06 junho 2022

Zenão de Cítio

Zenão, o Profeta (334a.C.-262a.C.), natural de Cítio, Chipre.

No fim século IV a.C., o comerciante fenício Zenão sofrera um naufrágio, com o carregamento de pigmento raro, de grande valor comercial. Zenão perdeu tudo. Mais tarde, afirmou: “Tive uma viagem próspera quando o naufrágio ocorreu.” Pois foi o naufrágio que levou Zenão a Atenas, a caminho da criação do que se tornaria a filosofia estoica.

Há muitas outras versões para o início da filosofia estoica, mas a tragédia inesperada tem mais credibilidade, pois a destruição financeira poderia ter levado Zenão ao alcoolismo ou à miséria. Mas, em vez disso, o problema se tornou útil — foi um chamado ao qual ele decidiu atender, que o instigou a uma nova vida e a um novo jeito de ser. Essa capacidade de adaptação era um atributo oportuno à sobrevivência naquela época.

Durante uma pausa em suas atividades, buscou ouvir a leitura de um compilado de trabalhos sobre Sócrates, o filósofo que havia sido executado em Atenas um século antes e cujos ensinamentos o pai de Zenão lhe apresentara durante a infância. 

Há semelhança com Sócrates. Zenão também consultara o oráculo para saber como aproveitar melhor a vida. O oráculo respondeu: “Para aproveitar melhor a vida, você deve conversar com os mortos.”

Nas histórias contadas, a que mais impressionou Zenão foi “Hércules na encruzilhada”, a história de um herói diante de escolhas: virtude ou vício. Escolhendo a virtude, haverá trabalho e grandes esforços; em se tratando do vício, a preguiça. 

Após ouvir os relatos acerca de Sócrates, pergunta: “Onde posso encontrar um homem como ele?” Resposta: em Crates, um célebre filósofo ateniense. Não queria apenas ouvir, ele queria mais. Exigia mais respostas, exigia que lhe ensinassem mais, e foi a partir desse impulso que o estoicismo seria formado.

Como diz o antigo ditado zen: quando o discípulo está preparado, o mestre aparece. Crates era exatamente o que Zenão precisava.

Primeira lição de Crates: curar Zenão de seu complexo em relação à própria aparência.

Para Zenão, o propósito da filosofia, da virtude, era encontrar “o curso suave da vida”, alcançar o estágio em que tudo que fazemos esteja em “harmonia com o espírito individual e a vontade daquele que governa o Universo”. Em um esforço para alcançar essa harmonia, Zenão viveu uma vida simples. Partidário de uma vida simples, Zenão se mantinha retraído, dando preferência ao círculo de amigos próximos, e não a aglomerações sociais.

A jornada de Zenão rumo à sabedoria foi demorada, cerca de cinquenta anos desde o naufrágio até sua morte. Não foi definida apenas por uma única epifania ou descoberta, mas por muito trabalho. 

Fonte de Consulta

HOLIDAY, Ryan e HANSELMAN, Stephen. A Vida dos Estoicos: A Arte de Viver, de Zenão a Marco Aurélio. Tradução de Alexandre Raposo e Luiz Felipe Fonseca. Intrínseca, 2021. 



01 junho 2022

Estoicismo

Estoicismo é uma corrente filosófica que apregoava a vida contemplativa acima das ocupações, das preocupações e das emoções da vida comum. Em essência, se o indivíduo viver em harmonia com a razão, ou seja, com a natureza, irá encontrar a paz da alma (ataraxia) afastando dele tudo o que poderia perturbá-lo, essencialmente as paixões consideradas como movimentos antinaturais, doenças da alma.

A epistemologia estoica baseava-se na phantasia kataleptikê ou percepção apreensiva. Para que possa ser verídica, uma percepção tem de obedecer a certas condições (clareza, assentimento comum, probabilidade e sistema), que foram atacadas de diversas maneiras pelos seus oponentes, os céticos.

A origem do estoicismo remonta à Grécia antiga, sendo a corrente filosófica predominante entre 300 a.C. e 200 d.C. Sobreviveu até os nossos dias. O nome deriva da Stoa paikile (pórtico ornado com as pinturas de Polignoto) de Atenas, local em que Zenão de Citium (325-264 a.C.), seu fundador, começou a ensinar.

O estoicismo do último período foi romano e Epiteto, Sêneca e o imperador Marco Aurélio foram alguns de seus membros mais ilustres. Como defensores de um sistema filosófico, travaram batalhas contínuas, em especial contra os filósofos céticos da Academia.

Os temas saídos do estoicismo inspiraram, além de grandes escritores Montaigne, Corneille, A. de Vigny, Maeterlinck , filósofos entre os quais Descartes, Kant. A anuência desses grandes pensadores prende-se ao fato de o estoicismo ser eminentemente prático. Tem grande utilidade para os afazeres da vida.

No estoicismo, há também os prós e os contras. A indiferença, por exemplo, é útil em diversas situações, mas pode levar o indivíduo à pura insensibilidade.

O estoicismo nos ajuda em muitas coisas, inclusive a sofrer resignadamente o barulho do vizinho, pois nosso primeiro ímpeto é reclamar, gritar, esbravejar. Os estoicos, no entanto, dizem que estamos errados, pois isso altera a ordem natural das coisas.