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17 fevereiro 2020

Marx

"Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras. A questão, no entanto, é mudá-lo." — "Décima Primeira Tese sobre Feuerbach", entalhada no túmulo de Marx, no cemitério de Highgate, Londres.

Karl Marx (1818-1883) foi um economista e sociólogo alemão que se associou a Friedrich Engels para escrever sobre Economia e Política. Em 1845, publicou A Miséria da Filosofia. Em 1848, publica, juntamente com Engels, O Manifesto Comunista. Em 1859, publica a Crítica da Política Econômica, que contém a essência das teorias econômicas, posteriormente desenvolvidas em seu livro famoso O Capital, cujo primeiro volume surgiu em 1867.

Karl Marx nasceu e foi criado em Trier (na antiga Prússia). Seus pais eram judeus que se converteram ao cristianismo. Depois de estudar direito em Bonn durante um ano, Marx mudou-se em 1836 para Berlim. Sob a influência dos jovens hegelianos, grupo que se opunha aos ensinamentos idealistas de Hegel em favor do materialismo, seu interesse pela filosofia aumentou sobremaneira. 

As pessoas se alinham em grupos... ==> ... com outros que compartilham de seus interesses sociais e econômicos. ==> ... contra aqueles em conflito com seus interesses sociais e econômicos. ==> O status socioeconômico de cada grupo é definido por sua relação com a propriedade e os meios de produção. ==> O proletariado possui poucas propriedades ou negócios. ==> A burguesia ou classe dominante possui a maioria das propriedades e dos negócios. ==> Quando os meios de produção mudam (por exemplo, do agrícola para o industrial), há revoluções e guerras. ==> A classe dominante é substituída por outra. ==> A história é um registro dessas lutas de classe e substituições. (1)

O ponto de partida para a compreensão da concepção dialético-materialista da natureza e da história é a dialética de Hegel. Hegel (1770-1831) estabelecera as três fases do desenvolvimento do pensamento: tese, antítese, síntese (ou luta dos contrários). Uma vez alcançada a síntese, esta se torna uma nova tese para mais uma etapa da evolução do pensamento. Hegel falava a respeito do pensamento, da ideia, por isso idealista. Feuerbach (1775-1833), que foi discípulo Hegel, discorda do seu mestre, inverte a dialética de Hegel, colocando a matéria como principal e o Espírito como secundário. Marx, que também fora discípulo de Hegel, junta essas duas concepções e concebe o materialismo dialético histórico. Por que o faz? Por causa da sua observação da luta de classes ao longo da história da humanidade. Viu que na Idade Primitiva, os escravos lutavam contra os senhores; na Idade Média, os vassalos lutavam contra os senhores feudais; na Idade Moderna, o proletariado lutava contra os empresários.

A teoria da luta de classes, defendida por Karl Marx e Friedrich Engels no Manifesto do Partido Comunista, expressa o pensamento desses autores sobre a relação que há entre o opressor e o oprimido. Opressor é quem domina os meios de produção; oprimido, o proletariado. Por esta razão, Marx propõe a luta de classes, ou seja, o trabalhador, o explorado tem que pegar em armas e lutar contra o seu explorador, o patrão, o capitalista, para se libertar do jugo da mais-valia (parte do valor da força de trabalho dispendida por um determinado trabalhador na produção e que não é remunerado pelo patrão).

As doutrinas de Marx foram bem aceitas porque deram uma interpretação popular aos acontecimentos, e a recobriram com um véu pseudofilosófico que as tornou agradáveis tanto ao espiritualismo hegeliano quanto ao rude materialismo.

(1) VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.


01 maio 2018

Hegel e Marx

"O que é comunismo? É o seguinte: se você comeu o suficiente para matar a fome e ainda assim sobra comida — ela pertence a outro homem." (A. R. Murugados)

As primeiras obras de Karl Marx (1818-1883), autor de O Capital (1867), receberam forte influência de Hegel, ou mais precisamente, de sua dialética. A dialética de Hegel analisa a luta dos opostos que, nas sínteses sucessivas, proporciona a evolução dos povos, das pessoas e de tudo o mais.

O grande marco de Marx assenta-se na sua teoria dos "meios de produção". Mas, o que se entende por "meios de produção"? Os meios de produção dizem respeito à matéria-prima, às máquinas, às instalações agrícolas, à organização da força de trabalho etc. É a explicação de como as sociedades satisfazem as necessidades da população. No capitalismo, por exemplo, os "meios de produção" são propriedade privada de uma pequena elite.

Vejamos como Marx entende esse problema à luz da história. Para ele, as sociedades progrediram em virtude da luta de classes: primeiramente, o escravo se rebelou contra o seu senhor; depois, o vassalo se insurgiu contra o senhor feudal. Na época do capitalismo, o proletariado se rebelará contra a burguesia, pois o trabalhador se tornou alienado, e perdeu o seu senso de identidade. A solução será a implantação do comunismo.

Marx, Hegel e a história. Para Hegel, a história está sujeita ao processo dialético, pois em cada etapa do desenvolvimento haverá contradições e oposições de ideias, levando a humanidade ao progresso. Para Marx, a dialética histórica aproxima-se do materialismo e não do idealismo proposto por Hegel. Para Marx, há necessidade da luta de classes; para Hegel, poder-se-ia falar de classes de luta.

As ideias perduram no tempo. Cabe-nos analisá-las e refletirmos sobre o seu alcance buscando sempre a verdade que se encontra por detrás dos fatos.

 

 


01 julho 2008

O Inconformismo de Marx

Karl Marx (1818-1883), natural da Alemanha, tem ligação com: um programa revolucionário, uma ideologia de Estado e uma teoria social, coisas diferentes entre si. O Manifesto do Partido Comunista, de 1848, identifica-se com o programa revolucionário. Esse panfleto termina com o seguinte apelo: "Proletários de todos os países, uni-vos". A ideologia de Estado pode ser vista em seus estudos sobre o materialismo histórico. Em O Capital, desenvolve mais detalhadamente a sua teoria social.

Marx surgiu num contexto histórico favorável à prática da liberdade. A implantação do parlamentarismo na Inglaterra, em 1688, a proclamação da independência dos Estados Unidos, em 1776, e a Revolução Francesa, em 1789, robusteceram a liberdade das pessoas e dos países. Marx pode, assim, pensar, escrever e colocar em prática o seu inconformismo sobre a política, a religião e o Estado capitalista. Embora as idéias marxistas estejam esquecidas, especialmente depois da queda do muro de Berlim, em que o comunismo transformou-se em consumismo, ainda vale a pena estudar as razões de sua teoria social.

Para uma melhor compreensão da teoria social de Marx, pensemos no poder reducionista de uma frase, nem sempre verdadeiro. "O Homem é lobo do Homem", de Hobbes, "o Homem nasce bom; a sociedade o corrompe", de Rousseau, e "o Homem veio do macaco", de Darwin, mostram que essas frases, ditas fora de seu contexto original, perdem totalmente o sentido. Foi-nos passado, ao longo do tempo, que a intenção de Marx era a de explicar tudo (política, religião, direito, arte, filosofia etc.) através do que acontece na economia.

Marx disse que "O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual". Em outros termos, a economia influencia todas as outras partes da sociedade. É um reducionismo que se transforma num mecanicismo. Contudo, quando procura explicar essa tese, os propósitos anunciados, a linguagem empregada e as possíveis ideias cogitadas pelo autor dão uma outra direção ao seu pensamento. Quer dizer, a frase de que economia influência tudo o mais deve ser revista, ou analisada segundo o contexto escrito por Marx.

Marx nos deixou a seguinte lição: o inconformismo diante de um certo status quo. Para ele, o filósofo não deve apenas interpretar o mundo; sua função precípua é transformá-lo. Quer dizer, o filósofo deve recusar o mundo como é, pensando-o como deve ser. Nesse sentido, observe que várias revoluções, no século 20, reclamaram o seu vínculo com a teoria social de Marx. Entre elas, a Revolução Russa, de 1917, e a Revolução Chinesa, de 1951. Nesses países, contudo, os preceitos e princípios marxistas serviram muito mais para dar respaldo à ditadura de um partido único do que a transformação do capitalismo em comunismo.

Saibamos desconfiar das frases feitas. Elas, muitas vezes, revelam um reducionismo que pode nos levar ao erro.

Fonte de Consulta

CODATO, Adriano. Marx: a política, o poder e o Estado capitalista. In: FIGUEIREDO, Vinicius (org.). Filósofos na Sala de Aula. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, vol. 2.