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25 março 2022

Educação Física e Educação Intelectual na Atenas Antiga

Jacqueline de Romilly, no capítulo 2 — “Um ensinamento novo”, do livro Os grandes sofistas da Atenas de Péricles, trata da educação das crianças e dos jovens na tradição grega comparada com a dos sofistas.

Na Atenas antiga, havia o paidotríbes, “o que treina as crianças”. O papel do paidotríbes evidencia a importância que se dava à educação física. As crianças também aprendiam a cantar e a dançar em coro. Platão, por sua vez, fundava a sua cidade ideal na música e na ginástica, afirmando que isso vem desde tempos imemoriais. Havia, também, o gramatista, ou mestre encarregado de ensinar a ler e a escrever. A memorização era muito enfatizada, principalmente na exposição de cor de textos dos grandes poetas.

Tudo estava transcorrendo naturalmente. Contudo, surgiram os sofistas, ou mestres itinerantes, para ocasionar um caos no sistema educativo grego. Oferecem uma nova formação, mas mediante pagamento, que era vultoso. E o que ensinavam? Ensinavam a falar, a raciocinar, a argumentar, a debater no intuito de vencer pela palavra os oponentes.   

Há, assim, um choque entre os adeptos do desporto e os adeptos do intelecto. Sócrates também seguia as técnicas dos sofistas. Era, porém, considerado filósofo, e não cobrava por seus ensinamentos. Esta é a tese principal defendida por Platão para combater os sofistas que cobravam por suas aulas.

Esse menosprezo pelos sofistas, reiterado várias vezes por Platão, acabou predominando ao longo do tempo, e hoje a maioria das pessoas veem-nos em termos pejorativos. Observe que semelhante situação está presente em nossa sociedade, quando as grandes mídias e a classe política e jurídica querem escorraçar aqueles que dizem a verdade a seu respeito. As Fake News são verdades que eles querem esconder. Daí, a atualidade da frase: “o que domina o mundo é o medo da verdade”.

Voltemos ao contraste entre desporto e intelectualidade. O impasse pode ser resolvido admitindo a necessidade de atuarmos nos dois campos, nos sentido de termos um equilíbrio psíquico, físico e emocional.  

23 março 2011

Concepção de Mundo: Os Gregos e o Cristianismo

Em linhas gerais, o conhecimento filosófico surgiu na Grécia como oposição ao conhecimento mitológico e religioso. Segundo aqueles pensadores, o conhecimento deveria ser construído através da razão, através da inquirição da natureza e não simplesmente pelo relato de uma história fantástica.

A filosofia e a religião são duas formas diferentes de explicar o mundo. A filosofia baseia-se na razão, a religião na fé. O cristianismo é uma religião e, como tal, baseia-se na fé. A filosofia tenta compreender o mundo dentro dos limites da razão. Nesse sentido, o âmbito da fé está no sobrenatural; o a filosofia, no natural. Santo Tomás de Aquino já nos dizia que mesmo de natureza distinta, fé e razão mantêm, desde tempos remotos, uma profunda ligação.

Para os gregos, o mundo é o cosmos, algo ordenado, em que as coisas se repetem, tal como o Sol que aparece todos os dias. Esta ordenação se opõe ao caos, que seria a desordem. Nessa concepção, o tempo é circular, ou seja, supõe-se um eterno retorno do que existe. Nega, assim, a criação do mundo pelo cristianismo, que pressupõe um Deus criador.

A concepção de mundo no cristianismo não é captada simplesmente pela razão. É fruto de uma revelação. Deus revelou o mundo, criou-o a partir do nada (ex-nihilo). É a partir daí que o tempo (linear) começou a ser contado, a existir, concepção esta que permanece nos dias atuais. Para o pensamento grego, porém, do nada, nada sai.

O mundo, segundo o cristianismo, foi criado para servir de morada ao ser humano, que deve fazer a sua caminhada evolutiva, desde a sua criação, à imagem e semelhança de Deus, até o final, que é o advento do reino de Deus. E tudo isso deve ser feito segundo os ensinamentos de seu Filho, Jesus.

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. (Filosofia)