Platão, no livro IV da República,
descreve as qualidades que uma cidade deve ter para o seu funcionamento
racional. Essas qualidades são enumeradas em função de quatro virtudes,
chamadas de fundamentais, e que mais tarde denominaram-se virtudes
cardeais. Elas são: prudência (sabedoria), fortaleza (coragem),
temperança e justiça.
Vale a pena notar que essas virtudes,
primeiramente, dizem respeito à cidade, no sentido de termos cidades retas, ou
cidadãos que agem segundo a reta razão. Somente depois é que o termo passou a
ser aplicado ao próprio cidadão. Isso tem certa razão, pois Platão achava que
não havia diferença substancial entre o público e o privado. As coisas devem
valer muito mais pelas ideias que lhe são próprias.
Prudência (sabedoria). O que é uma cidade sábia? É a cidade que age
segundo certa ciência, a ciência de saber escolher. Nesse caso, escolhe-se o
melhor, segundo a natureza de cada coisa, pois Platão entendia a virtude como a
potência que cada objeto tem em si mesmo. Por exemplo, a função da planta é
produzir frutos Assim, a direção da cidade deveria ser feita pelo rei-filósofo,
pois ele, segundo a sua natureza, era o mais sábio para o fazer, porque veio
para desempenhar essa função.
A fortaleza (coragem) é um sentimento ou virtude que evoca a força.
Observe o guerreiro. Ele não pode ser covarde, pois se assim o for não terá
condições de defender a cidade dos inimigos. Daí, dizer que a coragem é a
defesa da opinião própria, mesmo quando atacada por todos os lados e por todas as
pessoas. A paciência, ligada à fortaleza, é a disposição interior
de enfrentar as vicissitudes da vida: dor, morte, desilusão.
A temperança, segundo
Sócrates, é uma ordenação e ainda um poder sobre certos prazeres. Assim, a
temperança refere-se à contenção dos prazeres sensitivos dentro dos limites
estabelecidos pela razão. Diz-se que a moderação é a temperança no comer, a sobriedade é
a temperança no beber e a castidade é a temperança no prazer sexual.
No estabelecimento da cidade, Platão
disse que “cada um deve ocupar-se de uma função na cidade, aquela para a qual a
sua natureza é mais apta por nascimento” (Rep., V, 433 c). Isto equivaleria também à justiça,
pois implica “executar a tarefa própria e não fazer a dos outros”. (Rep.,
IV, 433 a).
Hodiernamente, poderíamos dizer que a justiça consiste na atribuição, na
equidade, no considerar e respeitar o direito e o valor que são devidos a
alguém, ou alguma coisa.
Como vemos, temos muito que aprender a respeito das virtudes. O mais importante é não deixarmos que esse termo caia no esquecimento, como sói acontecer nos dias presentes, sendo este o principal empecilho para o nosso desenvolvimento moral e espiritual.