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21 fevereiro 2020

Wittgenstein, Ludwig

"Sobre aquilo do que não se pode falar, deve-se calar." Tractatus Logico-Philosophicus

Ludwig Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo austríaco. Viveu grande parte de sua vida na Inglaterra. É um dos fundadores da filosofia analítica e sua obra, extremamente idiossincrática e original, teve grande influência no desenvolvimento dessa corrente filosófica. Por seu caráter essencialmente assistemático e fragmentário, o pensamento de Wittgenstein deu margem a um grande número de interpretações, muitas vezes divergentes, e seu caráter mais sugestivo do que teórico ou doutrinário fez com que sua influência desse origem a diferentes desenvolvimentos. (1)

Resumo do seu pensamento: A linguagem é composta de proposições: assertivas sobre coisas que podem ser verdadeiras ou falsas. ==> O mundo é composto de fatos: as coisas são de um certo modo. ==> As proposições são "imagens" de fatos, do mesmo modo que mapas são imagens do mundo. ==> Qualquer proposição que não retrate fatos é sem sentido; por exemplo, "matar é ruim". ==> Minha linguagem é, portanto, limitada a declarações de fatos sobre o mundo. ==> Os limites da minha linguagem significam os limites do mundo. (2)

De 1906 a 1908, Wittgenstein estudou engenharia mecânica em Berlim. Em seguida foi para a Universidade de Manchester, onde ficou fascinado pela matemática; em 1911, mudou-se para Cambridge com o intuito de estudar lógica matemática junto a Bertrand Russell. Dois anos depois, Russell declarou que já havia ensinado a Wittgenstein tudo o que podia. Enquanto o interesse de Russell era desvelar os fundamentos lógicos da matemática, Wittgenstein queria investigar os fundamentos da lógica propriamente dita. No início da Primeira Guerra Mundial, ele ingressou no exército austríaco, mas nos quatro anos seguintes trabalhou no que viria a ser o Tractatus Logico-Philosophicus (1922), único livro publicado enquanto era vivo. (3)

(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

(2) VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.

(3) LEVENE, Lesley. Penso, Logo Existo: Tudo o que Você Precisa Saber sobre Filosofia. Tradução de Debora Fleck. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.

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Então, voltando à pergunta que Epicuro fez, por que temer a morte? A morte não é algo que acontece a nós. Quando acontece, não estamos lá. Ludwig Wittgenstein, filósofo do século XX, repetiu essa visão quando escreveu em seu Tractatus Logico-Philosophicus que “a morte não é um acontecimento da vida”. A ideia aqui é que os acontecimentos são coisas que experimentamos, mas a morte é a remoção da possibilidade da experiência, e não alguma coisa da qual poderíamos ter ciência, ou algo por que passaríamos de alguma maneira.

Wittgenstein, Heidegger e Dewey. Cada um deles tentou uma nova maneira de tornar a Filosofia "fundamental" — uma nova maneira de formular um contexto último para o pensamento. Wittgenstein procurou construir uma nova teoria da representação que nada teria a ver com o mentalismo. Heidegger tentou construir um novo conjunto de categorias filosóficas que nada teriam a ver com a ciência, a epistemologia, ou a busca cartesiana da certeza, e Dewey tentou constituir uma versão naturalizada da visão hegeliana da história.

Adormecidos com a rotina dos dias iguais, esquecemo-nos do assombro agostiniano perante o mistério do tempo (“Si Nemo a me quaeret, scio, si quaerenti explicare velim, nescio.” Santo Agostinho, Confissões, XX, 14.). Com respeito a esta frase, L. Wittgenstein nas suas Philosophische Untersuchungen, propõe: “Aquilo que sabemos quando ninguém nô-lo pergunta, mas não sabemos quando o pretendemos explicar é algo sobre o qual devemos refletir”.



03 julho 2008

Wittgenstein, Heidegger e Dewey

No século XVII, a noção de uma "teoria do conhecimento" baseada na compreensão dos "processos mentais" é atribuída a Locke; a noção de "mente" como entidade distinta em que ocorrem "processos", a Descartes; a noção da filosofia como tribunal da razão pura, a Kant. No século XIX, a noção de filosofia como uma disciplina fundamental que "funda" as pretensões do conhecimento foi consolidada nos escritos neokantianos. Dessa forma, a Filosofia torna-se, para os intelectuais, um substituto da religião, pois preocupavam-se em mantê-la "rigorosa e científica".

Essa aparente predominância da Filosofia entra em crise devido a dois fatores: 1º), a esta altura era quase completo o triunfo dos laicos sobre as pretensões religiosas; 2º), surge uma nova forma de cultura, que eram os escritores de poemas, romances, novelas e tratados políticos. O discurso laico, que se populariza, desvia-se da lógica racional que os filósofos intentavam com as suas teorias do conhecimento. O espaço cultural fica dividido, e os escritos filosóficos perdem terreno para esses outros gêneros literários.

No início do nosso século, nomeadamente Russell e Husserl, preocupavam-se em retomar a Filosofia como "científica e rigorosa". Mas havia uma nota de desespero em suas vozes, porque a cultura laica monopolizava cada vez mais a atenção dos leitores. Em resultado, quanto mais "científica e rigorosa" se tornava a filosofia, menos ela tinha a ver com o resto da cultura e mais absurdas pareciam as suas pretensões tradicionais.

É de encontro a este fundo que surgiram Wittgenstein, Heidegger e Dewey. Cada um deles tentou uma nova maneira de tornar a Filosofia "fundamental" — uma nova maneira de formular um contexto último para o pensamento. Wittgenstein procurou construir uma nova teoria da representação que nada teria a ver com o mentalismo. Heidegger tentou construir um novo conjunto de categorias filosóficas que nada teriam a ver com a ciência, a epistemologia, ou a busca cartesiana da certeza, e Dewey tentou constuir uma versão naturalizada da visão hegeliana da história.

Todos os três vieram a achar auto-ilusório o seu esforço inicial, uma tentativa de conservar uma certa concepção de filosofia após terem sido abandonadas as noções necessárias para dar corpo a essa concepção (as noções seiscentistas de conhecimento e mente). Todos os três, nas suas últimas obras, se libertaram da concepção kantiana da filosofia como fundamento e dedicaram o seu tempo a prevenir-nos contra aquelas mesmas tentações a que eles próprios haviam sucumbido.

Assim sendo, essas últimas obras são mais terapêuticas do que construtivas, mais edificantes do que sistemáticas, concebidas de modo que o leitor questione o seu próprio motivos para filosofar, em vez de lhe fornecerem um novo programa filosófico.

Fonte de Consulta

RORTY, R. A Filosofia e o Espelho da Natureza. Lisboa, Dom Quixote, 1988.

São Paulo, 12/04/1998