16 julho 2009

Filosofia e Fraseologia

A filosofia nada mais é do que o pensamento que foi cuidadosamente considerado. Quando o ser humano não escolhe uma filosofia de reflexão, ele necessariamente se desliza para a filosofia de irreflexão, uma filosofia superficial, baseada exclusivamente em uma enxurrada de frases feitas, mais conhecida como fraseologia. A verdadeira filosofia deve se fundamentar na lei de causa e efeito, na argumentação lógica e racional dos fatos.

Suponha que alguém seja indagado a respeito do sobrenatural, e ele faça a seguinte observação: "Meu caro amigo, este é o século XX". Este indivíduo está, por esta frase, querendo dizer que no passado acreditava-se no milagre e no sobrenatural, mas hoje, não. Há, nesta colocação, um erro lógico, ou seja, o milagre e o sobrenatural não deixaram de existir simplesmente porque a Humanidade está no século XX. Se o milagre existia no século XII, deverá existir ainda hoje.

Como transformar uma resposta superficial numa resposta baseada na lei de causa e efeito, numa resposta científica. No século XII, acreditávamos no sobrenatural; no século XX, depois dos avanços da ciência, muitos fatos que eram tidos como sobrenaturais, não os são mais, porque as descobertas científicas os enquadraram nos cânones da lei natural. Há, entretanto, outros que a ciência ainda não conhece, os quais podem ainda pertencer ao sobrenatural. Mais dia menos dia, estes também poderão passar para o campo da lei natural.

Este é o exercício do pensamento lógico, do pensamento ponderado. Onde encontrar, porém, o pensamento fraseológico? Ele aparece nos slogans, no discurso midiático, na pronunciação de frases feitas. Daí, dizermos com Chesterton (1), que o homem prático será progressista, dedicar-se-á a feitos, não a palavras, dedicar-se-á aos negócios, à política, mas não será capaz de conhecer a própria filosofia, porque estará inteiramente envolto com as coisas práticas da vida e não as que são essenciais ao seu desenvolvimento mental e espiritual.

(1) Gilbert Keith Chesterton viveu o final do século XIX e a primeira metade do século XX, na Inglaterra anglicana. Escreveu 80 livros, centenas de poemas, umas 200 novelas, 4.000 ensaios e diversas peças teatrais. Chesterton não foi teólogo, apesar de ter nos deixado a biografia de São Francisco de Assis e de Santo Tomás de Aquino, com comentários teológicos que demonstram um profundo conhecimento das grandes questões da doutrina sagrada. Também não foi exegeta, nem economista e nem filósofo, mas em cada uma dessas áreas brindou-nos com excelentes ideias e comentários.

Extraído da Revista Conhecimento Prático Filosofia, n.º 18.


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06 julho 2009

Temas de Dissertação


Em que sentido pode-se falar de autor em filosofia?
Com que direito um filósofo pode dizer “eu”?
A filosofia pode prescindir da polêmica?
A reflexão filosófica é uma forma de monólogo ou de diálogo? (p.37)

É verdade que a filosofia procede por conceitos?
É verdade que o que se concebe claramente se enuncia claramente? (p. 71)

Qual a relação do ser com o dizer? (p.97)

Podemos pensar sem recorrer a imagens?
A oposição entre conceito e metáfora é filosoficamente justificada? (p.138)

Em que sentido pode-se dizer que um filósofo tem razão?
Convencer e demonstrar é a mesma coisa?
O que provam as provas em filosofia?
É possível não ser cético em filosofia? (p.200)

O que é um problema filosófico?
Pensar e exprimir o que é pensado é a mesma coisa? (p.241)

Extraído de
COSSUTTA, Frédéric. Elementos para a Leitura de Textos Filosóficos. Tradução de Ângela de Noronha Begnami ... [et al.]. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001. (Coleção Leitura Crítica)
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