26 novembro 2015

Budismo

O budismo, fundado por Siddhartha Gautama, o Buda (aquele que despertou), é considerado por muitas pessoas mais como filosofia do que como religião. O motivo: Buda buscava a iluminação e não a revelação. Na época, a Índia era dominada pelas religiões bramânicas e, por essa razão, acreditava-se que a alma estava presa ao ciclo eterno da morte e do renascimento. Para quebrar este ciclo, em vez de se valer de rituais e escrituras, Buda opta pela meditação e reflexão.

Para escapar do ciclo das reencarnações, em que o pano de fundo é o sofrimento, principalmente devido ao apego à matéria, Buda estabeleceu as ""Quatro Nobres Verdades": dukkha (a verdade do sofrimento), samudaya (a verdade da origem do sofrimento), nirodha (a verdade do fim do sofrimento) e magga (a verdade do caminho para o fim do sofrimento). Esta última verdade diz respeito ao "caminho do meio".

Depois de elaborado por Buda, o budismo espalha-se rapidamente na Índia, chegando até a China. Em consequência, surgem diversas tradições, onde as duas principais são: theravada manayana. Mais tarde, ocorreram ramificações opostas, como o zen-budismo que preconiza a prática de silenciar a mente para alcançar a iluminação espontânea, e as diversas formas do budismo tibetano, caracterizado por templos coloridos, muitas imagens e rituais.

"O caminho do meio" é o fundamento do budismo. É uma espécie de meio-termo entre dois extremos: vida de luxo e vida de austeridade. Propõe "uma dose moderada de disciplina em busca de uma vida ética, sem cair na tentação dos prazeres físicos ou na auto mortificação". Este caminho refere-se, também, a dois outros extremos: o eternalismo (crença de que a alma tem um propósito e vive para sempre) e o niilismo (extremo ceticismo em que se nega o valor e o sentido de tudo).

Esquema para se chegar ao caminho do meio. Por mais conforto material que tenhamos na vida, não estamos imunes à dor e ao sofrimento. ==> A total negação do conforto material uma vida de ascetismo também não nos protegem do sofrimento. ==> Cada pessoa precisa encontrar equilíbrio e disciplina, de acordo com as circunstâncias individuais. ==> Precisamos encontrar o caminho do meio

Fonte de Consulta 

O LIVRO DAS RELIGIÕES. Tradução Bruno Alexander. São Paulo: Globo Livros, 2014. 



ver mais

23 novembro 2015

O Zen-Budismo e o Koan

"Se você entender a primeira palavra do zen, saberá a última. A última e a primeira: não são uma única palavra." (Mumon)

O Zen constitui-se de duas técnicas principais: a primeira deriva da escola Soto e faz uso da meditação zazen; a segunda, da escola Rinzai e emprega koans, ou diálogos paradoxos compostos de perguntas e respostas. Os koans podem levar a uma iluminação repentina e intuitiva, que ocorre quando a lacuna entre o racional e o irracional é transcendido e o "Buda interior" descoberto.

Vejamos uma sequência de pensamentos. O uso de palavras - seja em rezas ou em conversas - cria confusão mental. ==>  Quando pensamos e lemos em silêncio, mais "palavras" são criadas em nossa cabeça. ==> No momento em que queremos encontrar respostas, nosso desejo turva a mente. ==> Se quisermos descobrir nossa natureza Buda, precisamos esvaziar nossa mente de todas essas coisas. ==> Com a mente vazia, teremos insights e entendimentos além das palavras. 

Em se tratando do zen rinzai, uma característica fundamental, introduzida por Hakuin, é a utilização de koans - perguntas irrespondíveis que desestruturam o pensamento convencional. Um dos koans mais conhecido é: "Qual o som de uma única mão batendo palma?" Os mestres do zen-budismo instruem-nos a não saber a resposta de um koan. E, se soubermos, devemos pensar de novo e abrir mão de todas as ideias preconcebidas.

Na meditação zen, o que vemos não pode ser descrito. O objetivo do zen é esvaziar o conteúdo da mente, que não faz parte dela. O zen não é um estudo, mas um exercício. Num mundo onde as pessoas desejam adquirir coisas, ter conhecimento e insight como bens pessoais, o zen é a frustração máxima. Zen é desapego. Conta-se que quando pediram a Bodhidharma para sintetizar a ideia do budismo, ele respondeu: "Um amplo vazio. Um nada sagrado". 

Exemplo de um koan reunindo vento, bandeira e mente.

Dois monges discutiam a respeito da bandeira do templo, que tremulava ao vento. Um deles disse:
- A bandeira que se move.
O outro disse:
- É o vento que se move.
Trocaram ideias e não conseguiam chegar a um acordo. Então Hui-neng, o sexto patriarca, disse:
- Não é a bandeira que se move. Não é o vento que se move. É a mente dos senhores que se move.
Os dois monges ficaram perplexos.


Fonte de Consulta 

Livro das Religiões da Editora Globo 
PELLEGRINI, Luis. Dicionário do Inexplicado. São Paulo: Edições Planeta.



ver mais

13 novembro 2015

"Em Favor da Dúvida": Algumas Notas

Notas extraídas do livro Em Favor da Dúvida: Como Ter Convicções Sem se Tornar Fanático

Começa indagando como é possível ter fé na ausência de certeza. Depois, acrescenta: como a incerteza religiosa coexiste com a certeza moral? 
ver mais