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06 dezembro 2025

Arrependimento

Arrependimento. Angustiante reconhecimento da culpa.  É um sentimento de pesar ou remorso que surge quando uma pessoa acredita que cometeu uma ação errada ou fez algo que não deveria ter feito. Percepção de que a escolha teve repercussões negativas para si mesma ou para outras pessoas. Pode ser em relação ao passado como ao futuro (decisões adiadas e, caso tivessem sido tomadas, os resultados poderiam ser completamente diferentes).  

Nas 95 Teses, documento escrito por Martinho Lutero (1483-1546) que questionava práticas da Igreja Católica, especialmente a venda de indulgências, e afixada, em 31 de outubro de 1517, na porta da Igreja do castelo de Wittenberg, há alusão ao arrependimento verdadeiro, ou seja, o perdão dos pecados vem do arrependimento sincero, não de pagamentos. Lutero abre as teses afirmando que o arrependimento verdadeiro é uma mudança contínua de vida, não algo que pode ser resolvido com um simples pagamento ou ritual.

Para a religião, a liberdade identifica-se com o sacrifício. As propostas são de renúncia à própria personalidade, de obediência à vontade de Deus e de arrependimento pelas más ações cometidas. Procedendo desta forma, vivenciaremos plenamente o bem e tornar-nos-emos bem-aventurados no reino dos céus. Lá receberemos as recompensas pelo esquecimento da injúria, pelo perdão concedido aos nossos ofensores e pela quietude do espírito nas situações críticas da existência.

Os filósofos estão de acordo em admitir o valor moral do arrependimento. Espinosa, embora julgue que o arrependimento “Não é uma virtude, isto é, não deriva da razão” e que, portanto, quem se arrepende é duplamente miserando e impotente (uma vez porque agiu mal e depois porque se aflige com isso), reconhece que aquele que está submetido ao arrependimento pode, todavia, a voltar a viver segundo a razão muito mais facilmente do que os outros. Montaigne, que dedicou ao arrependimento um de seus ensaios mais notáveis, observara, porém, que o arrependimento não deve transformar-se no desejo “de ser outro”. (1)   

Para Schopenhauer, o arrependimento não é sobre a vontade mudar (o que é impossível), mas sobre o conhecimento mudar, levando a pessoa a se arrepender do que fez em vez do que quis, pois agiu sob falsas noções; ele é uma forma de o caráter adquirido (o eu) se aperfeiçoar, revelando uma discrepância entre o querer e o fazer, um tormento que, ao ser reconhecido, pode levar à negação da Vontade de Vida e à paz interior, mas também pode ser visto como um sofrimento pela descoberta de sua própria essência imutável. (2)

(1) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

(2) Vista geral de IA

13 janeiro 2012

A Salvação Segundo Alguns Filósofos

Para Santo Agostinho, a lembrança de um pequeno furto cometido na adolescência foi motivo para sua investigação psicológica sobre a maldade do homem. Diz que a tendência a pecar, no ser humano, é inata e motivada. Assim, as ações do homem tendem naturalmente para a maldade; somente a ajuda Deus pode salvar a sua alma.

Para Erasmo, a responsabilidade ética pressupõe o livre-arbítrio. Acha que o homem pode pecar, porque age com liberdade. Acrescenta, porém, que sem a ajuda divina o homem não pode salvar-se, pois negaria a existência de Deus. Em síntese: a graça divina é a primeira condição para a salvação, seguida pela liberdade do homem e pelas suas obras meritórias.

Para Lutero, o ser humano tem uma congênita predisposição ao pecado. Acha que somente uma visão pessimista do ser humano torna a ajuda de Deus indispensável ao homem. Considerar o homem capaz de escolher livremente entre o bem e mal significa afirmar que ele poderia salvar-se somente com as suas forças, sem a determinante ajuda da graça divina.

Para Kierkegaard, reportando-se ao exemplo bíblico do sacrifício de Isaac por parte de seu pai, Abraão, a fé que coloca a salvação da própria alma acima de qualquer outra coisa, tem em seu bojo um componente psicológico egoístico. Para ele, na fé o máximo amor de si mesmo convive com o máximo temor de Deus. É um paradoxo, mas a fé e isso mesmo, um paradoxo.

Fonte de Consulta: NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.