Título: Epistemologia: Curso de Atualização
Autor: Mario Bunge
Tradução: Cláudio
Navarra
São Paulo: T.
A. Queiroz Editora da Universidade de São Paulo, 1980
PREFÁCIO
A
ciência converteu-se no eixo da cultura contemporânea. E, sendo o motor da
tecnologia, a ciência acabou por controlar indiretamente a economia dos países
desenvolvidos. Por conseguinte, quem quiser adquirir uma ideia adequada da
sociedade moderna precisa estudar o mecanismo da produção científica, bem como
a estrutura e o sentido de seus produtos.
A ciência é hoje em dia objeto de estudo de várias disciplinas, cuja união constitui a ciência das ciências. São elas a Epistemologia, ou Filosofia da Ciência, a História da Ciência, a Psicologia da Ciência, a Sociologia da Ciência, a Política da Ciência e talvez outras mais.
A
ciência das ciências contribui em maior ou menor grau para a elaboração de
políticas da ciência, ou seja, programas de desenvolvimento (ou de estagnação)
da investigação científica e das relações desta com a pesquisa tecnológica. A
política científica que venha a ser elaborada dependerá diretamente da
Filosofia da ciência que inspire seus planejadores e decisores em matéria política.
Uma filosofia idealista sugerirá como modelo da ciência a torre de marfim; uma
filosofia empirista inspirará o fomento da pesquisa empírica sem orientação
teórica; uma filosofia pragmatista inspirará desprezo pela investigação básica,
e assim sucessivamente. Somente uma Epistemologia equilibrada poderá inspirar
uma política equilibrada da ciência, uma política que fomente o desenvolvimento
integral e ininterrupto tanto da investigação básica como da pesquisa aplicada.
Daí a importância política, e não apenas cultural, da Epistemologia em nossos
dias.
Este livro trata somente de uma das
ciências da ciência, a Epistemologia, que é também a mais antiga de todas elas.
Oferece, pois, uma visão parcial da ciência, que o leitor interessado em
completar deverá juntar às imagens da ciência fornecidas pela História, pela
Psicologia, pela Sociologia e pela Política da Ciência.
Este
livro é um curso de atualização que versa problemas epistemológicos de
atualidade. Nesse sentido, complementa o tratado
sistemático La investigación científica (Ariel, Barcelona, 1969 e
edições posteriores) do mesmo autor. Porém, ambos são de leitura independente.
As páginas que se seguem foram expostas
em forma de cursos ou conferências, na Universidad Nacional Autónoma de México,
na Universidad Autónoma Metropolitana e no Colegio Nacional, também da cidade
do México, durante o ano acadêmico 1975-76. A julgar pelas extensas e
apaixonadas discussões que se seguiram às exposições, elas estavam carregadas
de dinamite intelectual. É meu desejo que algumas delas possam exasperar o
leitor, motivando-o a empreender ou aprofundar investigações epistemológicas.
Os melhores livros não são os que dão mais, porém os que exigem
Mario Bunge
I — INTRODUÇAO
CAPÍTULO 1 — QUE É, E PARA QUE SERVE A
EPISTEMOLOGIA?
A
Fernando Salmerón
Instituto
de Investigaciones Filosóficas,
U.N.A.M.,
México, D.F.
1.
A recente eclosão da Epistemologia
A
Epistemologia, ou Filosofia da ciência, é o ramo da Filosofia que estuda a
investigação científica e seu produto, o conhecimento científico. Mera folha da
árvore da Filosofia meio século atrás, a Epistemologia é hoje um ramo
importante dela.
Para
comprovar a afirmação anterior basta atentar para o peso relativo das
publicações e dos congressos neste campo. Enquanto há meio século não havia
nenhuma revista especializada em Epistemologia, hoje existem pelo menos três de
nível internacional Philosophy of Science,
The British Journal for the Philosophy of
Science e Synthese — assim como
algumas publicações nacionais. Também existem coleções inteiras de livros
dedicados a temas epistemológicos.
O número de cátedras de Epistemologia
multiplicou-se (às vezes excessivamente) e são cada vez mais numerosas as
universidades que possuem departamentos ou institutos de Epistemologia, às
vezes juntamente com Lógica ou com História da ciência. Realizam-se numerosas
reuniões nacionais e internacionais, em particular congressos internacionais
quadrienais organizados pela International Union for the History and Philosophy
of Science. Existem também diversas organizações nacionais de funcionamento
regular, tais como a Philosophy of Science Association (U.S.A.), a British
Society for the Philosophy of Science, a Canadian Society for the History and
Philosophy of Science, e as novíssimas Asociación Mexicana de Epistemología,
Asociación Venezolana de Epistemología e a Sociedad Colombiana de
Epistemología, precedidas pela já extinta Agrupación Rioplatense de Lógica y
Filosofía Científica e o Grupo Uruguayo de Lógica y Epistemología, também
extinto.
CAPÍTULO
2 — QUE É, E QUAL A APLICAÇÃO DO MÉTODO CIENTÍFICO?
A
Luís Villoro
Universidad Autónoma Metropolitana
México,
D.F.
Ninguém
mais duvida do êxito sensacional do método científico nas ciências naturais.
Mas nem todos concordam com o que seja método científico. E nem todos acreditam
que o método científico possa estender seu braço além do seu berço, a ciência
da natureza.
Interessa, pois, examinar ambos os
problemas, tanto mais que estão intimamente relacionados. Com efeito, se se
concebe o método científico em sentido restrito, identificando-o com o método
experimental, então seu alcance fica automática e radicalmente limitado. Mas,
quando é concebido em sentido amplo seu domínio de aplicação é ampliado
correspondentemente.
Convém
examinar periodicamente a natureza e alcance do método científico, uma vez que
ele vem variando no decurso de sua brevíssima história de três séculos e meio.
O exame apresentado a seguir não é o primeiro e não será o último; existem
problemas que se recolocam de quando em quando e, toda vez que isso ocorre,
eles são resolvidos de maneira algo diferente. Este é um deles.
1.
Das origens à atualidade
Um
método é um procedimento regular,
explícito e passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa, seja
material ou conceitual. A ideia de método é antiga, a de método geral — aplicável
a um vasto conjunto de operações — o é menos. Parece surgir, como muitas outras
ideias de extrema generalidade, no período clássico grego. Recorde-se, em
particular, o método de Arquimedes para calcular áreas de figuras planas com
lados curvos.
II
— FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS FORMAIS
III
— FILOSOFIA DA FÍSICA
IV
— FILOSOFIA DA BIOLOGIA
V
— FILOSOFIA DA PSICOLOGIA
VI
— FILOSOFIA DA CIÊNCIAS SOCIAIS
VII
— FILOSOFIA DA TECNOLOGIA
VIII
— ENSINAMENTOS

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