Zenão, o Profeta (334a.C.-262a.C.), natural de Cítio, Chipre.
No fim
século IV a.C., o comerciante fenício Zenão sofrera um naufrágio, com o
carregamento de pigmento raro, de grande valor comercial. Zenão perdeu tudo.
Mais tarde, afirmou: “Tive uma viagem próspera quando o naufrágio ocorreu.”
Pois foi o naufrágio que levou Zenão a Atenas, a caminho da criação do que se
tornaria a filosofia estoica.
Há muitas
outras versões para o início da filosofia estoica, mas a tragédia inesperada
tem mais credibilidade, pois a destruição financeira poderia ter levado Zenão
ao alcoolismo ou à miséria. Mas, em vez disso, o problema se tornou útil — foi
um chamado ao qual ele decidiu atender, que o instigou a uma nova vida e a um
novo jeito de ser. Essa capacidade de adaptação era um atributo oportuno à
sobrevivência naquela época.
Durante uma pausa em suas atividades, buscou ouvir a leitura de um compilado de trabalhos sobre Sócrates, o filósofo que
havia sido executado em Atenas um século antes e cujos ensinamentos o pai de
Zenão lhe apresentara durante a infância.
Há semelhança com Sócrates. Zenão também consultara o oráculo para saber como aproveitar
melhor a vida. O oráculo respondeu: “Para aproveitar melhor a vida, você deve
conversar com os mortos.”
Nas histórias contadas, a que mais impressionou Zenão foi “Hércules na encruzilhada”, a história de um herói diante de
escolhas: virtude ou vício. Escolhendo a virtude, haverá trabalho e grandes esforços; em se tratando do vício, a preguiça.
Após ouvir os relatos acerca de Sócrates, pergunta: “Onde posso encontrar
um homem como ele?” Resposta: em Crates, um célebre filósofo
ateniense. Não
queria apenas ouvir, ele queria mais. Exigia mais respostas, exigia que lhe
ensinassem mais, e foi a partir desse impulso que o estoicismo seria formado.
Como diz o
antigo ditado zen: quando o discípulo está preparado, o mestre aparece. Crates
era exatamente o que Zenão precisava.
Primeira
lição de Crates: curar Zenão de seu complexo em relação à própria aparência.
Para Zenão,
o propósito da filosofia, da virtude, era encontrar “o curso suave da vida”,
alcançar o estágio em que tudo que fazemos esteja em “harmonia com o espírito
individual e a vontade daquele que governa o Universo”. Em um esforço para
alcançar essa harmonia, Zenão viveu uma vida simples. Partidário de uma vida
simples, Zenão se mantinha retraído, dando preferência ao círculo de amigos
próximos, e não a aglomerações sociais.
A jornada de Zenão rumo à sabedoria foi demorada, cerca de cinquenta anos
desde o naufrágio até sua morte. Não foi definida apenas por uma única epifania
ou descoberta, mas por muito trabalho.
Fonte de Consulta
HOLIDAY, Ryan e HANSELMAN, Stephen. A Vida dos Estoicos: A Arte de Viver, de Zenão a Marco Aurélio. Tradução de Alexandre Raposo e Luiz Felipe Fonseca. Intrínseca, 2021.