30 abril 2014

Filantropia

Filantropia - do grego philos, "amigo", e anthropos, "homem", significa amigo do homem ou simpatia pelos homens. Tomou dois sentidos: 1) sentimento que faz prevalecer o que há de universal na natureza humana sobre aquilo que é próprio de cada tempo ou de cada lugar; 2) beneficência, ou seja, melhorar não individualmente os infelizes, mas por meio de instituições de caridade. Só este sentido é hoje usual.  

A evolução histórica da palavra “filantropia” pode ser sintetizada. Em Paulo (Tit., 3, 4) significa o amor de Deus aos homens. Entre os estoicos – origem do termo e onde foi difundida juntamente com o cosmopolitismo –, filantropia significa o amor que todo o homem deve ao seu semelhante, em razão da natureza comum a todos. Esta palavra expandiu-se novamente no século XVIII com o renascimento das ideias estoicas. O positivismo deu-lhe também grande destaque. 

Os termos "filantropia" e "humanitarismo" foram introduzidos pelos positivistas, que se diziam filantropos e humanitaristas, porque prestavam culto à humanidade, não porque fossem caridosos. Inicialmente, designava exclusivamente a ação social de atendimento ao próximo, o sentimento de solidariedade humana, independentemente de quaisquer considerações de ordem religiosa, que dão a palavra como sinônimo de "caridade". Atualmente tem essas acepções, mas amplia-se e é o mesmo que caridade ou beneficência. 

Comaparando filantropia e caridade, percebemos que a filantropia toma geralmente um caráter naturalista e laico. A caridade apresenta uma tonalidade religiosa. Além disso, a caridade corresponde mais ao impulso espontâneo de auxílio ao indivíduo e a filantropia a um impulso disciplinado por um pensamento reflexo, dirigido a promover também a elevação do bem-estar social. 

Fonte de Consulta

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico de Filosofia. Tradução por Fátima Sá Correia et al. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987. 

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29 abril 2014

Frases


"Os fins justificam os meios." (Maquiavel)

"Feliz é aquele que superou o seu ego." (Sidarta Gautama)

"Não há nada fora do texto." (Jacques Derrida)

"Sobre o seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano." (John Stuart Mill)

"Aja como se o que você faz fizesse diferença, porque faz." (William James)

"O homem é algo a ser superado." (Friedrich Nietzsche)

"A alma é inteiramente distinta do corpo." (René Descartes)

"A vida irrefletida não vale a pena ser vivida." (Sócrates)

"O pensamento sempre funciona por oposição." (Hélène Cixous)

"A mente não tem gênero." (Mary Wollstonecraft)

"Somente pensamos quando confrontados com um problema." (John Dewey)

"A imaginação dispõe de tudo." (Blaise Pascal)

"Ser é ser percebido." (George Berkeley)

"O homem é um animal que faz barganha." (Adam Smith)

"Penso, logo existo." (René Descartes)

"O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado." (Jean-Jacques Rousseau)

"O homem é a medida de todas as coisas." (Protágoras)

"A vida será mais bem vivida quanto menos sentido tem." (Albert Camus)

"A sociedade é, de fato, um contrato." (Edmund Burke)

"O conhecimento de nenhum homem pode ir além da sua própria experiência." (John Locke)

"Nós próprios somos as entidades a ser analisadas." (Martin Heidegger)

"A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda." (Voltaire)


Frases extraídas da capa do livro O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.
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19 abril 2014

Paradoxo

Paradoxo vem do latim (paradoxum) e do grego (paradoxo). O prefixo “para” quer dizer contrário a, ou oposto de e o sufixo “doxa” quer dizer opinião. O paradoxo é uma proposição contrária à opinião comum. É o oposto do que alguém pensa ser a verdade. Representa, também, a ausência de nexo ou lógica. Declaração que se faz sobre as coisas que aparentemente implica alguma contradição, pois uma análise mais profunda faz desvanecê-la.

Segundo Platão, a opinião é faculdade própria, distinta da ciência, que nos torna capazes de “julgar sobre a aparência”. É a existência de algo intermediário entre ignorância e ciência. O que caracteriza o filósofo é o não ser “amigo da opinião”. Não é condenável ir contra a opinião, pois um paradoxo pode ser falso ou verdadeiro. Para Sócrates as opiniões devem ser destruídas, visto que o indivíduo, movido pela sensação, vai adquirindo conhecimentos falsos e incorporando muitos vícios ao seu patrimônio intelectual.

Entre os vários tipos de paradoxos, os mais frequentes são: paradoxo lógico. Exemplo: o paradoxo de Bureli-Forti – chamado do maior número ordinal; paradoxo semântico. Exemplo: paradoxo do mentiroso; paradoxo existencial. Encontra-se em autores de caráter religioso, como Santo Agostinho, Pascal, Kierkegaard e Unamuno. Não é anti-racional, mas pode ser pré-racional. (1)

Pesquisando sobre o termo “paradoxo”, deparamo-nos com diversas situações. O paradoxo da filosofia apriorística mostra que se a filosofia é amor à sabedoria, não podemos restringi-la. A exclusão a priori de algum tema mostra o preconceito da época. O paradoxo da fé em Kierkegaard mostra que na fé o máximo amor de si mesmo convive com o máximo temor de Deus. É um paradoxo, mas a fé é isso mesmo, um paradoxo. Sartre, ao afirmar que “o homem está condenado à liberdade” profere um paradoxo, pois como uma pessoa pode ter liberdade se está condenado a ela?

O paradoxo em Frankenstein. A cinematografia faz de Frankenstein um ser com instinto de assassinar crianças, ações contrárias àquelas praticadas pelos seres humanos normais. No livro de Mary Shelley, ele é vegetariano, fala eloquentemente que quase convence o seu criador e o leitor de sua bondade intrínseca. O paradoxo está em ter certeza que conhecemos, mas raciocinamos com uma imagem falsa.

(1) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]


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14 abril 2014

Pecado e Subjetividade

Os sete pecados capitais - Gula, Avareza, Luxúria, Ira, Inveja, Preguiça e Orgulho - foram instituídos pela Igreja para orientar os seus fiéis quanto ao comportamento religioso adequado. Por volta de 1500, havia uma objetividade desses pecados. Na Divina Comédia, por exemplo, a desobediência ao superior era o pior dos pecados. Da hierarquia clara da Idade Média, passamos para a mudança dos valores na época presente. 

Nesses quinhentos anos, tivemos três abalos: 1) no século XVI, a Terra não é mais o centro do Universo; 2) no século XIX, Darwin, com a sua Evolução das Espécies, mostra-nos que não fomos criados por Deus, mas resultado da evolução do macaco; 3) no século XX, Freud, com a sua interpretação dos sonhos, instrui-nos que não somos controlados por forças racionais, mas as que emanam do inconsciente. 

Em se tratando da criação, Deus deu ao homem total liberdade, menos a de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Pergunta-se: se não quisesse que o homem a provasse, por que a deixou no centro do Paraíso? Por que não a escondeu? Parece que Deus não conhece psicologia. É como se Deus falasse para a criança: "Não pegue o bolo que está dentro da geladeira". O problema é Deus e não Adão. Adão é um cientista que quer provar o fruto da natureza e tirar as suas próprias conclusões. 

O subjetivo absorveu o concreto nos seguintes aspectos: a Luxúria passou a significar a valorização do corpo; a ira, a maneira de não guardar raiva; a avareza, o planejamento do futuro; a inveja, o estabelecimento de metas; a preguiça, o relaxamento; a gula, a fuga da anorexia; a vaidade, o essencial para a felicidade (o maior pecado).

A subjetividade do pecado propiciou o aparecimento das seguintes teologias contemporâneas: 1.ª) Teologia da autoajuda: se você não se amar ninguém vai lhe amar; o que você pensa, acontece; 2.ª) Teologia da prosperidade: ninguém prega mais um Deus sofredor (só vencedor). Família feliz, saúde perfeita e bens materiais são obtidos através da fé; 3.ª) Teologia do empreendedorismo: vencedores x perdedores. Há internalização da censura: se eu fracasso (Inferno atual), a culpa é minha.  Só vão para o Céu os ganhadores, os empreendedores. 

O ser humano deve voltar ao tradicional, pois a verdade não vem com aparências externas, superficialmente.  

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09 abril 2014

O Nada e o Saber dos Antigos

O niilismo, o nada, aparece como uma doença no século XIX e se arrasta aos séculos seguintes.  Dentre os diversos pensadores a respeito deste tema, Nietzsche é quem se destaca, principalmente pela sua famosa indagação sobre o niilismo: falta o fim, falta resposta ao "por quê?"; o que significa niilismo?  - que os valores supremos se desvalorizam. (F. Nietzsche, Fragmentos póstumos)

Nietzsche aponta os dois culpados para o aparecimento do niilismo: o platonismo e o cristianismo. Em se tratando de Platão, acha que o seu grande erro foi o da criação do mundo das Ideias, ou seja, um mundo perfeito além deste. Em se tratando de Jesus, critica a diferença entre o Criador, Onipotente e Perfeito, e a criatura, limitada e imperfeita. Tanto um quanto o outro destacam o descaso para com a vida presente, para com a vida sensível, deixando tudo para depois. 

A gigantografia - mensagens violentas e exasperadas - tem relação com o niilismo. Orwell, em seu romance 1984, escrito em 1947 e publicado em 1948, em que inverteu os dois últimos algarismos, e Aldous Huxley, em seu Admirável mundo novo, retratam a perda da liberdade. Orwell enfatiza essa perda de liberdade devido à obediência cega ao Grande Irmão, que é o Estado totalitário. Huxley, por outro lado, destaca a influência perversa do progresso técnico-científico quanto à perda dos valores nobres da vida. 

Quanto ao afastamento dos antigos, duas frases devem ser lembradas: 1) "Na convicção de lhe dar tudo, essa sociedade reduz o homem a nada e o atira ao abismo do niilismo";  2) "Dê-me televisão e hambúrguer e não me venha com sermões sobre liberdade e responsabilidade".

A volta aos antigos significa que a liberdade, o culto da beleza e a contemplação artística devem predominar sobre os avanços da ciência e da tecnologia. Enquanto a ciência positiva é fragmentada, a ciência do espirito é abrangente, mais adequada à obtenção do conhecimento verdadeiro. A ciência do espírito é uma espécie de iluminação divina como bem salientou santo Agostinho em suas prédicas: "como saberíamos, não fosse a iluminação divina, o que é justo e o que é injusto? Se o sabemos é porque daquela verdade se "copia" toda lei justa". 

Voltar aos antigos é cultivar a liberdade e o uso do pensamento próprio. É exercitar-se na filosofia, na verdadeira filosofia, que é a contemplação do espírito em busca da verdade. A absorção das verdades espirituais tem a sua exigência: esvaziamento dos preconceitos adquiridos ao longo do tempo. Com a mente aberta ao novo, teremos mais condições de nos libertar do niilismo, do nada que a sociedade contemporânea nos impõe diuturnamente. 

Os seres humanos necessitam de uma compreensão mais acurada do transmundo, pois se não houver consciência dessa iluminação interior, cairemos nas garras do niilismo. A vida futura não deve ser entendida como uma fuga da vida presente, mas uma realidade, a qual não podemos ignorar, pois as verdades espirituais existem independentemente de crermos ou não crermos. 


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