30 dezembro 2011

Projeto de Vida e Jogo

A vida, antes de ser uma ocupação é uma preocupação. A preocupação é o projeto de nossa vida. Ter um projeto é realçar uma meta, olhar para o futuro, que deve estar sempre aberto, correndo os riscos necessários à sua concretização. Se o projeto já está pronto, não há o que fazer.

Um projeto de vida implica consciência na ação. É a disposição de ter certas vontades e não outras. Uma meta certa que vamos atingir não nos mobiliza; o impossível, também não. Por isso, o risco. Ninguém pode ter projeto pelos outros. O pai não pode ter projeto pelo filho. Podemos ter projetos junto com os outros. Um grupo não pode ter projeto para outro grupo.

O projeto de vida, que depende de nosso sistema de valores, aproxima-se do jogo. No jogo, tencionamos ganhar do adversário. Para isso, planejamos a melhor maneira de vencer honestamente, ou seja, seguindo as suas regras.  

Há, porém, distinções entre projeto e jogo.
  • Tal como o projeto, o jogo tem uma meta.
  • A meta nos projetos diz respeito à realidade; no jogo, os objetivos são sempre simbólicos.
  • O projeto é factual; o jogo, ficcional.  
  • O centro de gravidade do projeto é o futuro; no jogo, ele está no presente.
  • No projeto, as regras são meios; no jogo, elas são o fim. 

Fonte de Consulta: Vídeo de aula do professor Nilson José machado, da Universidade São Judas. 
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21 dezembro 2011

Método: Anotações de Dicionários

1) Método. Derivado do grego méthodos, formado pelo prefixo metá, "além de", "através de", "para", e o radical odós, "caminho". Poder-se-ia, então, traduzir a palavra por "caminho para" ou, então, "prosseguimento", "pesquisa". O método é um processo intelectual de abordagem de qualquer problema mediante a análise prévia e sistemática de todas a as vias possíveis de acesso à solução. Opõe-se, pois, a um modo de trabalhar confiado exclusivamente na improvisação ou na inspiração repentina. O método é apenas uma disciplina mental, e não pode, por si, suprir o talento nem muito menos a genialidade. Entretanto, um talento, mesmo modesto, trabalhando metodicamente, pode conseguir resultados maiores e mais duradouros, do que um grande gênio habituado à boêmia intelectual. (1)

2) Método experimental. A montagem planejada de um dispositivo para empreender observações ou mensurações sobre particulares de tipos definidos, distribuídos de maneira mais ou menos igual entre dois grupos: o grupo experimental, onde o estímulo está presente, e o de controle, onde ele não está. (2)

3) Método científico. A sequência: levantamento de um corpo de conhecimento ==> escolha do problema neste corpo de conhecimento ==> formulação ou reformulação do problema ==> aplicação ou invenção de uma abordagem para tratar do problema ==> solução tentativa (hipótese, teoria, projeto experimental, instrumento de medida etc.) ==> aferir a solução tentativa ==> avaliar a solução tentativa à luz do teste e do conhecimento básico ==> revisão ou repetição de quaisquer dos passos prévios ==> estimativa do impacto sobre o conhecimento básico ==> avaliação final (até nova informação). (2)

4) Método Socrático. Maneira de ensinar questionando e analisando mais do que transmitindo informações. O ensino efetivo combina ambos os métodos. O método socrático pode ser adequado para esvaziar por punção o know-how de artesões. Imagine o que um Sócrates poderia aprender acerca dos pormenores dos processos industriais se ele trabalhasse como engenheiro ou administrador de nível médio numa fábrica moderna. (2)

5) Método Maiêutico. Do grego maieutikos, o que age como parteira. O método maiêutico consiste extrair ideias por meio de perguntas; a imagem é a de que as ideias já existem na mente “grávida” do sujeito, mas precisam de um “parto” para se tornarem manifestas. (3)

6) Método Hipotético-Dedutivo. Método associado sobretudo à filosofia da ciência e enfatiza os méritos da falsificação. Na sua forma mais simples, propõe-se uma hipótese e deduzem-se dela certas consequências, que depois são testadas pelo confronto com a experiência. Se a hipótese for falsificada, aprendemos com a tentativa e ficamos em condições de produzir uma hipótese melhor... (3)

7) Métodos de Mill (ou Cânones). Os cinco princípios indutivos que, segundo J. S. Mill, regulam a investigação científica, designadamente: (I) o método da concordância. Se duas manifestações de um fenômeno partilharem apenas uma característica, esta é sua causa ou seu efeito; (II) o método da diferença. Se uma manifestação em que um fenômeno ocorre é uma manifestação em que não ocorre diferem apenas numa outra característica, esta é a causa do fenômeno, ou é o seu efeito; (III) o método conjugado da concordância e da diferença, que combina os dois anteriores; (IV) o método dos resíduos. Se subtrairmos de um fenômeno aquilo que já se sabe ser o efeito de alguns acontecimentos antecedentes, então o que resta é o resultado dos antecedentes restantes; (V) o método da variação concomitante. Os fenômenos que variam juntos estão conectados por uma relação causal. Embora os métodos cientificamente façam sentido, dependem de uma análise anterior dos fatores relevantes, e não são aplicáveis de imediato a casos onde a causalidade funciona de forma mais “holista”, em virtude de um conjunto de fatores interligados. (3)

8) Metódica (ou Hiperbólica), Dúvida. Do grego hyperbolé, exagero, excesso. Qualificação dada por Descartes à dúvida radical, também chamada de metafísica e “fingida”, geral e universal, pela qual, uma vez em sua vida, de modo teórico e provisório, o homem precisa desfazer-se de todas as suas opiniões anteriores a fim de ter condições de “estabelecer algo de firme e de certo nas ciências”. Descartes a chama de “hiperbólica” porque trata como absolutamente falso tudo aquilo que é duvidoso e porque rejeita universalmente, como sempre enganador, aquilo pelo qual ele foi algumas vezes enganado. Os graus dessa dúvida vão do conhecimento sensível às matemáticas, ao sonho e, enfim, à ação do gênio maligno. (1)

Este é o método usado por Descartes nas duas primeiras Meditações, para investigar o alcance do conhecimento e o seu fundamento na razão ou na experiência. O método procura colocar o conhecimento sobre um fundamento seguro e, para esse efeito, somos convidados a suspender os nossos juízos sobre qualquer proposição cuja verdade possa ser questionada, ainda que unicamente como uma possibilidade remota. Os critérios para o que pode ser aceito tornaram-se aos poucos mais instintivos, à medida que somos convidados a duvidar do que nos é dado pela memória, pelos sentidos e até pela razão, porque tudo isso pode nos enganar. Esse processo acaba sendo dramatizado pela figura do gênio maligno, ou malin génie, cujo objetivo é nos enganar, de tal modo que nossos sentidos, lembranças e raciocínios nos conduzem sempre ao erro. O propósito, então, é encontrar um ponto de certeza que esteja a salvo do gênio maligno, o que Descartes formulou no famoso “Cogito ergo sum”: “Penso, logo existo.” É a partir dessa estreita base que o uso correto das nossas faculdades deve ser restabelecido, mas parece que, desse modo, Descartes não fica com qualquer material com que possa reconstruir o edifício do conhecimento. Descartes tem uma base, mas não tem como construir seja o que for sobre ela sem invocar princípios que não estejam a salvo do gênio maligno, e que por isso não satisfazem os critérios que, aparentemente, impôs a si mesmo. É possível afirmar que Descartes usa as “ideias claras e distintas” para demonstrar a existência de Deus, cuja benevolência justifica depois o nosso uso das ideias claras e distintas (“Deus não é enganador”): Este é o célebre círculo cartesiano. A atitude do próprio Descartes perante esse problema não é muito clara: por vezes, parece estar mais interessado em construir um corpo estável de conhecimento que as nossas faculdades naturais apoiarão, e não um corpo de conhecimento que obedeça aos critérios mais severos com que começou. No segundo conjunto da Respostas, por exemplo, Descartes rejeita a possibilidade da “falsidade absoluta” do nosso sistema natural de crenças, defendendo o nosso direito de reter “qualquer convicção tão firme que seja incapaz de ser destruída”. A necessidade de adicionar uma crença natural como esta a seja o que for que a razão assevere acabou se tornando o fundamento da filosofia de Hume, e está na base de muitas das reações à dúvida metódica do século XX. (2)

(1) ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.
(2) BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)
(3) BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
(4) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Observação: cópia dos dicionários acima.
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