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29 janeiro 2024

Mente e Experiência

F. A. Hayek disse que “a mente nunca pode prever o seu próprio avanço”. A razão é simples: o crescimento de nossa mente está ligado ao “progresso da civilização”.  Observou, também, que nossa capacidade de raciocinar não é “independente da experiência”.

Em se tratando da mente humana, muito podemos aprender com o estoico Marco Aurélio que, em seu livro Meditações, anotações de suas próprias experiências, deixou-nos uma infinidade de frases, pensamentos e sugestões úteis para o nosso bom relacionamento em sociedade. 

Assim, diante de um problema, de uma contradição, de um dificuldade, a nossa primeira reação, salvo raras exceções, é querer controlar o ocorrido.

Vejamos, porém, como Marco Aurélio diria:

“No início do dia, diga a si mesmo: encontrarei pessoas que são intrometidas, ingratas, abusivas, traiçoeiras, maliciosas e egoístas. Em todos os casos, elas ficaram assim por causa de sua ignorância sobre o que é bom e o que é mau”. Mesmo que o operador do transporte público e o caixa do banco sejam maliciosos, a nossa experiência do mundo pode ser enriquecida, pois ela não é determinada por esses protagonistas. 

Este alerta não é para ignorarmos o mau comportamento dos outros, mas para colocarmos lentes mais amplas nele. Isto faz-nos ver a maldade e a bondade como elas realmente são; daí, sabermos o que é moralmente bom ou moralmente mau.

Platão, na antiguidade, já nos falava do Verdadeiro, do Bem e do Belo. Quando nos predispomos a refletir sobre esses valores, percebemos que o seu contrário é transitório e quando o pensamento percebe o que é certo acaba naturalmente combatendo o erro.

 

 


17 julho 2022

Cérebro, Mente e Computador

A relação mente-corpo é estudada desde a Antiguidade. Coube, porém a Descartes a primazia de levantar o problema com mais ênfase. Em seu dualismo, afirma que a mente (res cogitans) e o corpo (res extensa) são formados de substâncias distintas, mas que ainda não tinha descoberto como uma é ligada a outra. Aventou a hipótese de a glândula pineal ser o intermediário. Contudo, mais tarde, dissera que o importante é saber que são distintos e isto basta.

O materialismo, oferecendo-nos uma série de dificuldades conceituais, contrapõe-se e abandona o dualismo cartesiano. Alguns pensadores materialistas, inspirando-se na lei de Leibniz, advogam a identidade entre cérebro e mente, ou seja, cérebro e mente não são distintos como afirmara Descartes, eles fazem parte da mesma substância. Como dão valor à matéria e não ao espírito, dificultam o entendimento da mente e da sua relação com o corpo, inclusive, chegando alguns a afirmar que a mente não existe porque a Psicologia não a definiu.

O surgimento do computador, e sua evolução através do tempo, trouxe como consequência mudanças radicais em todos os níveis de conhecimento. Física, Química, Biologia etc. A Filosofia da Mente, uma área aparentemente díspar da teoria computacional, também sofreu influência, principalmente através dos modelos computacionais em que se procura relacionar o software (programa de computação) com o hardware (a máquina), comparando-os com o relacionamento entre mente e cérebro.

A teoria computacional retoma as posições radicais entre o materialismo e o dualismo, procurando achar o meio termo entre ambas. H. Putnan, em “Minds and Machines”, artigo escrito em 1975, procura estabelecer uma correlação entre estados mentais (pensamentos) e software de um lado e entre os estados cerebrais e o hadware ou os diferentes estados físicos pelos quais passa a máquina ao obedecer as instruções. Esta teoria não esteve isenta de críticas. A principal delas é que a máquina é geral e não permite a individuação própria de cada mente humana.

Numa versão moderna, temos o funcionamento neuro-computacional ou conexionismo iniciado com os trabalhos de Von Neumann. Pretende-se, com esse sistema computacional, resolver a questão da individuação deixada no modelo de Putnan. De Acordo com esta teoria, estabelece-se uma relação específica entre o software e o hardware. Não há independência entre o software e o hardware e as características do design deste tipo de máquina permitem que, no limite, possamos conceber que cada estado mental (ou de software) corresponda a um estado cerebral (ou de hardware).

A teoria computacional deu novo dinamismo à pesquisa da mente, contudo o problema da ligação mente-cérebro ainda está por resolver. Falta-lhes a noção de PERISPÍRITO, elo entre a matéria e o espírito.

Fonte de Consulta

TEIXEIRA, J. de F. Filosofia da Mente e Inteligência Artificial. Campinas, UNICAMP, Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, 1996. (Coleção CLE; v. 17)

07 novembro 2018

Mente Rígida e Autocrítica

Mente rígida. As pessoas de mente rígida resistem em mudar seus comportamentos, crenças e opiniões, mesmo que os fatos demonstrem que estão erradas. Mente líquida. As pessoas de mente líquida são apáticas, deixam escapar, tomam a forma do recipiente que a contém. Mente flexível. As pessoas de mente flexível são abertas, aceitam a controvérsia, não se prendem aos modismos e têm opinião própria. Autocrítica. Examinar as próprias crenças e valores e descobrir, se houver, o absurdo na nossa maneira de pensar.

Em se tratando da mente flexível, em que as pessoas não têm medo da controvérsia e costumam duvidar de si mesmas, podemos apontar três princípios básicos: 1.º, exceção à regra. A perseverança não pode se tornar fanatismo; 2.º, caminho do meio. Devemos, nesse caso, fazer uso constante da observação e da autoavaliação; 3.º, pluralismo. O correto, aqui, é acatar a verdade, venha de onde vier.

Neste estudo de alguns aspectos relevantes de nossa mente, não podemos nos esquecer dos ismos que nos levam ao atraso: dogmatismo, fundamentalismo e obscurantismo. No dogmatismo, consideramo-nos o dono da verdade; no fundamentalismo, as nossas verdades não são discutíveis; no obscurantismo, achamos que a difusão da informação é perigosa para os interesses pessoais e grupais.

A mente rígida tem íntima relação com a solenidade: o riso é proibido. Observe algumas conferências sérias que nos levam ao mito da intelectualidade. Dá-se a impressão que é profunda, quando, na realidade, é sobejamente superficial. Piada: "Os dentes da minha mulher são como as pérolas... escassos".

O preconceito é um empecilho para a mente flexível. Eles podem ser comparados a um monstro de três cabeças: 1. Um estereótipo infundado; 2. Um sentimento de medo e hostilidade; 3. Um sentimento descriminatório.

No filme A lista de Schlinder, uma prisioneira do campo de concentração chama a atenção do coronel alemão de plantão sobre um erro que está sendo cometido numa construção. O nazista pergunta como sabe tanto sobre o tema e ela responde que é engenheira. O coronel agradece a ajuda e imediatamente manda matá-la. E acrescenta: "Não podemos deixar que eles tenham razão; é melhor eliminar os inteligentes... Mas façamos o que ela sugeriu".

Frases extraídas do livro consultado:

"Nada pode nascer do nada." (Ex nihilo, nihil fit). [Lucrécio]

"Se a ciência demonstrar de maneira irrefutável a falsidade de alguma doutrina budista, esta deve ser mudada como consequência." [Dalai Lama]

"Não há nada mais perigoso do que uma ideia quando for a única que tivermos." [?]

"Não importa quão alto seja o seu trono; você sempre estará sentado sobre o próprio traseiro." (Michel de Montaigne)

"Quem estiver livre de preconceitos que atire a primeira pedra." [Norberto Bobbio]

"Sapere aude!" (Tenha coragem de usar o próprio entendimento) [Kant]

"A potência intelectual de um homem é medida pela dose de humor que for capaz de utilizar." [Nietzsche]

"A persistência de um costume está ordinariamente em relação direta com o absurdo do mesmo." [Marcel Proust]

"O preconceito é o filho da ignorância." [William Hazlitt]

"Não há maior pecado que o da estupidez." [Oscar Wilde]

"Não tente impor a autoridade quando só se trata de razão." [Voltaire]

Fonte de Consulta

RISO, Walter. A Arte de Ser Flexível: de uma mente rígida a uma mente livre e aberta à mudança. Tradução de Marcelo Barbão. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018.




28 julho 2015

Pensamento Precede a Ação

Folheando alguns livros que tratam do poder do pensamento positivo, deparamo-nos com termos, tais como, o poder da mente cósmica, o poder do subconsciente, o universo do poder mental etc. Há muitos ensinamentos úteis que podemos extrair de uma simples leitura verticalizada. Vejamos.

O indivíduo só experimenta aquilo que pensa. Tem, no entanto, o direito de escolher, de pensar por si. Nesse caso, as pessoas que vivem no negativo, vivem-no porque assim escolheram viver. É um hábito como fumar, beber, drogar-se. Quando perguntamos ao outro o que devo fazer, estamos transferindo a responsabilidade daquela ação para um terceiro, que decide por nós. Se der errado, jogamos a culpa nele. 

As atitudes são contagiosas. Se expressarmos alegria, criatividade e jovialidade, os outros receberão essa influência de nós. Se estamos constantemente nos queixando, criticando e sendo maledicentes, é assim mesmo que os outros nos veem. Repórter pergunta à esposa de Winston Churchill se os dois concordavam em todos os assuntos. Ela responde: "meu senhor, se nós pensássemos exatamente do mesmo modo, um de nós seria desnecessário". 

A fé nada mais é do que a confiança em alguém ou alguma coisa. A fé é um poder da mente, da mente cósmica. Jesus foi o responsável por efetuar milagres, mas foram os próprios indivíduos que fizeram os milagres acontecer. É um fato: as doenças curam-se mais frequentemente pelos pacientes do que pelos médicos. Quando a cura parece impossível, falamos que foi um milagre. 

Ofereçamos consolo e tranquilidade, mas nunca tenhamos pena dos outros. 

 




11 dezembro 2014

Mentalidade

Tese: Para se formar um caráter superior há necessidade de se desenvolver a mentalidade. 

Mentalidade. Estado de espírito, maneira de pensar, modo de julgar, qualidade mental de um certo indivíduo. Mentalidade superior é aquela que pensa naquilo que quer executar, sem dar atenção ao que as circunstâncias, o ambiente ou os companheiros podem sugerir-lhe. 

Questões: Como se apresenta o estado mental da humanidade? É possível desenvolver a mentalidade? Como? Será combatendo as trevas?

Lourenço Prado, em Forças Invisíveis, lembra-nos de alguns aspectos importantes sobre este tema. Ele diz:

Não podemos produzir luz agindo sobre as trevas, nem produzir a perfeição agindo sobre coisas que não trazem em si a possibilidade de perfeição.

Desenvolver é expressar aquilo que já existe no íntimo. Porém, se nada houvesse em nosso íntimo, por mais que nos esforcemos, nada conseguiríamos.

Não é possível iluminar um lugar escuro espancando as trevas.

O imperfeito tem falta de alguma coisa e é por isso que é imperfeito. Ora, o que falta deve ser fornecido por alguma outra fonte, antes de poder produzir-se a melhora ou o aperfeiçoamento esperado.

Ampliar as qualidades que já existem em nós e não combater o que é externo.

Enquanto pensamos em nossas imperfeições, estamos criando pensamentos imperfeitos, os quais só produzirão imperfeições em nossa vida.

Concentremos nossa atenção na Harmonia, e os desequilíbrios desaparecerão de nossa vida; cultivemos o Amor e receberemos amor dos que nos rodeiam.

Fonte de Consulta

PRADO, Lourenço (Rosabis Camaysar). Forças Invisíveis. São Paulo: Editora Francisco Valdomiro Lorenz (Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento), 2000. 

 

 

 

22 setembro 2010

Os Complexos Têm Cura?

“As moléstias da mente prejudicam os poderes do corpo”. Ovídio

Os complexos — de inferioridade, Frankenstein, Édipo etc. — incrustam-se em nosso psiquismo, porque não soubemos nos defender quando eles nos visitaram pela primeira vez.

O complexo é um sistema de ideias, sentimentos, recordações e impulsos inter-relacionados, carregados de emoção, que geralmente são reprimidos e que dão origem a um comportamento anormal ou patológico. Os complexos são mentais, e sendo mentais não podem ser curados por alguma injeção de soro ou pela ingestão de comprimidos ou pós. (1)

De acordo com Dodson, em O Universo do Poder Mental, os complexos têm cura. Há, neste livro, vários métodos e estímulos para a erradicação desse mal. O complexo é uma atitude mental assumida por nós mesmos. Nesse caso, podemos substituí-la por outra, ou seja, por ideias que enobreçam o esforço próprio, o caráter e a personalidade.

Para que possamos absorver o poder superior do cosmo, não devemos forçar para que alguma coisa aconteça; permitamos apenas que aconteça. Quando forçamos, estamos sendo influenciados por condições externas; deixando-as seguir o ritmo normal, elas são direcionadas para o rumo certo, rumo este que está de acordo com o poder divino.

Há muitas orientações sobre a condução do nosso pensamento

Quando estivermos cansados, não permitamos que o espírito assim se sinta. Pensemos que é uma coisa passageira e que isso não pode influenciar a quietude de nosso espírito imortal. A dor, o cansaço e o sofrimento são do corpo. O espírito está sempre vivo, desperto, ativo. Paulo, em suas prédicas, já nos dizia que é imperioso levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados e persistir no caminho da evolução espiritual.

Na mente cósmica não há dor ou sofrimento. Em vista disso, dizer para nós mesmos que estamos calmos, sossegados e descontraídos, porque o poder divino nos ilumina, é um excelente exercício. Acrescentemos: serei inspirado por essas falanges do espaço. Nada há a temer. O medo é apenas um preconceito dos nervos.

Estendamos esses pensamentos aos nossos vícios. Digamos: eu rejeito todo o pensamento que macule o meu corpo físico, tais como, o álcool e o fumo. O meu corpo, ligado ao infinito bem, não pode ansiar por coisas materiais que lhe possam fazer mal e prejudicar. O fumo aumenta a infelicidade por meios artificiais.

A mudança comportamental não é tarefa fácil. Contudo, qualquer esforço hoje pode render frutos dulcíssimos num futuro próximo.

(1) DODSON, Samuel. O Universo do Poder Mental. Tradução de Luzia Machado da Costa. Rio de Janeiro: Record, s.d.p., p. 103.

 

30 junho 2010

Funcionamento da Mente Segundo Alguns Filósofos

Para Aristóteles, há uma hierarquia dos seres vivos baseada na capacidade de conhecimento. Nos animais, que só têm sensibilidade, há pouco conhecimento. Nos seres humanos, que têm memória e faculdades intelectivas, as quais permitem experimentar, ou seja, fazer ciência, a possibilidade de conhecer é infinitamente superior.

Para Campanella, na Cidade do Sol, o sistema didático baseia-se nos sete círculos de muralhas. Cada uma delas é marcada com representações (figuras) referentes ao inteiro conhecimento humano. Basta que uma criança vá observando as figuras, e o conhecimento vai lhe penetrando sem esforço.

Para Descartes, uma ideia é verdadeira quando ela se apresenta a nossa intuição com todas as características da evidência (modalidade psicológica pela qual a mente representa a si mesma certas verdades como claras e distintas, certas e inopináveis). Sendo clara em si mesma, é dotada de um grau de certeza, e não tem necessidade do filtro da razão, imposto pela dúvida metódica.

Leibniz, ao tratar da Mônada, afirma que a consciência não é um ingrediente necessário ao pensamento e à sensação. Ele diz que há percepções tão pequenas que não podem ser compreendidas pela consciência, mesmo agindo sobre os órgãos dos sentidos. Exemplo: acostumar-se com um ruído faz com que ele não seja mais notado.

Locke, polemizando com Descartes, demonstra com argumentos extraídos da experiência a inexistência de ideias inatas: as crianças, os loucos e os selvagens não possuem qualquer ideia de Deus. Daí, afirmar que não há nada inato no ser humano, pois tudo provém da experiência. Para ele, o ser humano nasce como se fosse uma tabula rasa, ou seja, um papel em branco sobre o qual a prática do mundo externo e a reflexão do sujeito imprimirão o conhecimento. Com isso, demonstra ser falsa a teoria de que as ideias claras e distintas precedem a experiência.

Para Kant, a mente deve criticar a si mesma, estabelecendo um limite para o seu raio de ação. Ele acha que a mente tem uma tendência para ir além dos seus limites, havendo necessidade de se impor um controle. Há, no ser humano, um impulso instintivo de ultrapassar o âmbito da experiência verificável para formular conjecturas hipotéticas e doutrinas metafísicas

Freud, através da sua teoria do complexo de Édipo, sintetiza a sexualidade pervertida da criança: inconscientemente, o garoto sente atração sexual pela mãe; a garota, pelo pai.

Para Bérgson, a intuição é o instinto da inteligência. Ele acha que não podemos afirmar a superioridade da inteligência em relação ao instinto: existem coisas que somente a inteligência é capaz de buscar, mas por si só não encontrará nunca; somente o instinto poderia descobri-la, mas não as buscará nunca.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

 

02 julho 2008

Renovação Mental

Somos o resultado de todas as nossas ações do passado. Alguns psicólogos identificam este resultado como sendo o inconsciente; outros falam de um inconsciente coletivo. As religiões dogmáticas classificam-no como pecado original. Concomitantemente, a cada dia que passa vamos acrescentando experiência ao nosso passivo espiritual. Assim, a mente atual nada mais é do que a soma de tudo o que fizemos ao longo de todo esse tempo. Pergunta-se: é possível uma transformação radical da mente, mesmo estando presa aos paradigmas do passado?

O inconsciente é o nome que damos à soma das experiências. Porém, a inconsciência não existe, mas sim a consciência. Por quê? Porque tudo está na consciência, embora tenhamos percepção limitada da mesma. De acordo com a Doutrina Espírita, poder-se-ia dizer que o nosso cérebro físico, sendo limitado ao corpo físico, não é capaz de absorver todas as informações registradas em nosso cérebro espiritual. Há muitas informações que ficam apenas no corpo espiritual.

A renovação mental exige experiência. Observe que precisamos de ação para dar respaldo àquilo julgamos ser. A salvação da alma, para muitas religiões, está atrelada ao bem que se faz ao próximo. Contudo, se fizermos o bem com o intuito de receber uma recompensa, a salvação já estará comprometida. A virtude, por exemplo, não conta com nenhuma autoridade. Krishnamurti diz: "A mente que segue uma fórmula, disciplinando-se para alcançar a virtude, cria para si própria os problemas de imoralidade".

Como surgem os problemas? Por que eles perduram ao longo do tempo? Problema pode ser definido como um desafio não resolvido. Por isso, tudo o que nos chegar deve imediatamente ser resolvido, para que deixe livre o nosso estado mental. A mente aberta é aquela que dá uma resposta imediata ao que lhe foi solicitado. O hábito de adiar os nossos compromissos cria para nós um desânimo mental que pode ser nefasto para o resto de nossa existência.

O apego ao passado dificulta sobremaneira a nossa renovação mental. Estamos ainda excessivamente presos às tradições, à autoridade e às crenças religiosas. Para nos libertar do passado, temos que nos libertar dos paradigmas que o construíram. Muitos dizem que dever haver um choque externo, pois olhando as coisas com os mesmos olhos, não saímos do lugar, ou seja, voltamos a ponto de partida. Nesse sentido, a virtude não deve ser cultivada, mas fazer parte do próprio ser.

Estejamos abertos aos apelos do alto. Reflitamos sobre tudo o que se nos apresenta. Nada de preguiça, quando o assunto é a nossa renovação espiritual.

Fonte de Consulta

KRISHNAMURTI, Jidu. A Importância da Transformação. Tradução de Hugo Veloso. São Paulo: Cultrix, 1972.

 

01 julho 2008

Mente Criadora

O poder do pensamento criador acaba, com o tempo, sendo corroído pelo hábito. Muitas pessoas de idade perdem o ímpeto de tentar o desconhecido, de se arriscar em novos empreendimentos, de enfrentar a complexidade da vida. Condicionam-se sem o saber. Levantam-se sempre num determinado horário, tomam o seu café meia hora depois e leem o jornal durante 15 minutos. Depois disso, arrumam-se e vão para as suas atividades habituais. Repetem o processo no dia seguinte, e assim sucessivamente. O improviso não faz parte de suas agendas diárias.

O hábito cria em nós a "fixação funcional", a "rigidez na solução do problema" e a "mecanização da vida". Essas atitudes comportamentais ficam de tal maneira impregnadas em nosso subconsciente que, somente a muito custo e pela aplicação incessante da vontade, é que conseguimos algum progresso em sua ruptura. Alguns espiritualistas emprestam a essas atitudes o termo "cascões mentais"; acrescentam, ainda, que esses cascões mentais são sumamente prejudiciais à educação das crianças, porque estas, em tenra idade, são obrigadas a aceitar ordens pouco racionais dos adultos, baseadas mais no preconceito do que no bom senso.

Para obter bom êxito no des-condicionamento, Osborn sugere a aplicação do brainstorm (tempestade de cérebros), método criado por ele, em que há uma separação entre o pensamento crítico e o pensamento ideador. Um dos princípios relevantes deste método é o de permitir que todos os participantes de uma reunião possam falar livremente sobre um determinado tema, sem que haja reproche por parte de qualquer outro membro do grupo. Com isso, acha ele, liberamos o espírito criador que existe dentro de cada um de nós.

O desânimo próprio não deixa de ser um fator limitativo da criatividade. Ao elaborarmos ideias que não são de toda a gente, quase sempre sofremos as investidas adversas, que procuram esfriar o nosso entusiasmo. Suponha que apresentemos um projeto arrojado para um determinado grupo de pessoas, e ele seja vetado. Qual é a nossa reação? Ficamos desanimados. Mas o que é pior? Parecermos absurdos a nós mesmos ou aos outros? Todos temos uma luz interior. É melhor segui-la do que nos desviarmos para os caminhos que não deveríamos percorrer.

A timidez também é um entrave ao pensamento criador. A timidez pode ser entendida como uma espécie de orgulho que nos faz ficar escondido quando, com muita boa razão, deveríamos estar em público. Voltamo-nos para a nossa limitação, achando que os outros sabem mais do que nós e que não é preciso nos expressar. Essa postura, porém, cria em nós um círculo vicioso, porque coibindo um pensamento, um ato, os outros pensamentos e atos que daí pudessem advir ficam parados, de modo que em pouco tempo vemos o total embotamento de nossa inteligência.

Liberemos o nosso poder criador. Ele nos foi oferecido por Deus não somente para o nosso proveito pessoal, mas também para servir de estímulo a toda a humanidade.