09 agosto 2022

Encheirídion

O Encheirídion é um termo grego que significa “punhal”, arma portátil ou livro portátil, manual. Consiste num conjunto de apotegmas  [ditado breve e sentencioso, que inclui um conteúdo moral que pretende dar uma lição], anotações de Arriano a partir das aulas de Epicteto que, à semelhança de Sócrates e de Jesus, nada deixou escrito.

Epicteto (55-135) é considerado, ao lado de Sêneca (4-65), Musônio Rufo (25-95) e Marco Aurélio (121-180), um dos grandes nomes do estoicismo imperial romano. Filho de uma serva, foi adquirido por Epafrodito, secretário imperial de Nero e Dominiciano. Em Roma, frequentou a escola de Musônio Rufo. Entre 89 e 94, já exercia o ofício de filósofo. Após ser expulso de Roma, retirou-se para Nicópolis, abriu uma escola de filosofia, e logo ficou famoso.

No Manual de Epicteto, de Flávio Arriano, com tradução do original grego, introdução e notas de Aldo Dinucci, há 53 instruções e 72 notas. Nessas notas, observa-se o cuidado em detalhar os termos gregos e sua correta tradução para o português, pois dependendo do contexto os termos podem apresentar outro significado. Eis alguns exemplos: enkatreia — o império sobre si mesmo; karteria — perseverança; anexikakia — paciência; apaheia — ausência de sofrimento na alma.

O aspecto relevante deste manual encontra-se na análise daquilo que está ou não está sob o nosso controle. Entre as coisas que não estão sob o nosso controle podemos citar os acontecimentos que não dependem de nós [tempo, vizinho, barulho externo...] como também as opiniões alheias. Estão sob nosso controle o autoconhecimento, a crítica às apropria opiniões, a conquista de uma noção de piedade, fruição racional dos prazeres.

O Manual tem uma disposição prática: não se dedica aos altos voos da filosofia, mas na mudança comportamental dos seres humanos ante as várias situações que lhe são apresentadas, tanto as de caráter negativo quanto as de caráter positivo. Cabe a cada um de nós saber usufruir adequadamente cada uma dessas ocorrências, entendendo-se que, no final das contas, tudo depende de como vemos o mundo.   

Lembremo-nos sempre da passagem socrática — conhece-te a ti mesmo —, pois aí está tudo de que precisamos para uma vida bem vivida.

ARRIANO, Flávio. O Manual de Epicteto. Tradução do original grego, introdução e notas de Aldo Dinucci. Campinas - SP: Cedet, 2020.

26 julho 2022

Aríston

Aríston, o desafiador (306 a. C.- 240 a. C.), natural de Assos, Quios,

Considerado um controverso discípulo rebelde, que por pouco não mudou por completo o rumo da filosofia estoica.

Cleantes era o aluno preferido de Zenão e, em 262 a.C., o sucessor escolhido por ele. Aríston era um filósofo igualmente promissor, e muito menos passivo e discreto. Foi apelidado de “sereia” pelo poder de encantar audiências, ao mesmo tempo que as desencaminhava.

Desafiador era uma alcunha mais apropriada, pois ele estava sempre questionando e minando muitos pontos da doutrina do estoicismo antigo, incluindo as suas regras práticas para o cotidiano.

Em que discordava? Do papel dos preceitos, ou regras práticas, que determinavam o que deveríamos ou não fazer, por exemplo, sobre casamento, criação dos filhos, insultos etc. Tais regras eram úteis, mas não passavam de muletas que impeliam as pessoas a seguir um roteiro para as dificuldades da vida.

Aríston queria que seus alunos se preocupassem com um único ponto, queria lhes oferecer uma estrela-guia: a virtude. A virtude era o único bem que não gerava confusão de espécie alguma. Tudo o mais não valia a preocupação. Pregava a total indiferença a tudo que estivesse entre a virtude e vício, sem quaisquer exceções.  

A escola de Aríston aboliu os tópicos de física e lógica. O primeiro estava além da nossa capacidade e o segundo não valia a pena. Apenas a ética importava, apenas a virtude.

Resumindo: esqueça os preceitos. Não fique refletindo sobre regras. Apenas faça. Na vida, o que importa são os momentos que nos aproximamos da virtude.

HOLIDAY, Ryan e HANSELMAN, Stephen. A Vida dos Estoicos: A Arte de Viver, de Zenão a Marco Aurélio. Tradução de Alexandre Raposo e Luiz Felipe Fonseca. Intrínseca, 2021. 

21 julho 2022

Ética Estoica

Na ética estoica, há a ausência das paixões, pois estas eram simplesmente o intelecto em um estado doentio, devido às perversões da falsidade. O intelecto, livre de perturbações, era o monarca legítimo, “o princípio do condutor” no reino do ser humano. Essa era a parte da alma que recebia as "fantasias", onde eram gerados os impulsos.   

O impulso era o princípio na alma que impulsionava para a ação. Em estado de ausência de perversão, era dirigido exclusivamente a coisas em harmonia com a natureza. A forma contrária chamava-se repulsão. Para os estoicos, “paixão” era definida como “um impulso excessivo”. Embora condenassem toda paixão, admitiam certas eupatias, ou paixões felizes, experimentadas pelos sábios.

Raciocínio para se chegar a Deus: ser feliz era ser virtuoso; ser virtuoso era ser racional; ser racional era acatar a natureza; e acatar a natureza era obedecer a Deus.

Paradoxos estoicosDizer que “a virtude é o supremo bem” é uma proposição feita por todo aquele que aspira a uma vida espiritual, mesmo que o faça de boca para fora. Alterando-se para “a virtude é o único bem”, transforma-se num paradoxo. Entende-se por "paradoxo" aquilo que contraria a opinião geral.

Outros paradoxos estoicos: “Todo insensato é louco”; “Somente o sábio é livre, e todo insensato é um escravo”; “Somente o sábio é rico”; “Pessoas boas são sempre felizes e pessoas más, sempre infelizes”. “Todos os bens são iguais”; “Nenhuma pessoa é mais sábia ou mais feliz do que a outra”.

A lei era definida como “a correta razão comandando o que era para ser feito e proibindo o que não era para ser feito”. Por isso, ela era sempre justa. 

Destaque: o sábio jamais perdoava porque nunca tinha algo para perdoar. Não podia ser atingido por nenhum dano enquanto sua vontade estivesse fixada na retidão, isto é, enquanto fosse um sábio: o pecador pecava contra sua própria alma.

Notas extraídas de: STOCK, George. O Estoicismo. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2022. (capítulo IV "Ética") 

17 julho 2022

Cérebro, Mente e Computador

A relação mente-corpo é estudada desde a Antiguidade. Coube, porém a Descartes a primazia de levantar o problema com mais ênfase. Em seu dualismo, afirma que a mente (res cogitans) e o corpo (res extensa) são formados de substâncias distintas, mas que ainda não tinha descoberto como uma é ligada a outra. Aventou a hipótese de a glândula pineal ser o intermediário. Contudo, mais tarde, dissera que o importante é saber que são distintos e isto basta.

O materialismo, oferecendo-nos uma série de dificuldades conceituais, contrapõe-se e abandona o dualismo cartesiano. Alguns pensadores materialistas, inspirando-se na lei de Leibniz, advogam a identidade entre cérebro e mente, ou seja, cérebro e mente não são distintos como afirmara Descartes, eles fazem parte da mesma substância. Como dão valor à matéria e não ao espírito, dificultam o entendimento da mente e da sua relação com o corpo, inclusive, chegando alguns a afirmar que a mente não existe porque a Psicologia não a definiu.

O surgimento do computador, e sua evolução através do tempo, trouxe como consequência mudanças radicais em todos os níveis de conhecimento. Física, Química, Biologia etc. A Filosofia da Mente, uma área aparentemente díspar da teoria computacional, também sofreu influência, principalmente através dos modelos computacionais em que se procura relacionar o software (programa de computação) com o hardware (a máquina), comparando-os com o relacionamento entre mente e cérebro.

A teoria computacional retoma as posições radicais entre o materialismo e o dualismo, procurando achar o meio termo entre ambas. H. Putnan, em “Minds and Machines”, artigo escrito em 1975, procura estabelecer uma correlação entre estados mentais (pensamentos) e software de um lado e entre os estados cerebrais e o hadware ou os diferentes estados físicos pelos quais passa a máquina ao obedecer as instruções. Esta teoria não esteve isenta de críticas. A principal delas é que a máquina é geral e não permite a individuação própria de cada mente humana.

Numa versão moderna, temos o funcionamento neuro-computacional ou conexionismo iniciado com os trabalhos de Von Neumann. Pretende-se, com esse sistema computacional, resolver a questão da individuação deixada no modelo de Putnan. De Acordo com esta teoria, estabelece-se uma relação específica entre o software e o hardware. Não há independência entre o software e o hardware e as características do design deste tipo de máquina permitem que, no limite, possamos conceber que cada estado mental (ou de software) corresponda a um estado cerebral (ou de hardware).

A teoria computacional deu novo dinamismo à pesquisa da mente, contudo o problema da ligação mente-cérebro ainda está por resolver. Falta-lhes a noção de PERISPÍRITO, elo entre a matéria e o espírito.

Fonte de Consulta

TEIXEIRA, J. de F. Filosofia da Mente e Inteligência Artificial. Campinas, UNICAMP, Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, 1996. (Coleção CLE; v. 17)

05 julho 2022

Jean-Jacques Rousseau e "Emílio" (1762)

“Toda maldade vem da fraqueza. A criança só é má porque é fraca. Tornai-a forte, e ela será boa.” (Jean-Jacques Rousseau)

Rousseau quer educar as crianças partindo de sua naturalidade, sem ter sido impregnada dos vícios educacionais dos adultos. Ele queria educar o homem para que este se tornasse homem.

Emílio é uma mistura de tratado, romance e estudo de caso. Emílio é o nome do personagem principal, o aluno Emílio, objeto da experiência em educação. Emílio modificou fundamentalmente nossa opinião sobre os homens e se tornou a teoria da educação mais influente na história da filosofia. Mostra o que o homem pode se tornar quando é mantido distante das influências nocivas da sociedade.

Detalhes extraídos do livro:

Emílio é um garoto de origem aristocrática, portanto pode crescer livre de pressões sociais e materiais.

O educador está ao lado de Emílio e à disposição dele durante todo o dia. Os dois levam a mesma vida.

O educador não deve ser autoritário, e sim parteiro da natureza. Lema: learning by doing.

O homem deve aprender o que necessita e não aquilo que a convenção determina.

O primeiro entendimento do mundo passa pela “razão sensitiva”; por isso, o auxílio dos pés, das mãos e dos olhos.

Foi dos primeiros filósofos a dar ao papel das brincadeiras uma grande importância pedagógica.

Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, cumpre o papel que Rousseau esperava da literatura: que fosse didática e útil.  

O clássico lema do iluminismo, “Ousa fazer uso do teu próprio intelecto”, formulado por Immanuel Kant, foi diretamente extraído dos fundamentos pedagógicos de Emílio.

Rousseau pode ser considerado o pai da pedagogia moderna, fundada por Pestalozzi no fim do século XVIII. Sua filosofia influenciou também Rudolf Steiner, fundador da antroposofia, e John Dewey, principal teórico da educação do pragmatismo norte-americano.

Por trás das barreiras sociais, Rousseau descobre o homem natural e dá-lhe todas as condições de progredir segundo a sua necessidade.

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

03 julho 2022

Montesquieu e "Do espírito das leis" (1748)

Montesquieu (1689-1755), cujo nome verdadeiro é Charles-Louis de Secondat, um dos mais famosos cartógrafos da história da filosofia, foi um típico homme des letres de seu tempo. Sua educação aconteceu, primeiramente, sob o teto da Igreja católica. Depois de concluir a escola, iniciou a sua formação jurídica. Em 1713, contraiu matrimonio de conveniência com uma calvinista abastada e assumiu o vinhedo paterno. A sua fama maior refere-se à sua teoria da tripartição dos poderes.

Ainda: foi um filósofo político francês de formação iluminista e importante crítico da monarquia absolutista, bem como do clero católico.

Montesquieu foi um colecionador de fatos. Registrou-os no âmbito histórico e geográfico, que favoreceu a formação de diferentes constituições e instituições políticas. Para ele, existência é anterior às exigências da razão. 

Com Do espírito das leis, Montesquieu desenhou um mapa das culturas políticas, abrindo os olhos para o fato de que o sistema absolutista, preparado sob medida para o poder central do rei e que dominava sua terra natal, a França, não era a única nem a melhor alternativa de organização de um sistema político.

Do espírito das leis se dedica, grosso modo, a três diferentes temas: as diversas formas de governo e as relações que nelas se concretizam entre o cidadão e o Estado; os “fatores ambientais” sociais e naturais que influenciam a formação de uma constituição; e, finalmente, a questão sobre os modelos constitucionais existentes na história e quais lições podem ser tiradas a partir deles para o presente.

Montesquieu distingue três tipos de governo, tripartição que remonta à filosofia política da Antiguidade. Aristóteles (384-322) nomeia-as: a monarquia, em que o poder se concentra em uma pessoa; a aristocracia, em que o poder se concentra num grupo de pessoas; a democracia, em que o povo exerce o poder através de representantes eleitos. Cada uma dessas formas pode se degenerar: a monarquia, em tirania, a aristocracia, em timocracia e a democracia, em demagogia.

Em Montesquieu, essas três formas aparecem um pouco modificadas, orientadas que foram pelas condições políticas de seu tempo. O ponto de referência já não é a antiga pólis, e sim o mundo de Estados do século XVIII.

O “esprit general” é o conceito criado por Montesquieu para a cultura política, madura e inconfundível, de um país. É muito mais abrangente do que a “volonté générale”, a “vontade geral” de Rousseau, que representa somente a soberania e a unidade política de um país.

A divisão proposta por Montesquieu entre governo (Executivo), Parlamento (Legislativo) e tribunais (Judiciário), ultrapassou tanto a separação de poderes entre rei e parlamento, sugerida por John Locke, quanto a realidade constitucional praticada na Inglaterra. Tratava-se de uma teoria revolucionária, que apontava para o futuro.

Montesquieu tornou-se um dos grandes mentores políticos do estado de direito moderno, em que o projeto de separação de poderes sempre teve um significado mais amplo: a teoria do “check and balance”, do equilíbrio e controle recíproco de interesses e instituições, se tornou a base de negócios das democracias ocidentais.

Fonte de Consulta

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

 


23 junho 2022

Nicolau de Cusa e "Da Douta Ignorância"

Nicolau de Cusa, em Da Douta Ignorância, defende que Deus está sempre além da razão humana. O conhecimento de Deus é um saber do não saber. No primeiro capítulo do seu livro diz: “O homem será tanto mais sábio quanto mais ignorante se souber”. Este livro procura mostrar a relação entre Deus, o mundo e o homem em base completamente nova.

Nicolau de Cusa (1401-1464), cujo nome verdadeiro era Nicolau Krebs, graças ao patrimônio do pai, ao completar 15 anos, pode ser enviado à recém-criada Universidade de Heidelberg, que se lecionava com o espírito da escolástica, e a doutrina cristã era interpretada com base na filosofia aristotélica. Posteriormente, transferiu-se para a Universidade de Pádua, onde pode receber excepcionais ensinamentos do Cardeal Giuliano Cesarini. Foi ordenado padre aos 22 anos. Doutorou-se em direito canônico.

Antes que sua obra viesse a público, refletiu sobre os grandes ensinamentos dos filósofos da Antiguidade grega, tais como, Platão, pela sua Teoria das Ideias, Aristóteles, pela sua lógica e metafísica, Pitágoras, pela sua matemática. De Plotino, extrai o princípio da realidade do “Uno”. Em se tratando de Deus, diz: “Deus é a unidade no sentido de uma ‘coincidência’, uma junção ou simultaneidade de opostos em um nível mais elevado. O conhecimento dessa unidade, porém, está ligado à renúncia ao ‘conhecimento’ em seu sentido habitual: é um saber do não saber”.

Da Douta Ignorância é composto de três volumes: o primeiro trata de Deus como unidade “em que opostos coincidem” [metafísica]; o segundo volume trata do universo [cosmologia]; e o terceiro, ao papel de Jesus Cristo como a ligação entre Deus, o mundo e o homem [teologia]. Usa as noções de “máximo”, “absoluto”, “infinito” etc., para explicar a sua teoria sobre Deus, o universo e Jesus Cristo.

As ideias de Nicolau de Cusa influenciaram outros pensadores.  A tese da infinitude do mundo e da impossibilidade de pensar em Deus foi incorporada à obra de Giordano Bruno. As contradições da razão estão na “doutrina das antinomias”, posta por Kant na Crítica da razão pura. A “interação entre unidade e diversidade” está presente na obra de Hegel.

Percebemos que Cusa estava à frente de seu tempo. Todas as suas teses envolvem o aspecto lógico, matemático, místico e intuitivo. Além disso, incentiva-nos a buscar a humildade perante às forças ocultas da natureza.

Fonte de Consulta

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

 

 

22 junho 2022

Tomás de Aquino e a Escolástica Medieval

Nosso ponto de partida: Aristóteles acredita na existência de um deus (“motor imóvel”), mas este não criou o mundo a partir do nada nem possui um filho, que seria também Deus, e redimiria a humanidade. Tomás de Aquino vê Aristóteles, que o denominou de “o filósofo”, como o filósofo que expressou de forma racional o cristianismo antes que esse se apresentasse de forma completa na revelação do Novo Testamento.

Tomás de Aquino (1225-1274), aos 5 anos de idade, foi internado no mosteiro dos beneditinos em Monte Casino, onde ficou até 1239, e, nesse mesmo ano, fora enviado a Nápoles para estudar com a finalidade se tornar abade naquele mosteiro. Em 1244, ingressou, contrariando os desejos da família, na jovem Ordem Mendicante, dedicada a atividades de ensino e formação, um contrapeso à crescente secularização da Igreja, tornando-se sua pátria espiritual.

Mesmo a família tentando dissuadi-lo de levar uma vida como frade mendicante, inclusive deixando-o preso em casa por um ano, ele retornou a seus irmãos de Ordem, e pode, assim ter contato com um dos professores de filosofia mais importante da época, o alemão Alberto de Lauingen, também conhecido como “Albertus Magnus”. Tornou-se o aluno-mestre de Alberto, recebendo o apelido de “boi mudo”, por ser muito reservado. Posteriormente, passou a ser chamado “Doctor angelicus”, doutor angélico entre os eruditos.

Depois de se separar de seu professor, e voltar para Paris, teve oportunidade de lecionar de maneira autônoma. Um de seus primeiros e mais conhecidos escritos, O ente e a essência, tem o objetivo de familiarizar seus colegas de estudos com a doutrina de Aristóteles. Tomás permaneceu até o fim da vida como professor a serviço de sua Ordem, que lhe dava sempre novas tarefas.

Em 1259, foi enviado de volta à Itália. Em 1264, concluiu sua primeira grande obra: a Suma contra os gentios. O título de suma significava que ali havia o resumo sistemático de um plano de curso. A Suma contra os gentios deveria fornecer argumentos aos monges dominicanos para que pudessem defender sua posição teológica contra os dissidentes.

Em 1266, começa a esboçar a sua segunda grande obra: a Suma teológica, que seria tripartida, e pretendia delinear uma nova metafisica e uma nova ética sobre a base cristã. A primeira parte, cujo centro está Deus, foi concluída na Itália. Entre 1268 e 1272, quando voltou a lecionar em Paris, surgiu a segunda parte, dedicada ao homem. Entre 1272 e sua morte, em 1274, Tomás regressou à sua casa, no sul da Itália, onde iniciou a terceira parte, não concluída, que trata do filho de Deus encarnado.

Na Suma Teológica está esboçada uma ordem mundial que engloba Deus e o homem e é acessível em sua estrutura racional e no curso regular da razão humana. Nesta obra, razão e fé não são opostas, pois são conduzidas na mesma direção. Assim, a “luz natural da razão” determina os limites da atuação na filosofia. A teologia, que tem por base a fé, pode se apoiar na “luz de uma ciência superior”.

“Durante a Idade Média, a Suma teológica foi o ápice da escolástica. Ela forneceu a visão de mundo para a Divina comédia, de Dante, e o modelo para a renovação da escolástica pelo espanhol Francisco Suarez, no século XVI. Mas mesmo no século XX os ‘neotomistas’, como Jacques Maritain e Josef Pieper, tentaram desenvolver uma filosofia de inspiração religiosa, seguindo Tomás de Aquino. Ser finito e ser eterno, principal obra da filósofa Edith Stein, morta em Auschwitz, é um dos resultados mais importantes desses esforços da Idade Moderna".

A Suma teológica não serve apenas para dar às convicções religiosas uma aparência filosófica. "Ela pertence ao grupo das grandes obras, com as quais a razão começa a se apossar de princípios religiosos para, finalmente, deles se emancipar no iluminismo do século XVII".

Fonte de Consulta

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

 

20 junho 2022

Boécio e "A Consolação da Filosofia"

Boécio nasceu, em 480, juntamente com o declínio do Império Romano do Ocidente. Cresceu na fé cristã, que era a religião oficial do Império Romano desde 391. A sua obra famosa, A consolação da filosofia (c. 524), foi escrita no momento em que estava na prisão e sabia que a morte era iminente.

De acordo com os historiadores da filosofia, o ano 529 marca o fim da filosofia antiga e o início da medieval. A consolação da filosofia é vista como o canto dos cisnes da antiga sabedoria, pois marca o testamento filosófico para a posteridade.

Boécio teve oportunidade de conhecer, por meio de seus estudos, as quatro escolas filosóficas mais influentes da Antiguidade, que tiveram origem em Atenas: a Academia de Platão, a escola peripatética, fundada por Aristóteles, os estoicos e a escola epicurista. Assim, pode combinar o Deus cristão com as concepções neoplatônicas. Tinha em mente que sua missão era engajar-se em prol da coletividade.

A consolação da filosofia é o resultado de suas reflexões sobre a tradição da filosofia antiga. Para toda a Antiguidade, e também para Boécio, o bem e o verdadeiro estavam intimamente ligados. Não existia a separação entre as questões da filosofia teórica e as da filosofia prática.

Baseando-se na “alegoria da caverna”, de Platão, Boécio pensa que o homem deveria “erguer seus olhos acostumados à escuridão para a luz da verdade manifesta”. Para explicar a felicidade, recorre à ética de Aristóteles. A essa  busca da felicidade, Boécio dá o nome de “Deus”.

"Com base no “motor imóvel” presente na Metafísica de Aristóteles, na ideia do bem da filosofia platônica e no “Uno” de Plotino, para Boécio, Deus não é pessoal, mas um princípio universal que o mundo cria, na medida em que, como arquétipo e objetivo de toda realidade, mantém o universo inteiro em movimento e lhe concede uma espécie de “energia da realidade”".

"Os problemas lançados por Boécio, como a compatibilidade entre a legítima predestinação e a liberdade da vontade humana, influenciaram a discussão ainda por um longo tempo. Essas questões foram tomadas, sobretudo, por pensadores como o cardeal Nicolau de Cusa, na Baixa Idade Média, ou o iluminista Immanuel Kant, que tratavam de demonstrar os limites e as contradições do conhecimento humano".

"Todavia, A consolação da filosofia deve seu efeito até os dias de hoje especialmente à convicção de que é a vida, e não a escrivaninha, a emergência da filosofia".

Fonte de Consulta

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

 

 

16 junho 2022

Meditações, de Marco Aurélio

Talvez o ideal do rei-filósofo, de Platão, tenha se realizado em Marco Aurélio.

As Meditações (entre 172 e 180), de Marco Aurélio, são um conjunto de parágrafos curtos e sentenças concisas, extraído de sua experiência de vida. Não era um ornamento, mas uma necessidade vital. Tendo por base os ensinamentos dos filósofos estoicos, este livro procura estimular-nos a termos uma vida de autocontrole, de cumprimento do dever e de serenidade, em oposição às adversidades incontroláveis do mundo.

O primeiro contato de Marco Aurélio com a filosofia foi por meio do liberto Diogneto. Outro liberto que, também o influenciou substancialmente, foi Epiteto com o seu Pequeno Manual da Moral e Discurso. Em virtude da filosofia, gostava de ambicionar um “catre com peles” e “o que for semelhante e estiver ligado ao estilo de vida grego”.

Por questões familiares, sabia que um dia se tornaria imperador. Nos 23 anos anteriores dessa ocorrência, teve tempo suficiente para leituras e aperfeiçoamento. A sua “conversão” à filosofia deu-se, talvez, em 146, quando ele tinha 25 anos. Sob a orientação de seus tutores, o grego Apolônio da Calcedônia e os senadores romanos Júnio Rústico e Cláudio Máximo, Marco Aurélio conheceu a filosofia dos estoicos.

Os estoicos propagavam o ideal da essência, da felicidade e da virtude, que se realizava num estado de “paz interior”, chamado por eles de “apatheia”. "Apatheia" significa “ausência de afetos”. Convém acrescentarmos o lema de Sócrates, “virtude é conhecimento”, um tipo de programa ético de pesquisa.

As Meditações nasceram nas noites das expedições militares. Nessa época, colocou em prática o estilo de vida “grego”: morou em barracas, dormiu em catres, superou sofrimentos físicos e a exaustão.

Seguindo a tradição estoica, os apontamentos das Meditações giram em torno de três grandes temas: a postura do homem em relação ao cosmo, perante os outros homens e, finalmente, para consigo.

Marco Aurélio é um dos primeiros “cosmopolitas” de que se tem notícia: o cosmo é visto por ele como uma grande polis, uma comunidade onde todos os homens, com base na igualdade, são ligados uns aos outros.

Lema de Marco Aurélio: não posso modificar as coisas nem os acontecimentos, mas posso alterar a luz sob a qual os contemplo. A felicidade está, para Marco Aurélio, apenas nessa atitude, e não na aquisição de bens externos.

As Meditações não tiveram muita aceitação no meio acadêmico. Por outro lado, estadistas e políticos, que identificavam parcial ou totalmente com o papel de um filósofo no trono, deram grande atenção. Frederico II, da Prússia, era um fervoroso leitor das Meditações, assim como o antigo chanceler alemão, Helmut Schmidt.

Fonte de Consulta

ZIMMER, Robert. O Portal da filosofia: Uma Breve Leitura de Obras Fundamentais da Filosofia Volume 2. Tradução Rita de Cassia Machado e Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

 

 

06 junho 2022

Zenão de Cítio

Zenão, o Profeta (334a.C.-262a.C.), natural de Cítio, Chipre.

No fim século IV a.C., o comerciante fenício Zenão sofrera um naufrágio, com o carregamento de pigmento raro, de grande valor comercial. Zenão perdeu tudo. Mais tarde, afirmou: “Tive uma viagem próspera quando o naufrágio ocorreu.” Pois foi o naufrágio que levou Zenão a Atenas, a caminho da criação do que se tornaria a filosofia estoica.

Há muitas outras versões para o início da filosofia estoica, mas a tragédia inesperada tem mais credibilidade, pois a destruição financeira poderia ter levado Zenão ao alcoolismo ou à miséria. Mas, em vez disso, o problema se tornou útil — foi um chamado ao qual ele decidiu atender, que o instigou a uma nova vida e a um novo jeito de ser. Essa capacidade de adaptação era um atributo oportuno à sobrevivência naquela época.

Durante uma pausa em suas atividades, buscou ouvir a leitura de um compilado de trabalhos sobre Sócrates, o filósofo que havia sido executado em Atenas um século antes e cujos ensinamentos o pai de Zenão lhe apresentara durante a infância. 

Há semelhança com Sócrates. Zenão também consultara o oráculo para saber como aproveitar melhor a vida. O oráculo respondeu: “Para aproveitar melhor a vida, você deve conversar com os mortos.”

Nas histórias contadas, a que mais impressionou Zenão foi “Hércules na encruzilhada”, a história de um herói diante de escolhas: virtude ou vício. Escolhendo a virtude, haverá trabalho e grandes esforços; em se tratando do vício, a preguiça. 

Após ouvir os relatos acerca de Sócrates, pergunta: “Onde posso encontrar um homem como ele?” Resposta: em Crates, um célebre filósofo ateniense. Não queria apenas ouvir, ele queria mais. Exigia mais respostas, exigia que lhe ensinassem mais, e foi a partir desse impulso que o estoicismo seria formado.

Como diz o antigo ditado zen: quando o discípulo está preparado, o mestre aparece. Crates era exatamente o que Zenão precisava.

Primeira lição de Crates: curar Zenão de seu complexo em relação à própria aparência.

Para Zenão, o propósito da filosofia, da virtude, era encontrar “o curso suave da vida”, alcançar o estágio em que tudo que fazemos esteja em “harmonia com o espírito individual e a vontade daquele que governa o Universo”. Em um esforço para alcançar essa harmonia, Zenão viveu uma vida simples. Partidário de uma vida simples, Zenão se mantinha retraído, dando preferência ao círculo de amigos próximos, e não a aglomerações sociais.

A jornada de Zenão rumo à sabedoria foi demorada, cerca de cinquenta anos desde o naufrágio até sua morte. Não foi definida apenas por uma única epifania ou descoberta, mas por muito trabalho. 

Fonte de Consulta

HOLIDAY, Ryan e HANSELMAN, Stephen. A Vida dos Estoicos: A Arte de Viver, de Zenão a Marco Aurélio. Tradução de Alexandre Raposo e Luiz Felipe Fonseca. Intrínseca, 2021. 



05 junho 2022

Filosofia e o Estoico, A

Para os estoicos, a razão precípua para estudarmos filosofia é nos tornarmos uma pessoa melhor. Tudo o mais não deixa de ser uma “crítica de palavras com palavras”, como afirmou Nietzsche.

Sêneca, um filósofo estoico da era romana, afirmou que não havia outro propósito em ler e estudar a não ser o de levar uma vida feliz. A filosofia, porém, no mundo contemporâneo, está muito distante disso, pois os filósofos usam palavras difíceis, paradoxos, enigmas deixando-nos totalmente perplexos.

Contrariando os chamados "filósofos de tinta e papel", a sabedoria dos estoicos consistia na preocupação com a forma de viver, ou seja, com as escolhas feitas, as causas que seguiam, os princípios aos quais aderiram ao enfrentar adversidades. Eles se importavam com o que era FEITO, não com o que era DITO.

A vida dos estoicos fundamentavam-se em quatro virtudes, chamadas, também, de virtudes cardeais: coragem, temperança, justiça e sabedoria.

Os trabalhos escritos dos estoicos podem ser escassos, mas os seus exemplos de vida são abundantes.

Todo estoico nasceu para morrer. Cícero certa vez disse que filosofar é aprender a morrer, ou seja, partir em paz.

Na Antiguidade, o mundo pertencia aos homens; por isso, a vida dos estoicos trazem a relação de homens e não de mulheres.

A palavra “estoico” significa resignação impassível diante do sofrimento.

Os estoicos não aceitavam sem questionar as injustiças do mundo. Formaram a mais veemente “resistência” à tirania de Júlio César, Nero e outros comandantes do mundo antigo, chegando até mesmo a influenciar reformas democráticas de cunho popular.

Os estoicos buscavam as luzes para iluminar o caminho da vida. Eles queriam saber, tanto quanto nós, como encontrar tranquilidade, propósito, autocontrole e felicidade.

Objetivo final: transformar palavras em obras. Transformar as lições de vida de homens e mulheres que vieram antes de nós, suas trajetórias e morte, seus sucessos e fracassos, em ações no mundo real.

Fonte de Consulta

HOLIDAY, Ryan e HANSELMAN, Stephen. A Vida dos Estoicos: A Arte de Viver, de Zenão a Marco Aurélio. Tradução de Alexandre Raposo e Luiz Felipe Fonseca. Intrínseca, 2021. 

 

01 junho 2022

Estoicismo

Estoicismo é uma corrente filosófica que apregoava a vida contemplativa acima das ocupações, das preocupações e das emoções da vida comum. Em essência, se o indivíduo viver em harmonia com a razão, ou seja, com a natureza, irá encontrar a paz da alma (ataraxia) afastando dele tudo o que poderia perturbá-lo, essencialmente as paixões consideradas como movimentos antinaturais, doenças da alma.

A epistemologia estoica baseava-se na phantasia kataleptikê ou percepção apreensiva. Para que possa ser verídica, uma percepção tem de obedecer a certas condições (clareza, assentimento comum, probabilidade e sistema), que foram atacadas de diversas maneiras pelos seus oponentes, os céticos.

A origem do estoicismo remonta à Grécia antiga, sendo a corrente filosófica predominante entre 300 a.C. e 200 d.C. Sobreviveu até os nossos dias. O nome deriva da Stoa paikile (pórtico ornado com as pinturas de Polignoto) de Atenas, local em que Zenão de Citium (325-264 a.C.), seu fundador, começou a ensinar.

O estoicismo do último período foi romano e Epiteto, Sêneca e o imperador Marco Aurélio foram alguns de seus membros mais ilustres. Como defensores de um sistema filosófico, travaram batalhas contínuas, em especial contra os filósofos céticos da Academia.

Os temas saídos do estoicismo inspiraram, além de grandes escritores Montaigne, Corneille, A. de Vigny, Maeterlinck , filósofos entre os quais Descartes, Kant. A anuência desses grandes pensadores prende-se ao fato de o estoicismo ser eminentemente prático. Tem grande utilidade para os afazeres da vida.

No estoicismo, há também os prós e os contras. A indiferença, por exemplo, é útil em diversas situações, mas pode levar o indivíduo à pura insensibilidade.

O estoicismo nos ajuda em muitas coisas, inclusive a sofrer resignadamente o barulho do vizinho, pois nosso primeiro ímpeto é reclamar, gritar, esbravejar. Os estoicos, no entanto, dizem que estamos errados, pois isso altera a ordem natural das coisas.



19 maio 2022

Algumas Citações do livro "Diário Estoico"

“Planejando tudo até o fim, você não será pego de surpresa e saberá quando parar. Guie gentilmente a sorte e ajude a determinar o futuro pensando com antecedência.” (Robert Greene, autor de As 48 leis do poder)

O vício se dá quando “perdemos a liberdade de nos abster”. (Um dependente)

“O homem é empurrado por impulsos, mas puxado por valores.” (Viktor Frankl em A vontade de sentido)

“O ódio é um fardo pesado demais para suportar” (Martin Luther King Jr.)

“Quanto sofrimento nos custaram os males que nunca aconteceram!” (Thomas Jefferson)

“Alguma vez você se perguntou o que Deus pensa do dinheiro? Basta olhar para as pessoas a quem ele o dá.” (A escritora Anne Lamott graceja em seu livro Palavra por palavra)

“É privilégio dos deuses não querer nada e de homens divinos querer pouco.” (Como Diógenes, o famoso cínico)

 “Você é a média das cinco pessoas com quem passou mais tempo.” (A frase mais citada do empresário e palestrante Jim Rohn)

“Se eu sei como passas teu tempo, então sei o que pode vir a ser de ti.” (Goethe)

“Ninguém comete erros de bom grado.” (Sócrates)

“Aonde quer que você vá, lá está você.” (Professor de meditação zen Jon Kabat-Zinn)

“Se você quiser dormir bem à noite antes do jogo”, disse ele numa palestra sobre planejamento de jogos, “tenha suas 25 primeiras jogadas definidas na mente na noite anterior. Você vai entrar no estádio e começar a partida sem esse fator de estresse”. (técnico vencedor do Super Bowl Bill Walsh)

“Todo homem que encontro é meu mestre de alguma forma, e eu aprendo com ele.” (Emerson)

“Se você não aceita dinheiro, eles não podem lhe dizer o que fazer, garoto.” (Cunningham)

“Somos o que fazemos repetidamente, portanto, excelência não é um ato, mas um hábito”. (Aristóteles)

“Como você faz qualquer coisa é como você faz tudo.” (Velho ditado)

Sobre a sorte: no século XVI o provérbio “A diligência é a mãe da boa sorte”. Nos anos 1920, Coleman Cox deu-lhe uma feição moderna dizendo: “Acredito firmemente na sorte. Quanto mais me empenho no meu trabalho, mais pareço tê-la.” (Este dito foi incorretamente atribuído a Thomas Jefferson, que não pronunciou nada do gênero.) Atualmente, dizemos: “Sorte é onde o trabalho árduo se encontra com a oportunidade.”

“Se alguma coisa pode dar errado, dará.” (A Lei de Murphy)

“É mais fácil atravessar um rio em sua fonte”. (Públio Siro)

“Se você estiver em um buraco, pare de cavar.” (A primeira regra dos buracos) 

"O maior tesouro é uma língua econômica.” (O poeta Hesíodo)

“Quanto mais você fala, mais provável é que diga uma tolice.” (Robert Greene)

“Não deixe o perfeito ser o inimigo do bastante bom.” (Provérbio)

“Uma onça de prevenção vale uma libra de cura.” (Benjamin Franklin)

“Ninguém comete erros de propósito.” (Sócrates)

“Não temo o homem que praticou dez mil chutes uma vez, mas temo o homem que praticou um chute dez mil vezes.” (Bruce Lee) 

“O poder não corrompe, ele revela.” (Robert Caro)

“Não reconheço a existência da prisão. Ela não existe para mim.” (Rubin “Hurricane” Carter, o boxeador erroneamente condenado por homicídio que passou quase vinte anos na prisão). 

Extraído do livro Diário Estoico, de Ryan Holiday e Stephen Hanselman.