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16 julho 2020

Paradigma

Paradigma. Do grego paradeigma significa modelo ou exemplo. Platão usou o termo "paradigma" como modelo: o mundo das ideias, o mundo dos seres eternos do qual o mundo sensível é imagem. Aristóteles, por sua vez, usou-o como "exemplo": indução de um enunciado particular para o enunciado geral. A polissemia do paradigma abrange: "modelo a ser imitado", "abordagem padrão", "orientação teórica", "estilo de pensamento" e outras coisas mais.

O norte-americano Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, define paradigma como “realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.”

Podemos enumerar alguns tipos de paradigmas; educacional, cartesiano, programação, trabalhista, complexidade, entre outros. Em se tratando da educação, necessitamos de paradigmas inovadores que se baseiem na aprendizagem crítica, aquela que faz o aluno pensar por si mesmo. O uso do paradigma cartesiano é bastante útil, pois seu método faz-nos dividir o problema em partes para que possamos melhor entender o todo. (1)

Cosmovisão, paradigma e crise. A cosmovisão é uma visão de mundo, uma maneira de interpretar a realidade. Na base da interpretação há um modelo, um paradigma. Para que haja mudança nesse status quo, há necessidade de uma crise, que leva a outro paradigma. Como este surge? Pela consciência da anomalia, ou seja, pela observação de uma falha na natureza responder satisfatoriamente às expectativas paradigmáticas vigentes.

Roberto Crema, em seu livro Introdução à Visão Holística, estuda a crise pelo qual o planeta está passando, cuja solução encontra-se no paradigma holístico, uma ponte sobre todas as fronteiras. Chama-nos a atenção sobre o salto quântico da física moderna que abalou o paradigma cartesiano-newtoniano. No centro dessa discussão está o princípio da incerteza, introduzido por Werner Heisenberg, ganhador do Nobel da Física e diretor do Instituto Max Planck.

Princípio de incerteza. É uma lei científica que postula a impossibilidade de saber, ao mesmo tempo com a absoluta precisão, a posição e a velocidade das partículas. "Quanto mais enfatizamos um aspecto em nossa descrição, mais o outro se torna incerto, e a relação precisa entre dois é dada pelo princípio da incerteza".

Como vimos, há muitos paradigmas disponíveis. Saibamos escolher aqueles que nos ajudem a pensar corretamente sobre o eu, o outro e a nossa relação com o demais integrantes da sociedade.

(1) https://www.significados.com.br/paradigma/




05 agosto 2015

Crise e Mudança Paradigmática

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Crise é separação, depuração como se faz com o ouro. É o momento do julgamento. Ela decide se uma coisa perdura ou não. No caso extremo da crise, que é escolher entre a vida e a morte, deparamo-nos com a questão hamletiana: ser ou não ser. Paradigma é "modelo a ser imitado", "abordagem padrão", "orientação teórica", "estilo de pensamento".

Crise tem conexão com o conflito, o paradigma e a mudança social entre outros. Observe o conflito. Quando uma crise surge em função do conflito, queremos eliminar o adversário, a pessoa que esteja causando barreiras ao nosso projeto. Conflito difere de competição. Na competição, queremos ultrapassar o adversário; no conflito, eliminá-lo. Uma imagem plástica: uma corrida ilustra a competição; a luta de boxe, o conflito.

Thomas Kuhn, em The Structure of Scientific Revolutions (1962), afirma que o paradigma é um conjunto de crenças científicas e metafísicas usado num determinado período de tempo. Uma crise pode quebrá-lo. Para ele, isso só será possível se o novo paradigma não tiver mais nada a ver com o antigo. Sustentou essa tese por longos anos, mas depois de sofrer críticas de diversos filósofos, que se queixaram de sua teoria - demasiada imprecisa - para realizar a tarefa para a qual ele a previu, voltou atrás. A mudança científica não ocorre por "revoluções", mas por detalhes.

Em se tratando da mudança social, a Revolução Industrial levou muitos teóricos à suposição de que a mudança é "boa". Há, porém, um grande número de outros pensadores que acham a mudança "má", pois a estabilidade é um valor que também se deve defender. Nesse caso, a crise pode ter como consequência a continuidade do status quo ou para a sua suplantação.

Presentemente nos deparamos com o determinismo tecnológico, ou seja, a tecnologia é a causa de todas as mudanças ocorridas na sociedade. Aqui, cabe uma indagação: não estamos repetindo - com a tecnologia - o mesmo erro cometido por Marx (a economia influencia tudo, inclusive a filosofia e a religião)?