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08 novembro 2013

Positivismo: Comte

Positivismo é a doutrina fundada por Augusto Comte (1798-1857). Comte afirma que a filosofia deve ser “positiva”, ou seja, restringir-se ao que for cientificamente verificado. Pensando desse modo, estabelece os fundamentos da sociologia, ciência da sociedade que ele entende como o saber superior.

O positivismo é uma filosofia dos fatos. Só os fatos são suscetíveis de comprovação por meio da experiência. A filosofia de Comte despreza a metafísica, pois para ele, "A única máxima absoluta que existe é que não existe nada absoluto". A filosofia comtiana é um saber que investiga os fatos e suas relações tal como são concebidos pelas ciências.

A doutrina de Comte é justificada pela lei dos três estados: 1.º) estado teológico, em que a mente humana explica os fenômenos de maneira fictícia, apelando para causas sobrenaturais; 2.º) estado metafísico, em que a indagação das causas é feita no terreno da natureza, mas de forma abstrata; 3.º) estado científico, em que se abandona o saber causal e limita-se a observar os fatos e a estabelecer leis positivas a partir deles. Comte acredita que o positivismo, além de corresponder ao estado científico da humanidade, é também uma religião, pois herda, como ciência social, aquela força coesiva do coletivo que se encontra nas religiões tradicionais. 

Comte, ao refletir sobre a sociedade, distingue dois momentos: o de equilíbrio e o de movimento, o de "ordem" e o de "progresso", que os denomina de estática social e dinâmica social. A estática social é o estudo das condições em que se produz a "ordem" coletiva. A dinâmica social é a investigação das leis de transformação que determinam o movimento, ou "progresso", de uma sociedade.

John Stuart Mill (1806-1873), sendo utilitarista e liberal, adapta o positivismo comtiano ao utilitarismo inglês, porém impregnado de conteúdos éticos e políticos bem específicos. Herdeiro de Jeremy Bentham (1748-1832), que relaciona o bem ao prazer e o mal à dor, Mill estabelece que o bem-estar deva estar disponível ao maior número possível de indivíduos. O positivismo de Mill é essencialmente pragmático.

Para Comte, a sociologia é a principal ferramenta científica para a compreensão da sociedade. Nesse sentido, pensa que a filosofia é um saber estéril se não é vinculado de forma reflexiva ao conhecimento científico.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia 

 

30 junho 2008

A Filosofia do Século XX e sua Repercussão no Brasil

O Brasil, ao longo se sua história, recebeu influência de diversas correntes filosóficas. O presente estudo está concentrado em cinco: neotomismo, neokantismo, neohegelismo, marxismo e positivismo de Comte.

neotomismo é o movimento filosófico que começa no século XIX como "um retorno à doutrina de Tomás de Aquino" ou revalorização do aristotelismo de Tomás de Aquino. No Brasil, o primeiro marco é a fundação da Faculdade de Filosofia S. Bento, em São Paulo, pelos monges beneditinos, em 1908. Durante o período republicano circunscreveu-se a reduzido número de intelectuais, por causa do desprestígio da Igreja. Somente na década 20 do nosso século retomaria o "o surto tomista". Dentre os propagadores dessa filosofia, citamos: Jacques Maritain, Leonardo Van Acker, Alexandre Correia (1890), Maurício Teixeira Leite Penido (1845) e Eduardo Prado de Mendonça.

neokantismo é a tendência de superar o pensamento positivista do século XIX retornando à filosofia crítica de I. Kant. Miguel Reale aponta quatro momentos em que o Kantismo penetrou no Brasil: a) o Kantismo às vésperas de nossa Independência Política; b) Kant exerceu influência em São Paulo através do krausismo, ou seja, além da repercussão filosófica tinha também um cunho político; c) Tobias Barreto difundiu o conceito de Kantismo, na Escola de Recife; d) por último, em nosso século a influência do neokantismo ocorre, sobretudo, no campo da Filosofia do Direito, na teoria do conhecimento, na teoria da História e na redução da Filosofia à uma mera teoria da ciência.

neoidealismo ou neohegelianismo é um movimento de reação contra o positivismo, baseado num idealismo gnoseológico. Enquanto o neokantismo põe limite ao pensamento, o neoidealismo amplia-o ao infinito. Luis Castagnola considera Renato Cirell Czerna, discípulo de Miguel Reale, o cultor do idealismo no Brasil. Além de Renato Cirell, Romano Galeffi, professor de Filosofia da Arte na Universidade Federal da Bahia, e Otto Maria Carpeaux, austríaco exilado no Brasil, contribuíram para o desenvolvimento das ideias hegelianas aqui em nossa terra.

marxismo é a doutrina dos filósofos alemães Marx e Engels, fundada no materialismo dialético, na luta de classes e na relação capital trabalho. É impossível acompanhar todas as traduções de obras de autores marxistas publicadas em nosso país. De acordo com Antonio Paim, em seu livro História das Ideias Filosóficas no Brasil, o marxismo jamais despertou, no Brasil, qualquer movimento teórico de envergadura, nem depois da formação do partido político que pretende encarná-lo. Entre os pensadores marxistas brasileiros, lembramos de Caio Prado Jr. e Leôncio Basbaum.

positivismo é o conjunto de doutrinas de Auguste Comte caracterizado, sobretudo, pelo impulso que deu ao desenvolvimento de uma orientação cientificista ao pensamento filosófico. A influência do Positivismo no Brasil perdura até hoje, principalmente na Religião e na Política. O regime político-militar instaurado em 1964, em sua concepção geral, é de inspiração positivista. Durante o Império e o início da República, o positivismo conseguiu uma expressão maior no Brasil que na própria França. Constituiu-se em verdadeira Religião. Augusto chegou a ser venerado pelos positivistas da mesma maneira como os católicos veneram Jesus Cristo.

Como vemos, as ideias não têm pátria. Pode nascer em um lugar, mas o seu desabrochar depende de tempo e circunstância.

Fonte de Consulta

ZILLES, U. Grandes Tendências na Filosofia do Século XX e sua Influência no Brasil. Caxias do Sul, EDUCS, 1987.