Título: Praticando o Poder do Agora: Ensinamentos Essenciais, Meditações e Exercícios de O Poder do Agora
Título
original: Practing the Power of Now
Tradução:
Iva Sofia Gonçalves Lima
Rio
de Janeiro: Sextante, 2003
“A
liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, “o
pensador”.
INTRODUÇÃO
O Poder do Agora em pouco tempo já demonstrou ser um dos maiores livros espirituais escritos na atualidade. Ele contém uma força que vai além das palavras e pode nos conduzir a um lugar de grande serenidade, acima dos nossos pensamentos, um lugar em que os problemas criados por nossas mentes se dissolvem e onde descobrimos o que significa criar uma vida de liberdade.
Parte
1 — ACESSANDO O PODER DO AGORA
Capítulo 1 — Ser e iluminação
Existe
uma Vida Única, eterna e sempre presente, além das inúmeras formas de vida
sujeitas ao nascimento e à morte. Muitas pessoas empregam a palavra Deus para
descrevê-la, mas eu costumo chamá-la de Ser. Tanto "Deus" quanto
"Ser” são palavras que não explicam nada. "Ser", entretanto, tem
a vantagem de sugerir um conceito aberto. Não reduz o invisível infinito a uma
entidade finita. É impossível formar uma imagem mental a esse respeito. Ninguém
pode reivindicar a posse exclusiva do Ser. É a sua essência, tão acessível com
sentir a sua própria presença. Portanto, a distância é muito curta entre a
palavra "Ser" e a vivência do Ser.
Recuperar
a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de "percepção dos
sentidos" é o que se chama iluminação.
A
palavra iluminação transmite a ideia
de uma conquista sobre-humana — e isso agrada ao ego —, mas é simplesmente o
estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. É um estado de conexão com
algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse
"algo" é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você.
A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da
forma.
Se
for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando
a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso,
não é você que usa a sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não
usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua
mente. Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você.
A
boa notícia é que podemos nos libertar de nossas mentes. Essa é a única
libertação verdadeira. Dê o primeiro passo nesse exato momento.
COMECE
A OUVIR A VOZ NA SUA CABEÇA, tanto quanto puder. Preste atenção principalmente
a padrões repetitivos de pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você
escuta dentro da sua cabeça há anos.
Capítulo
2 — A origem do medo
A
doença psicológica do medo não está presa a qualquer perigo imediato concreto e
verdadeiro, Manifesta-se de várias formas, tais como agitação, preocupação,
ansiedade, nervosismo tensão, pavor, fobia, etc. Esse tipo de medo psicológico
é sempre de alguma coisa que poderá acontecer, não de alguma coisa que está
acontecendo neste momento, Você está aqui e agora, ao passo que a sua mente
está no futuro. Essa situação cria um espaço de angústia. E, caso estejamos
identificados com as nossas mentes e tenhamos perdido o contato com o poder e a
simplicidade do Agora, essa angústia será a nossa companhia constante. Podemos
sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não
podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com
o futuro.
TENHA
CUIDADO COM QUALQUER TIPO DE DEFESA dentro de você. Está se defendendo de quê?
De uma identidade ilusória, de uma imagem em sua mente, de uma entidade
fictícia. Ao trazer esse padrão à consciência, ao testemunhá-lo, você deixa de
se identificar com ele. À luz da sua consciência, o padrão de inconsciência irá
se dissolver rapidamente.
Esse
é o fim de todos os argumentos e jogos de poder, tão prejudiciais aos
relacionamentos. O poder sobre os outros é a fraqueza disfarçada de força. O
verdadeiro poder é interior e está à sua disposição agora.
Texto reflexivo sobre algumas frases do capítulo 1 e 2
Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de percepção plena dos sentidos é o que se convencionou chamar de iluminação. Embora a palavra sugira uma conquista sobre-humana — algo que costuma agradar ao ego —, a iluminação nada mais é do que o retorno ao estado natural de unidade com o Ser. Trata-se de uma experiência simples e essencial, que não acrescenta algo novo à existência, mas remove os véus que obscurecem aquilo que sempre esteve presente.
Na maior parte do tempo, o ser humano não utiliza a mente de forma consciente; ao contrário, é dominado por ela. Esse funcionamento automático constitui uma verdadeira doença, caracterizada pela identificação contínua com pensamentos repetitivos. Essas “trilhas sonoras” mentais, que se repetem há anos, moldam percepções, emoções e comportamentos sem que se perceba. Observar esses padrões é um passo fundamental para romper com esse ciclo inconsciente.
Iluminação, nesse sentido, não significa acumular conhecimento, mas elevar-se a um nível acima do pensamento compulsivo. O estado de mente vazia não é ausência de inteligência, mas consciência sem ruído mental. A partir desse silêncio interior, torna-se possível pensar de forma verdadeiramente criativa, pois o pensamento passa a ser uma ferramenta consciente, e não uma força que controla o indivíduo.
Grande parte do sofrimento humano nasce do medo psicológico, que não está ligado a perigos reais e imediatos. Esse tipo de medo projeta-se sempre no futuro, manifestando-se como ansiedade, preocupação, tensão, fobias ou pavor. Ele nunca se refere ao que está acontecendo agora, mas ao que pode acontecer. Assim, vive-se prisioneiro de cenários imaginários, afastando-se do único momento onde a vida realmente ocorre: o presente.
Por fim, é essencial observar os mecanismos de defesa internos. Defender-se de quê, exatamente? Na maioria das vezes, trata-se da proteção de uma identidade ilusória, uma imagem mental fictícia. O desejo de poder sobre os outros surge desse mesmo equívoco e revela, na verdade, uma fraqueza disfarçada de força. A chave para dissolver essas ilusões está em transcender a noção psicológica de tempo, pois é nela que o ego se sustenta. Ao abandonar a ilusão do passado e do futuro, abre-se espaço para a liberdade e para a presença consciente do Ser.
Capítulo
3 — Entrando no agora
ROMPA
COM O VELHO PADRÃO de negação e resistência ao momento presente. Torne uma
prática desviar a atenção do passado e do futuro, afaste-se da dimensão do
tempo na vida diária, tanto quanto possível.
Se
você achar difícil entrar diretamente no Agora, comece observando como a sua
mente tende a fugir do Agora. Vai notar que geralmente imaginamos o futuro como
algo melhor ou pior do que o presente. Imaginar um futuro melhor nos traz
esperança e uma antecipação do prazer. Imaginá-lo pior nos traz ansiedade.
Ambos os casos são ilusões.
Quando
estamos cheios de problemas, não há espaço para nada novo entrar, nenhum espaço
para uma solução. Portanto, sempre que você puder, crie algum espaço de modo a
encontrar a vida sob a sua situação de vida.
DEPOIS DOS PRIMEIROS VISLUMBRES DO ESTADO ATEMPORAL DE CONSCIÊNCIA, passamos a viver em um vaivém entre a dimensão do tempo e a presença. Primeiro, você começa a perceber que a sua atenção raramente está no Agora. Entretanto, saber que você não está presente já é um grande sucesso. O simples saber já é presença — mesmo que, no início, dure só alguns segundos no tempo do relógio antes de desaparecer outra vez.
Capítulo
4 — Dissolvendo a inconsciência
OBSERVE
AS MUITAS MANEIRAS PELAS QUAIS O DESCONFORTO, o descontentamento e a tensão
surgem dentro de você, através de julgamentos desnecessários, resistência
àquilo que é e negação do Agora.
Qualquer
coisa inconsciente se dissolve quando a luz da consciência brilha sobre ela.
Capítulo
5 — A beleza nasce da serenidade da sua presença
QUANDO
VOCÊ NÃO TIVER O QUE FAZER POR ALGUNS MINUTOS, "inunde" o seu corpo
com a consciência. É um excelente exercício para fazer à noite antes de dormir
e assim que acordar de manhã, antes mesmo de se levantar. Feche os olhos.
Deite-se de costas. Escolha partes diferentes do corpo para dirigir a sua
atenção por alguns momentos, como mãos, pés, braços, pernas, abdômen, peito,
cabeça, etc. Sinta o campo de energia dessas partes tão intensamente quanto
puder. Detenha-se mais ou menos por quinze segundos em cada lugar.
PARTE 2 — RELACIONAMENTOS COMO PRÁTICA
ESPIRITUAL
Capítulo 6 — Dissolvendo o sofrimento
Capítulo
7 — Transformando as relações viciadas em relações iluminadas
PARTE
3 — ACEITAÇÃO E ENTREGA
Capítulo
8 — A aceitação do agora
Capítulo 9 — Transformando a doença e o sofrimento
Fonte de Consulta
TOLLE, Eckhart. Praticando o Poder
do Agora. Ensinamentos essenciais, Meditações
e Exercícios de o Poder de Agora. Tradução de Iva Sofia Gonçalves Dias. Rio de
Janeiro: Sextante, 2003.

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