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08 fevereiro 2012

Beleza e Religião

A beleza é uma das propriedades fundamentais de todo ser, através da qual se manifestam os sentimentos estéticos no ser humano. A beleza pode dar-se na natureza, que nos exalta os sentimentos; no ser humano, carregada ainda de sentimentos eróticos; nas obras artísticas, em que o ser humano pode projetar mundos maravilhosos.  

De um modo geral, a Bíblia trata sumariamente da beleza, em vista de esta estar no campo do imediato, enquanto a religião busca a transcendência. Embora a Bíblia não tenha se aprofundado na beleza, encontramos diversas passagens que tratam do assunto. Um exemplo: Sara e Rebeca são apresentadas como mulheres de beleza excepcional que cativam os homens onde quer que fossem.

Para a religião, o “demônio da beleza” enfeitiça o ser humano. Pensadores religiosos acham que a beleza feminina é tentação para desviar o homem de sua missão. Exemplos: Sansão é seduzido e traído pela esposa; Betsabeia arrasta David para o adultério e o crime; apesar de sua sabedoria, Salomão incorreu na idolatria, cativado pela beleza de mulheres estrangeiras.

O Novo Testamento, dando muita atenção à conversão interior, deixa pouco espaço para a beleza exterior das coisas. A beleza da alma é preferível à beleza de penteados, vestidos custosos e adornos. A preocupação básica do cristianismo, não resta dúvida, foi a de impedir que um culto sensível à beleza corporal viesse desvirtuar a beleza interior do espírito.

Por esta razão, os grandes pensadores cristãos procuravam, em seus escritos, enaltecer sempre a beleza integral, verdadeiro reflexo da beleza divina.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

07 fevereiro 2012

A Beleza Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, a beleza deve ser comparada ao amor, que se caracteriza pela insuficiência, ou seja, amamos algo que desejamos e não o temos. Da mesma forma que o amor, o filósofo não tem a beleza, mas a deseja, anela a sabedoria sem possuí-la. O amor é fundamentalmente uma necessidade que ainda não foi satisfeita, algo essencial para a própria completude da vida.

Para Plotino, a beleza é elevação da alma. Acha que a arte é o esplendor da inteligência, que transparece no sensível. A música, por exemplo, reproduz com sons o princípio da harmonia. Por meio da arte, a alma põe em movimento um processo de purificação, começa o caminho do retorno à divindade.

Para Kant, precisamos distinguir o sensório do prazer estético propriamente dito. O prazer estético baseia-se em juízos reflexionantes, ou seja, uma apreciação que não se refere diretamente ao objeto, mas à nossa subjetividade com relação ao mesmo. Apreciamos também tudo o que é desmedido, emocionante e assustador, como é caso de achar beleza na erupção de um vulcão, na potência de um furacão, na profundeza de um abismo etc.

Para Schelling, a arte é simultaneamente objeto concreto e produto do espírito. Há o ofício, a técnica (concreto), e a inspiração (imaterial e espiritual). O primeiro adquire-se pela experiência, o segundo, vem do inconsciente. A arte nasce dessa confluência entre o consciente e o inconsciente, o técnico e o inspirado, o discursivo e o intuitivo.

Para Nietzsche, a criação artística baseia-se na polaridade do espírito apolíneo e do espírito dionisíaco. O primeiro, baseado nas formas, exprime-se nas artes plásticas; o segundo, ilimitado, e que conduz o indivíduo à saída de si mesmo, só a música e o vinho podem dar. O artista apolíneo interpreta a vida inteira como se fosse um sonho; o dionisíaco vive, sem se deter para interpretar coisa alguma, como se estivesse em estado de embriaguez.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.