31 outubro 2012

Origem da Lógica Digital


O início da lógica digital tem a ver com nossos computadores materiais?

Há um pensamento predominante que nos leva a esta tese. Não é bem assim. O início da lógica binária está associada aos cartões perfurados que Joseph Marie Jacquard desenvolveu no ano de 1804 para o seu tear. Nela uma agulha do tear tateava o papel: se encontrasse um furo, a linha era levantada.

Charles Babbage (1791-1871), inspirado nesse mecanismo, começou a desenvolver uma máquina de calcular, controlada pelo programa de cartões perfurados. Devido aos altos custos, suas pesquisas não prosperaram.   

George Boole (1815-1864) dá o verdadeiro passo rumo à lógica binária. Ele queria formular uma matemática que pudesse contar com tudo, não apenas com números, mas também com maçãs e peras. Ele imaginou que o símbolo algébrico x poderia não apenas corresponder a um número, mas também a um objeto qualquer, digamos, um unicórnio. O número 1 representava o universo; o 0, por sua vez, o nada. O 0 correspondia ao falso; o 1, ao verdadeiro.

A descrição do dispositivo do computador (aquele que computa, calcula) é bastante ilusória, pois este, que segue a álgebra booliana com a sua codificação de 0 e 1, não computa. O e 1 não são mais concebidos como números, mas como meta-estados.

Fonte: BURCKHARDT, Martin. Pequena História das Grandes Ideias: Como a Filosofia Inventou nosso Mundo. Tradução de Petê Rissatti. Rio de Janeiro: Tinta Negra Bazar Editorial, 2011, p. 144 a 148. 
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23 outubro 2012

Reflexão


A reflexão, fenomenologicamente observada, manifesta-se como um segundo ato de conhecimento (o primeiro é a intenção direta).

Ao evocarmos a intenção direta e o segundo ato, verificaremos que uma noção ampla do juízo em geral e do juízo reflexivo em especial influencia notoriamente o comportamento de um crítico do conhecimento. Sem elo, poder-se-ia perder em afirmações frouxas e superficiais, por ausência de um eixo diretor.

Há, assim, a intenção direta e o segundo ato. A reflexão, propriamente dita, diz respeito ao segundo ato. Mas, se o segundo ato, é uma espécie de repetição da intenção direta, reduziríamos a visão reflexa a uma outra face do mesmo ato. Uma simples abstração nos faria ver separadamente as duas intenções, conduzindo-nos à ilusão final das dualidades dos atos.  

Para que haja a verdadeira reflexão, a intenção direta deve opor-se à reflexão, no sentido de se distinguirem como dois atos efetivamente distintos e não apenas como intensificação um do outro. A simultaneidade proporciona a aparente impressão de que um ato seja a intensificação do outro; a observação cuidadosa nos liberta deste equívoco, conduzindo-nos à consciência de nós mesmos e enaltecendo a nossa racionalidade.

Fonte: Evaldo Pauli, Que é Pensar? Teoria Fundamental do Conhecimento. Santa Catarina: Biblioteca Superior de Cultura, 1964.
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Os Sofistas


A palavra “sofista”, derivada do grego sophos (sábio) era, na antiguidade, sinônimo de sábio. Com o tempo, o sentido pejorativo ultrapassou o sentido real. Somente na atualidade, o sentido antigo voltou a ser defendido por um movimento, que se denominou “iluminismo grego”.

Sofistas é o termo que se usa para caracterizar um conjunto de pensadores gregos que surgiu na segunda metade do século V a.C. A fundamentação deste conceito reside no fato de eles terem sido os primeiros educadores profissionais (recebiam pagamento pelo ensino) de disciplinas humanas, tais como, política e moral e, principalmente, a retórica.

A democracia grega trouxe uma mudança radical na natureza da liderança: numa assembléia, em que o povo podia tomar decisões, a linhagem não era suficiente. Como a aspiração máxima era a vitória, um político tinha que se desenvolver na arte de persuadir e de convencer as massas, mostrando que a sua era a melhor proposta para governar a cidade, o estado.

Os sofistas davam grande valor aos sentidos. Pergunta: se os sentidos mostram coisas diferentes a diferentes indivíduos, como decidir qual delas está de posse da verdade? A resposta é: a verdade é relativa a cada um. Assim, não há uma verdade absoluta; cada coisa é o que parece ser para cada um. Este relativismo conduz ao ceticismo.

Os gregos pensavam que as leis naturais eram inamovíveis, ou seja, absolutas. A constatação, porém, de que outros povos têm culturas e valores diferentes, levou os sofistas a aceitarem o convencionalismo das leis. A partir desse momento, as leis passam a ser arbitrárias e provisórias, relativas, portanto, à comunidade e ao próprio indivíduo.

Protágoras (480-410 a.C.) foi o sofista mais famoso do seu tempo. Dele vem a famosa frase: “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das que não são, enquanto não são.” Dele, também, provém a ideia dos raciocínios duplos: “Em toda questão há dois raciocínios opostos entre si”, quer dizer, de cada coisa se pode dar duas versões opostas. Já que não há verdade, um juízo é tão válido quanto o seu contrário.

Sócrates, Platão e Aristóteles achavam os sofistas perigosos para a sociedade. Por isso, elaboraram grande parte de suas concepções como respostas destinadas a desmontar o edifício construído por esses pensadores.

Fonte: Temática Barsa - Filosofia.  
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