente, formular problemas. O problema filosófico não deve ser confundido com um outro problema qualquer, como o matemático, em que se procura construir teoremas. Na filosofia, ele se assemelha ao questionamento que Sócrates fazia em sua época, quando indagava o seu interlocutor através da ironia e da maiêutica. Assim, é preciso interrogar, duvidar, hesitar, examinar, ou seja, pensar.

A leitura dos clássicos, e sua problematização, leva-nos a pensar o que eles pensaram, mas com o intuito de tornar nossos os seus pensamentos, desde que haja consentimento da nossa razão. Não podemos ser como “os macacos e os papagaios”, que simplesmente repetem o que os outros disseram. Precisamos ultrapassar o que foi escrito pelos outros, pois o que importa é a nossa maneira de ser, o nosso modo de pensar. Em síntese: temos que adquirir certa autonomia no pensar.

Filosofar não é tarefa fácil, porque induz-nos a enfrentar os nossos preconceitos e as nossas idiossincrasias. Isso, porém, gera sofrimento. Como largar um hábito inveterado de uma hora para outra? Como destruir um preconceito que nos acompanha desde longa data? De qualquer forma, é sempre útil pensar sobre o pensamento, no sentido de tirarmos conclusões que nos levem a ampliar a interpretação da realidade.

Leiamos, interpretemos e problematizemos e nos aproximemos da verdade. A ilusão pode nos oferecer horas de prazer, mas no longo prazo o que importa é o desenvolvimento integral de nosso ser.

Mais informações em:

RAFFIN, Françoise. Pequena Introdução à Filosofia. Tradução de Constância Morel e Ana Flaksman. Rio de Janeiro: FGV, 2009. (Coleção FGV de bolso. Série Filosofia)

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14 março 2011

Máximas para o Uso do Pensamento

Kant, na Critica da Faculdade do Juízo, propõe-nos três máximas para o uso do pensamento.

1. Pensar por si mesmo. É a máxima do pensamento autônomo (Sapere Aude!). Aqui a razão nunca deve ser passiva. O pensamento não deve se contentar com o “ouvi dizer”. Tem que ir adiante em busca de novas luzes, de novas inspirações. Para isso, a leitura e a pesquisa em enciclopédias são de suma importância.

2. Pensar colocando-se no lugar do outro. É a máxima da substituição do ponto de vista pessoal. Este é, por natureza, estreito, limitado. Há necessidade de ampliá-lo. O outro também tem razão. Ele também pesquisa, pensa, raciocina. Devemos ouvi-lo, mesmo que não aceitemos as suas teses. “É possível que eu esteja errado” é de suma importância nesta hora.

3. Pensar de acordo consigo mesmo. É a máxima de ser consequente. O pensamento deve saber explicar, justificar, fundamentar. Como a palavra explicar quer dizer desdobrar, pensar de acordo consigo mesmo é procurar explicar as coisas com as próprias palavras. Se uma palavra do diálogo é de difícil entendimento, urge procurar outra para que o interlocutor possa entender o que estamos querendo explicar.

Fonte de Consulta

RAFFIN, Françoise. Pequena Introdução à Filosofia. Tradução de Constância Morel e Ana Flaksman. Rio de Janeiro: FGV, 2009. (Coleção FGV de bolso. Série Filosofia)

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04 março 2011

Dez Notas sobre o Contraste entre Aparência e Realidade

1) Figuras ambíguas: cálice ou dois rostos? Pato ou coelho? Velha ou moça?

2) Uma pessoa vai caminhando, vê distante um vulto, e julga ser uma árvore. Chegando perto, percebe que é uma rocha. Pronto, desfez-se a sua ilusão.

3) A mente tem duas facetas: iluminação e ilusão. A iluminação é o estado da mente pura. Suas experiências são autênticas, ou seja, sem ilusão. A ilusão é o estado da mente impura, que está condicionada pelas ilusões.

4) Véus da mente: 1) véu da ignorância; 2) véu do apego dualista em termos de sujeito e objeto; 3) véu das aflições mentais.

5) Tolerância flexível. Vejo, admito, mas mudo-o para a minha conveniência.

6) Descartes advertiu que o preconceito e a precipitação, dois vícios comuns da humanidade, prejudicam o juízo e impedem a descoberta da verdade.

7) Exigência de ser altruísta. É mais aparência do que realidade. De onde vem? É intrínseca ou extrínseca? Por que temos de ser altruísta? Tradição ou apelo instintivo do nosso ser imortal?

8) Ajudar os outros. É uma armadilha inventada. Primeiramente temos que descobrir o que é realmente útil aos outros. Tentemos ser alguém para ele. Para transformar os outros, transforme-se primeiro a si mesmo.

9) Admitir que a outra pessoa é tão amadurecida e sensata quanto parece na superfície. O sorriso de uma pessoa não garante que ela seja feliz. É possível que esteja encobrindo uma dor muito grande.

10) Deem-me fatos; não teorias. Cada um vê o fato à sua maneira. Observe o planeta terra. Para o astrônomo, é um planeta a gravitar em torno do Sol; para o guerreiro, é um campo de luta; para o sociólogo, é o reduto das raças diversas; para os benfeitores do espaço, valiosa arena de serviço espiritual.
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03 março 2011

Falso Eu e Eu Verdadeiro

O eu verdadeiro é aquele que permanece na profundidade do ser. O falso eu é o que aparece na superfície. Quando algo nos incomoda, esse algo atinge o falso eu. O falso eu não passa de atitudes e crenças adquiridas. Por que os outros nos tratam como o fazem? Porque nossa conduta revela esse tipo de tratamento.

As nossas expressões faciais, os nossos gestos e as nossas posturas revelam força ou fraqueza. Temos sempre que mostrar nossa força, porque os outros, de um modo geral, não gostam de pessoas fracas.

Imagine duas pessoas diante de uma tempestade: uma reclama o tempo todo; a outra, aceita-a serenamente. O que reclama (pessoa comum) assemelha-se ao falso eu; o que não reclama (espiritualizado) ao eu verdadeiro. O eu verdadeiro não deixa que a tempestade o atinja.

O homem comum é o falso eu, sempre se sente insultado, traído e maltratado. É este eu que sai ferido na tempestade de comentários sarcásticos e ações cruéis dos outros. Devemos fazer com que a tempestade caia sobre o eu verdadeiro. Ninguém pode ofender-nos se não o deixarmos.
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02 março 2011

Diálogo Filosófico: Troca de Argumentos

“Para os gregos, o debate é o lugar de um ‘falar longo’ e se opõe ao ‘falar breve’ do diálogo e da discussão filosófica”.

O diálogo é uma conversa – em que os interlocutores trocam argumentos – com o objetivo de chegar a um acordo fundamentado. A Filosofia não se prende ao discurso convencional, às longas exposições, em que o orador quer demonstrar todo o seu conhecimento. Ela é basicamente um diálogo entre duas ou mais pessoas, movidas pelo desejo mútuo de descobrir a verdade.

Algumas notas:

1) Deve-se sempre começar o diálogo tentando definir os termos da discussão, para não incorrer em ambiguidades. A ambiguidade desvia-nos do tema apresentado.
2) Respeitar o direito de os outros participantes colocarem o seu ponto de vista. É deselegante monopolizar a palavra.
3) O diálogo ajuda o interlocutor sair de sua particularidade opinativa para alcançar o saber.
4) O diálogo caracteriza-se pela brevidade das réplicas. Difere, pois do debate, em que as pessoas falam mais demoradamente.
5) Deve-se limitar o número de participantes, pois o aumento de pessoas torna o diálogo inviável.
6) Evitar o simulacro do debate, em que cada pessoa fala na sua vez. O diálogo é uma conversa viva em que um concorda (ou discorda) do outro de maneira constante.
7) Fazer “ouvidos moucos” e “entender mal” torna o indivíduo inapto para o diálogo.
Para o filósofo, o diálogo é decisivo, pois ele combate o risco do pensamento solitário, que pode incorrer em erros por falta de uma crítica. Sempre que pudermos, exercitemos o debate em sala de aula. É possível aprendermos mais ouvindo do que somente falando o que julgamos saber.

Fonte de Consulta: RAFFIN, Françoise. Pequena Introdução à Filosofia. Tradução de Constância Morel e Ana Flaksman. Rio de Janeiro: FGV, 2009. (Coleção FGV de bolso. Série Filosofia)

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01 março 2011

Hegel e o Idealismo Absoluto

Na filosofia kantiana, o mundo aparece dividido em sujeito e objeto, formas a priori e a posteriori, razão e experiência. A coisa em si, que é contestada pelos idealistas alemães pós-kantianos, indica que por baixo daqueles dualismos permanece o absoluto, o ser em si das coisas, como algo que o pensamento não pode conhecer. Só conhecemos, diz Kant, a maneira como as coisas aparecem para nós, isto é, os fenômenos.

Para Hegel e outros idealistas, a cisão entre sujeito e objeto está incorreta, pois há uma identidade entre sujeito e objeto; nada existe além do pensamento. O conhecimento não é simplesmente o conhecimento do fenômeno, mas o conhecimento total.

O absoluto – Deus (religião) e substância perfeita que não precisa de nenhuma outra para existir (Descartes) –, para Hegel é tratado como sujeito e, assim, passível de ser conhecido. A filosofia de Hegel funda-se nesta tese: “O absoluto é sujeito”.

Em suas críticas a Kant, Hegel destaca a necessidade de conhecer o absoluto. Ele diz: “A essência oculta do Universo não tem em si força alguma que possa oferecer resistência à ousadia do saber”. Por isso, “tem de se abrir diante dele, colocando-lhe diante de sua visão, para que as desfrute, suas riquezas e profundidade”.

A cisão entre sujeito e objeto, oferecido por Hegel, assemelha-se às Ideias Inatas de Platão. A diferença é que o mundo ideal de Platão era imutável e transcendente, enquanto o de Hegel é imanente e demonstra a sua existência porque sai de si mesmo (identidade indiferenciada) e se desdobra num movimento de ascensão, convertendo-se primeiramente em natureza (objeto), para depois passar ao sujeito (espírito).

O movimento de auto-reflexão da Ideia é analisado por Hegel em seus dois livros: 1) na Fenomenologia do Espírito (1807), estuda a ascensão pelo lado do sujeito; na Ciência da Lógica 1812-1816), pelo lado do objeto. Na Fenomenologia do Espírito, coloca em discussão todos os tipos de conhecimento, desde os obtidos pela imediatidade (consciência sensível) até os da autoconsciência.

Em sua dialética, procura passar do conhecimento do “eu”, individual, para o conhecimento do “nós”, coletivo. Esse nós é o sujeito do saber Absoluto.

Fonte de Consulta: TEMÁTICA BARSA (Filosofia). Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005.

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