30 dezembro 2009

Problemas Filosóficos

Problema filosófico é a proposição de uma questão para a defesa de uma tese. Ubaldo Nicola, no livro Antologia Ilustrada da Filosofia, descortina-nos 200 problemas e as suas respectivas teses. Eis algumas questões levantadas.

Qual é a tarefa da filosofia? A verdade pode ser ensinada?

No que consiste o trabalho do filósofo? Qual é o processo de investigação mais adequado pra alcançar a verdade?

Que relação existe entre teologia e filosofia?

Como se deve pensar em Deus?

O que se pode afirmar da divindade?

Como conciliar a eternidade de Deus com a finitude temporal do mundo?

Se Deus é eterno não é lógico que o mundo também o seja? Senão, o que fazia Deus antes de criar o Mundo? É imaginável um Deus inativo?

O que se pode afirmar de Deus?

A existência de Deus pode ser provada por meio de um raciocínio lógico?

Pode-se distinguir o verdadeiro conhecimento da opinião? Em que condições se pode alcançar a verdade?

Existe uma verdade não opinável? No que consiste o conhecimento humano?

Qual é a estrutura do Universo?

Qual a origem do mundo? Existe um princípio primordial (arché) do qual tudo deriva?

Qual é a lei que governa o mundo? Em que consiste o pensamento?

O que é a alma? É imortal? O que confere vida ao animal, separando dele no momento da morte?

Para que vale a pena viver? A morte do corpo implica o fim definitivo do indivíduo? Existe vida depois da morte?

O que é o amor?

O amor é positivo mesmo quando se manifesta como paixão, enamoramento, desejo sexual?

Por que existe uma atração sexual entre pessoas do mesmo sexo?

Por que os homens desejam conhecer?

Em que consiste a inteligência?

Quais são os pressupostos de toda pesquisa científica?

Em que consiste a virtude? Existe uma regra geral do comportamento?

Como se deve viver?

Qual o melhor modo para ordenar a própria vida? Em que consiste a felicidade? É bom termos muitos desejos?

Qual deve ser o critério condutor do comportamento humano?

É possível viver sem sofrer? O que torna o homem sempre inquieto e insatisfeito?

Se Deus é bom, quem criou o mal?

Onde nasce a tendência dos homens a praticar o mal? Por que se praticam ações maldosas em propósito e sem utilidade?

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Maria Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

 

19 dezembro 2009

Contos e Enigmas Filosóficos

Em Filosofia, costumamos usar frases enigmáticas, contos, poesias e perguntas capciosas, para exercitar o pensamento. Quando o ser humano está absorto nessas questões, ele parece que se transporta para um outro mundo, o mundo da imaginação. Há personagens impossíveis em movimento, povoamento de outros planetas, as águas deslocam-se para as fontes, os animais opinam, os deuses se tornam seres carnais.

Jean-Claude Carrière, depois de dez anos de pesquisa, edita, em 2008, o livro Contos Filosóficos do Mundo Inteiro. Relata-nos que houve muita dificuldade em organizar os tópicos esparsos. Há, porém, uma falha: não colocou os títulos em ordem alfabética, o que facilitaria a sua busca. De qualquer modo, é um livro que deve ser lido, pois consegue nos elevar acima de nós mesmos e das nossas pretensas dificuldades.

Escolhamos um título: o cômodo escuro. Como está disposto este assunto? Três atitudes humanas podem ser definidas a partir de um cômodo escuro. Num cômodo escuro, um homem procura por alguma coisa. É um cientista. Num quarto escuro, um homem procura por uma coisa que lá não se encontra. É um filósofo. No mesmo quarto escuro, um religioso procura por alguma coisa que lá não se encontra e exclama: — Eu encontrei!

Os casos relatados são muitos; estão distribuídos nas suas 300 páginas. A tônica desses contos, dessas perguntas, dessas questões, desses enigmas é despertar o pensamento, geralmente por meio da controvérsia. O ideal não é querer memorizar todos esses textos, mas escolher aqueles que se coadunam com o nosso modo de pensar, com os nossos gostos e os nossos sentimentos. 

Continuando, podemos anotar a seguinte poesia:

Do repouso dos humanos implacável inimigo

Tornei mil amantes invejosos da minha sorte

Eu me alimento de sangue e encontro a vida

Nos braços daquele que procura minha morte. (A pulga)

Há inúmeras formas de enfrentarmos o tédio e não deixarmos que o desespero tome conta de nós. Quando o trabalho nos causar estresse, deixemo-lo momentaneamente e usufruamos dessas ilações do pensamento. Somos levados para um mundo diferente, um mundo onde a imaginação pode tudo como sói acontecer em filmes e novelas.

Fonte: CARRIÈRE, Jean-Claude. Contos Filosóficos do Mundo Inteiro. Tradução de Cordelia Magalhães. São Paulo: Ediouro, 2008.

 

09 dezembro 2009

Metafísica e Número

“Desde a mais alta antiguidade o mundo foi considerado uma construção matemática, cuja harmonia não podia ser, naturalmente, senão de essência divina”.

Metafísica é a ciência primeira, o esforço que o ser humano faz para chegar à essência do Universo, de Deus e de tudo o que existe no mundo. Poderia ser um sinônimo de Filosofia, caso não houvesse a sua ligação indevida com o “sobrenatural”. Neste artigo vamos analisar a sua relação com os números.

O número exerce um poder sem limite. É ele que nos posiciona na vida. Estamos sempre no meio deles, fazendo contas, pagando dívidas, comprando mantimento. Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe, assim se expressa: “As pessoas crescidas adoram os números. Quando você lhes fala de um novo amigo, elas nunca perguntam o essencial: ‘Qual é o som de sua voz? Quais são os seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?’ Elas sempre perguntam: ‘Qual é a sua idade? Quantos irmãos têm? Quanto ela pesa? Quanto ganha seu pai?’”

Algumas citações. De acordo com a Bíblia, Deus ordenou todas as coisas “segundo o número, o peso e a medida”. Leibniz: “Enquanto Deus calcula e exerce seu pensamento, o mundo se faz...” e, em sua convicção, ele acrescenta: “O ateu pode ser geômetra, mas não sabe o que é geometria”. Descartes disse: “Eu não incluo, em minha física, outros princípios que não aqueles que aceito em matemática”. Hegel: “Nada há de real além do racional e nada há de racional além do real”.

Para Pitágoras, todas as coisas eram números e qualquer número era uma divindade. Deus era representado pelo número 1, a Matéria pelo número 2 e o Universo pelo número 12, resultante da multiplicação de 3 por 4. Havia, assim, uma unidade divina, absoluta e primordial, na qual ele vê a mônada das mônadas, ou seja, a imortalidade da alma, a pluralidade das existências e a organização harmoniosa do universo, em que os números têm um poder ilimitado.

Os números são símbolos. O que está por detrás deles é a busca da origem das coisas. Observe a Cabala — decifração dos textos sagrados pelo simbolismo dos números e das letras. Ela é, antes de tudo, a explicação de uma cosmogonia (formação do Universo), baseada nos números, considerados potências conscientes e ativas.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/metaf%C3%ADsica