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14 agosto 2025

Falibilidade: Controle e Ajuste

Somos seres falíveis. Por mais cuidado que tenhamos, mesmo assim, o engano ocorrerá. O provérbio “aprender com os erros” tem grande significância. Quer dizer, pouco adianta ter certezas, porque a convicção profunda de que não nos enganamos é fictícia, ilusória. O melhor, para cada um de nós, é deixar sempre a mente aberta à dúvida metódica, como nos ensinou Descartes. 

Uma boa maneira de diminuir os nossos erros é procurar recorrer a outras pessoas, que são também falíveis. Se um terceiro refuta a nossa ideia, livramo-nos desse erro. Anotemos, também, que a verdade ou a falsidade das nossas convicções não depende de nós, mas antes da realidade — que é o objeto das nossas convicções. O que depende de nós é a justificação cuidadosa de nossas convicções.

Controles e ajustes. Comparando nossas convicções com a de outras pessoas — cientistas, religiosos e filósofos —, podemos aumentar os nossos controles e ajustes, que nada mais são do que raciocínio. Nesse sentido, precisamos raciocinar para concluir, com base na observação ou na experimentação, se os nossos pensamentos estão de posse da verdade ou do erro. 

Para que o nosso saber seja robusto e correto, evitemos a tentação que, ao longo dos séculos, tem sido fingir que podemos abandonar o raciocínio paciente envolvidos  nos controles e ajustes permanentes, substituindo por Deus, pela autoridade ou pela observação ou experimentação. O problema está dentro de nós. O terceiro pode nos auxiliar, mas a decisão sobre o teor da verdade é apropriada a cada um. 

Quando o raciocínio visa persuadir outras pessoas — chama-se argumento. O argumento  visa persuadir o nosso interlocutor a aceitar uma conclusão que ele originalmente não aceita. Se partirmos da premissa que ele aceita, o argumento é inútil. Argumentar com o interlocutor é mostrar que as suas ideias implicam outras ideias que ele quer rejeitar.

 

 

29 junho 2008

Erro Filosófico

O erro filosófico pode ser atribuído ao afastamento dos métodos seguros, à elaboração de postulados infundados e à colocação de dúvidas mal esboçadas. Não são poucos os filósofos que, querendo alcançar fama, acabam confundindo as ideias dos que lhes ouvem. É importante saber distinguir o falso do verdadeiro, o superficial do profundo. A Filosofia não é invenção de um homem. Ela representa o arcabouço histórico de todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram para positivar os conhecimentos acerca do homem, da natureza e de Deus.

O conceito de conceito dado por Descartes é um dos primeiros erros. Para Descartes o conceito equivale à ideia, o que gerou uma série de confusões na cabeça de muita gente. Partindo da cognição e da intencionalidade, temos melhores condições de absorver a verdade do conceito. A cognição é um ato imanente (consciente) do sujeito com relação ao objeto. A mente tende para o objeto, ou seja, é intencional. A intencionalidade é algo de que as coisas são feitas. Fugir ou obnubilar a intencionalidade é confundir, é estar em erro.

O erro devido à intencionalidade é reduzir tudo à matéria. Quando uma pessoa conhece ela capta o objeto, o qual pode ser de ordem material ou formal. Sendo material, temos a intuição sensível; sendo formal, temos a representação mental. Há muitas coisas que não conseguimos ter um prova material, mas nem por isso a prova intelectual (representação mental) deixa de ser verdadeira. Por exemplo, o tempo não comporta uma prova material (ser apalpado), mas sim uma prova formal. Quer dizer, não podemos pegar o tempo na mão, mas intui-lo através do pensamento.

A abstração, que consiste em tomar separadamente, pela mente, o que a coisa está junto com as outras é também fonte de erro. A abstração é um modo de conhecimento imperfeito, mas nem por isso falso. Um conhecimento pode ser menos perfeito ou mais perfeito, mas não quer dizer que seja falso. Se atribuímos falsidade a toda e qualquer abstração, então o nosso pensamento estará elaborando em erro. É preciso ficar atento às relações entre a parte e o todo.

Captar ideias claras não é tão fácil quando à primeira vista parece. Preferirmos nos deitar no berço vaidade, saindo por aí pregando ideias novas, desconhecendo que essas ideias novas já foram refutadas pelos filósofos de modo peremptório. Observe a ideia de Deus. A intencionalidade de Deus é ser soberanamente bom, justo, todo poder, toda perfeição. Querer uma prova material (figura de Deus) é desfigurar a intencionalidade que o conceito já positivou.

Tenhamos a mente livre dos preconceitos. Só assim poderemos captar inteiramente o objeto que se nos apresenta.

Fonte de Consulta

SANTOS, M. F. dos. Origem dos Grandes Erros Filosóficos — Erros Crítico-Ontológicos. São Paulo, Matese, 1965.